PAULA SOPRANA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O Google anunciou que atingiu a “supremacia quântica”, um marco para o desenvolvimento de computadores do tipo, em um artigo publicado na revista científica Nature e em um blog da companhia nesta quarta-feira (23).
A divulgação foi oficializada um mês após um documento ter sido veiculado no site da Nasa e recuperado pelo jornal The Financial Times antes de a agência americana retirá-lo do ar.
Com o anúncio desta quarta, os detalhes da pesquisa ficam públicos para avaliação e contestação da comunidade científica.
A empresa afirma que seu processador 54-qubit chamado Symacore conseguiu realizar em 200 segundos um cálculo que o supercomputador mais poderoso do mundo demoraria 10 mil anos.
Esse processador, segundo o Google, é composto de uma grade bidimensional em que cada qubit (a unidade básica de uma informação quântica) está conectado a outros quatro qubits.
“O chip possui conectividade suficiente para que os estados do qubit interajam rapidamente em todo o processador, tornando o estado geral impossível de emular de forma eficiente com um computador clássico.”
A IBM, concorrente na disputa quântica, contestou o marco alegando que o termo supremacia quântica está sendo mal interpretado. Disse que “uma simulação ideal da mesma tarefa pode ser realizada em um sistema clássico em 2,5 dias e com uma fidelidade muito maior”, contrariando os 10 mil anos citados pelo Google.
Nesse ponto específico, a IBM diz que o Google “falhou em explicar totalmente o amplo armazenamento em disco” ao estimar quanto tempo o computador tradicional levaria para realizar o cálculo.
Supremacia quântica é um termo disseminado na comunidade científica nos últimos anos, mas a IBM o atribui a um físico da companhia, que descreve a supremacia como o ponto em que os computadores quânticos podem fazer coisas que os clássicos não conseguem -limite esse que não foi atingido, segundo ela.
Enquanto a computação tradicional, baseada na física normal, usa o sistema binário para representar a matemática, o sistema quântico tem representação diferente que permite processamentos que o computador tradicional não consegue fazer.
A computação tradicional controla eletricidade para poder representar informações matemáticas e usa circuitos lógicos. Ao invés de controlar a eletricidade, a quântica controla o spin dos elétrons.
Essa área computacional é teorizada desde que existe a física quântica, mas só na última década registrou evolução para aplicações úteis, como a resolução de cálculos. A computação quântica ainda está restrita à área de pesquisa, mas poderá beneficiar especialmente a área militar, que já trava corrida nesse sentido.
Em entrevista a uma publicação do MIT (Massachusetts Institute of Technology) nesta quarta, Sundar Pichai, presidente do Google, fez uma analogia da conquista da companhia aos primeiros aviões. “O primeiro avião voou por apenas 12 segundos, então não havia aplicação prática para isso”, disse. “Mas mostrou a possibilidade de um avião realizar um voo.”