A história de um projeto de traição matrimonial, entremeada de citações clássicas, tango de Piazolla, jogo político e toques surrealistas, torna bem palatável o estreante Happy Hour-Verdades e Consequências, do diretor brasileiro Eduardo Albergaria. É uma co-produção brasileira e argentina, tendo elenco lideado por Letícia Sabatella, Chico Diaz e os argentinos Pablo Echarri e Luciano Cáceres.
O engendrado roteiro traz um Homem-Aranha despencando sobre o carro de um professor universitário, casado com uma deputada. O acidente o torna popular, assanha desejos das alunas e, por consequência, o divórcio vem à baila na vida do casal. O marido não quer a separação já que está pedindo permissão à amada esposa para fazer sexo fora do casamento.
Pela ótica argentina, o cotidiano do Rio de Janeiro comparece com muita ironia através dos noticiários de tevê: os micos que invadem os apartamentos, as capivaras que engordam nos jardins e o sensacionalismo policialesco.
Happy Hour nasceu de uma peça de teatro, escrita por Eduardo Albergaria e o ator Cecil Thiré. Na versão para o filme, o professor deixa de ser brasileiro para ser argentino, um bom achado para se promover um encontro de dicções e enriquecer a trama com uma tese sobre o portunhol. Outra qualidade está na performance dos personagens: a comicidade machista de Horácio (Pablo Echarri) e a elegante sutileza da deputada Vera (Letícia Sabatella)- um contraste entre o desejo arrebatador e o discurso eleitoral.