Dilma Rousseff, Marina Silva, Aécio Neves

Qual a importância eleitoral dos movimentos LGBT no Brasil? Quantos são os eleitores que essa fatia de brasileiros votantes pode apresentar como elemento forte para convencimento dos candidatos a Presidente da República?

E do ponto de vista de mercado, qual é o PIB dos gays e lésbicas e transgêneros?

No mundo da política, os movimentos GLBT têm importância?

Tudo indica que sim, pois os gays já são bem acolhidos em suas manifestações de apoio.

Vejamos: essa corrente da sexualidade humana foi manifestar à presidenta Dilma Rousseff, em São Paulo, segunda-feira, através de suas associações, apoio à reeleição de Dilma.

E Dilma mostrou-se aberta a eles, condenando qualquer gesto homofóbico.

Foi clara: a questão da união homoafetiva está definida pelo STF e, por isso, tem de ser cumprida.

2 – A QUEM INTERESSA

Respostas precisas para as perguntas acima devem interessar muito aos coordenadores das campanhas, aos marqueteiros políticos, assim como às agências de publicidade, estas sempre ansiosas na conquista novos nichos de mercado para seus clientes; ou, de, pelo menos, terem uma visão o mais correta possível de quem compõe o dito mercado.

Nos Estados Unidos há estimativas sobre esse mercado gay (realidade que não serve para o Brasil, a começar porque, nos States, os membros do LGBT saem cedo do ‘armário’).

Na verdade, poucos deles, lá, mantêm a chamada vida dupla, dadas as enormes franquias com que sempre dispuseram no país para viverem a sua sexualidade. Especialmente a partir de 1974, quando a Associação Médica Norte-Americana deixou de considerar homossexualidade como doença ou desvio comportamental.

Essa posição, claro, gerou e gera enormes reclamações e protestos do mundo religioso. Especialmente o chamado evangélico.

Nos domínios da Igreja Católica há explícita manifestação do Catecismo Católico (criado com João Paulo II): os homossexuais devem ser fraternamente acolhidos; no entanto, “devem ser manter castos…”

O Papa Francisco tem-se mostrado extremamente sensível aos reclamos daqueles gays que se manifestam “alijados da comunhão da Igreja”.

3 – SERIAM 10% DA POPULAÇÃO?

Muitos americanos que avaliam a questão – especialmente cientistas sociais e publicitários, além de outros membros da academia – admitem: a população homossexual do país ‘deve compreender 10% da população’.

Sofrem, no entanto, muitas contestações em função desse percentual, algumas delas partidas de sexólogos e/ou estatísticos.

Esses 10% são considerados “chutes” por outra parte dos analistas. E explicam eles que o Relatório Kinsey não quis explicitar esse número, quando recolheu uma pequena amostra da população sobre práticas homossexuais. Alegam os que contestam essa “verdade repetida à exaustão”, que a amostragem foi feita com prisioneiros e criminosos sexuais em penitenciárias, longe, pois, de representar a “alma americana”.

A esse percentual dos 10% chega-se sempre tomando por referência em alguns estudos científicos de sexologia, como o paradigmático Relatório Kinsey.

4 – UM MERCADO IMPRESSIONANTE

Nos Estados Unidos são milhares as empresas que acentuam seus serviços voltados ao mundo homossexual. A fatia mais expressiva deve ser a do mundo do turismo. Mesmo assim, os eventuais números desse mercado variam muito, dependendo de quem os cita. Para uns, andariam em entre US$ 485 bilhões e US$ 647 bilhões.

No Brasil, esse público gay pode representar gastos elevados. Alguns arriscam, estimando-os em R$ 150 bilhões/ano. Mas só estimativa.

Em 2012 a renda salarial média dos gays norte-americanos seria de US$ 3 mil, enquanto que o salário mensal médio da população em geral, US$ 1.200.

5 – DEFINIÇÕES POLÍTICAS

Segundo a campanha de Dilma, em noticiário ontem distribuído, a presidente disse aos membros de grupos GLBT que foram lhe emprestar apoio, em São Paulo: “Eu já disse que o meu governo e eu, pessoalmente, tanto pública quanto pessoalmente, sou contra a homofobia. E acho que o Brasil atingiu um patamar de civilidade que nós, a sociedade brasileira, o governo, todos nós, não podemos conviver com processos de discriminação que levem à violência”, reafirmou a presidenta Dilma.

Ao reafirmar sua opinião de que a homofobia deve ser criminalizada, a presidenta Dilma lembrou que todos os princípios de igualdade de direitos foram incorporados ao Funcionalismo Público Federal.

Outros candidatos são visceralmente contra o mundo gay, como o Pastor Everaldo e Levy Fideliz. Este acabou comprando encrenca com o deputado Jean Willis por declarações supostamente homofóbicas por ele feitas. Marina, que pertence a ramo evangélico fundamentalista (um braço das Assembleias de Deus), toma posição claudicantes sobre o tema. Por vezes se coloca contra a homofobia e a favor do casamento gay. Depois, pressionada por parte de sua grande base de seus eleitores, os evangélicos, volta atrás.

Aécio fica nos mesmos limites de Dilma: diz que o assunto casamento homoafetivo está resolvido pelo Supremo, e que condena violências contra os gays.

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OPINIÃO DE VALOR

COMO MUDAR A IMAGEM

Requião construiu ser dono de atitudes autoritárias, impositivas, imperiais.

Jonathan Campos-Gazeta do Povo
Delcio Rasera

A propósito das ligações do policial Délcio Rasera com Roberto Requião, de quem foi assessor especial no Palácio Iguaçu, a coluna transcreve artigo de Celso Nascimento, 2 de outubro de 2006, sobre o assunto ontem aqui abordado:

“A imagem construída por Requião ao longo de sua trajetória política foi a de um político dado a atitudes autoritárias, impositivas, imperiais.

Para muitos, tal comportamento não era defeito, mas virtude. Tanto que se elegeu deputado em 1982, prefeito em 1985, governador em 1992, senador em 1994 e novamente governador em 2002. Encarnava a figura do político autêntico, veraz, corajoso – artigo raro na política brasileira.

Graças a essa imagem – a de King Kong das araucárias – foi que se elegeu governador em 2002. Apresentou-se ao eleitorado como homem capaz de realizar promessas, de transformar em realidade alguns dos anseios da população.

Roberto Requião

A antológica promessa de “baixar ou acabar” com o pedágio foi uma das mais vistosas e eleitoralmente mais decisivas de suas promessas.

Quatro anos após, depois de tantas vezes martelada na campanha a ideia de que não podia tanto quanto prometia, Requião perdeu a capacidade de embalar suas novas promessas com a capa da segurança de que iria cumpri-las. E, como se sabe, não há nada pior do que isso para um candidato que se apresenta como o único com condições de propor, realizar sonhos e arregimentar simpatias.

Sucumbiu também a imagem do déspota esclarecido, substituída pela do truculento. Nesse sentido, pode ter-lhe sido fatal, por exemplo, sua tentativa de calar a imprensa, intimidando-a com pedidos de censura prévia e com a quebra do sigilo telefônico de jornalistas. O que certamente reforçou a crença de que – por que não? – poderia estar envolvido com as traquitanas de grampo de um de seus assessores, o policial Délcio Rasera, outro fator que lhe desgastou na reta final.

Como se livrar dessa imagem no segundo turno?”

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Lançamento do livro Vozes do Paraná 6

Confira abaixo como foi o evento de lançamento do livro Vozes do Paraná 6

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