Jacob Rosenbloom, CEO da LEVEE

Quando falamos em tecnologia aplicada a empregabilidade, há duas vertentes que entram em debate. Há uma parcela da sociedade que acredita que a inteligência artificial irá tomar o lugar da força de trabalho humana e outra vertente que acredita que a inovação e a tecnologia podem ser aliadas do profissional neste cenário de evolução constante em que vivemos.

Creio que a tecnologia não irá destruir os empregos atuais. Ao contrário, diante de um futuro de mudanças e incertezas percebemos que é, justamente, ao apostar no uso de tecnologias como o machine learning, que as empresas podem alavancar os negócios.

A velocidade das mudanças traz a necessidade de uma maior dinamicidade no mercado de trabalho. Por isso, do que se pressupõe, a influência da inteligência artificial tende a colaborar para a geração de empregos, e não na eliminação deles. É o que afirma a agência Gartner de pesquisas. Segundo ela, até 2025, a inteligência artificial será responsável pela criação de até 2 milhões de postos de trabalho nos mais diversos setores, desde saúde, educação e governo até as manufaturas.

A necessidade de reinvenção não está apenas na execução dos cargos de trabalho, mas também no uso da tecnologia para criar formas de contratação mais assertivas e que gerem uma maior capacidade de retenção. Como fazer isso? Na maioria das vezes a resposta para esta pergunta está nos indicadores do próprio negócio e nas áreas de contratações das empresas.

Em 2018 a Fundação Getúlio Vargas realizou uma pesquisa que apontou o Brasil nas últimas posições no ranking de produtividade no mundo, tendo como causas o absentismo, altos índices de turnover e motivos pessoais, como distância percorrida no trajeto para o trabalho e trocas de meios de transporte como principais causas da improdutividade da mão de obra operacional.


Para lidar com essas questões, uma tendência é o uso da tecnologia para melhorar a eficiência e eliminar processos manuais, burocráticos e suscetíveis a um viés inconsciente. Com o machine learning aplicado ao RH, por exemplo, é possível ir além da gestão digital de currículos e agendamento de entrevistas para contratações e a tecnologia também pode ser uma ótima aliada em outras atribuições do departamento de recursos humanos.

Com o uso de algoritmos especializados, o departamento de R&S, pode ser otimizado, o que torna o processo mais ágil, eficiente e assertivo.

Acredito que ainda estamos longe da guerra entre máquinas e humanos que vemos nos filmes de ficção científica, e muito provavelmente isto nunca acontecerá. É possível criar um cenário em que a inovação seja aliada da força de trabalho e cada vez mais esta se torna uma perspectiva real. A ciência de dados torna-se a cada dia mais acessível para não especialistas gerando impactos altamente positivos para economia mundial e principalmente para países que possuem economias em desenvolvimento, como o Brasil.

Sobre Jacob Rosenbloom

Jacob Rosenbloom é CEO da LEVEE. Formado em engenharia pela Universidade de Stanford e com MBA pela Wharton School, na Universidade de Pennsylvania, é especialista em Inteligência Artificial e Produtividade Empresarial. Anteriormente, também atuou como executivo do banco Goldman Sachs e Endeavor na América Latina, além de ajudar na estruturação de outras empresas de base tecnológica. Em nome da LEVEE, foi reconhecido recentemente pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) como referência na América Latina pelo desenvolvimento de Tecnologia Acessível para o Futuro do Trabalho.