O grupo de países líderes, reunido neste fim de semana no Japão, elegeu o crescimento como fator principal para superar os riscos de estagnação que rondam blocos e continentes. Governantes das principais nações em dimensão do PIB – Brasil incluso – avaliaram que para corrigir os desafios e voltar a crescer, o mundo precisa evitar a escalada de tensões entre competidores e rivais, ao lado de medidas para fortalecer o sistema econômico.

Análise

No Brasil crescem demandas, sobretudo junto ao Banco Central, que revertam a estagnação que se arrasta desde as eleições, ainda sob o governo Temer. Um pequeno alívio foi a liberação de recursos do deposito compulsório, porém persistem taxas abusivas na concessão de crédito pelo sistema bancário. Para obter redução substancial desses “juros medievais” a solução começa pela abertura do mercado financeiro hoje concentrado em cinco grandes bancos, via cooperativas, fintechs e similares.

 

REFORMAS PARA CRESCER

O Brasil é país complexo, com territórios economicamente descontínuos, alta desigualdade e baixa coesão social, além de fragmentação partidária e indefinição do raio de ação dos poderes e instâncias políticas. Tais fatores explicam a dificuldade de reformas aceleradoras do crescimento, avalia o economista Marcos Mendes, autor de livro sobre o tema. Roberto Mangabeira Unger, brasileiro que leciona na Universidade de Harvard, ajunta: reformas não devem servir “para aplacar interesses do mercado financeiro”, o ajuste é ato de independência para construção do desenvolvimento.

 

INCORPORAR PESSOAS

Para o professor José Pio Martins, entre os aspectos que afetam o crescimento se destacam “o gigantesco desperdício da força de trabalho” e “a desastrosa estrutura do gasto público”. Discorrendo sobre as medidas necessárias “para consertar o país”, Pio salientou que “o Brasil precisa aumentar a produtividade e incorporar os que estão fora do mercado”. Essa equação, em conjunto com a elevação da taxa de investimento, pode elevar o padrão de vida médio da população.

SEM UMA CRISE

Em sua exposição perante o grupo de líderes empresariais LIDE Paraná, o professor José Pio avaliou ainda que o cenário nacional apresenta uma crise tríplice: econômica, política e jurídico-moral. Mas, embora enfrentando dificuldade para a retomada, o país evite o colapso porque – à diferença de ciclos anteriores – desta vez fomos poupados das crises cambiais do passado.

ANÁLISE

Por isso as possibilidades de ajuste para o país voltar a crescer, gerar empregos e melhorar a renda estão presentes. Após hesitação inicial e turbulência a reforma-chave da previdência social está encaminhada e outras, de sentido microeconômico assomam: desbravamento dos negócios via desburocratização e simplificação (MP da Liberdade Econômica), redução da taxa básica de juros e autocontenção dos principais atores do campo político.

ANÁLISE (II)

A esta altura, articulada a aprovação da matéria previdenciária na Câmara ainda na passagem do semestre, o peso das mudanças vai em direção ao Conselho Monetário e Banco Central. Consenso predominante: o Banco Central já reuniu autoridade suficiente para assegurar estabilidade de preços, podendo “modular a variação dos ciclos econômicos” com queda programada dos juros livres. A citação remete ao presidente do BC, Campos Neto, ao aceitar responsabilidade do órgão pelo nível da atividade.

 

TALENTOS AJUDAM

Conferir densidade ao protagonismo recém-adquirido. Para obter esse resultado o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, se cerca de especialistas do mundo acadêmico, como o economista Bernardo Appy (assessora a reforma tributária); Marcos Lisboa (medidas que destravem a atividade empresarial); Samuel Pessoa, no ajuste estrutural, etc. Segundo o presidente da Câmara, a legislação sobre o teto fiscal, aprovada na gestão do presidente Temer, teve suporte de outro respeitado economista – José Márcio Camargo. Paulo Tafner, da USP, deu a base para a Previdência.

Análise

A posição dos dirigentes do Congresso (Maia e seu colega do Senado, David Alcolumbre), reflete nova era de maturidade nas relações entre governo e universidade. “São técnicos respeitados que colaboram de forma voluntária no “aggiornamento” do Brasil – explica o líder parlamentar. Marcos Lisboa, por ex., propõe medidas de microeconomia que dispensam reforma constitucional; complemento à equipe técnica levada ao Executivo pelo ministro Paulo Guedes.

 

COMPLEXIDADES

Evento na Associação Comercial do Paraná discutiu a complexidade das relações atuais, evidenciada no arrastado processo do “Brexit” – saída do Reino Unido da União Europeia. Adam Patterson, cônsul britânico no Paraná, explicou: seu país sempre buscou manter certa distância do continente e usar essa liberdade para negociar com outros mercados. A vice-cônsul de Portugal, Susana Pereira, situou que o país aprimorou a diplomacia para assegurar presença competitiva no mundo.

Análise

Ambos os países se destacam no cenário pela solidez de relações históricas, que remontam a um longo passado, laços que tiveram influência no Brasil. Com lições que nos aproveitam: na Inglaterra as tradições de liberdade política desde a Magna Carta no ano de 1215; Portugal, pela persistente ênfase na modernização da base produtiva, após seu ingresso na União Europeia.

Reunião da API

Nesta sexta-feira, dia 28, a Associação Paranaense de Imprensa reúne seus membros para uma sessão especial: prestar homenagem póstuma ao jornalista Bernardo Bittencourt, seu ex-presidente e presidente do Conselho e empossar o jornalista João Formighieri, também ex-presidente, na presidência de seu Conselho Deliberativo, cf. determina o estatuto social.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas;

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR