EDUARDO SODRÉ
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – A fusão dos grupos FCA Fiat Chrysler e PSA Peugeot Citroën cria a empresa mais diversificada da indústria automotiva. As marcas envolvidas somam cinco nacionalidades diferentes: Alemanha, Estados Unidos, França, Inglaterra e Itália. Há ainda as associações com as chinesas Dongfeng (PSA) e GAC (FCA), além de parcerias pontuais com as japonesas Toyota e Mitsubishi.
A união dá aos envolvidos um novo horizonte para a eletrificação. Os grupos não tinham até então divulgado planos sólidos para atender às reduções de emissões que tornam os carros híbridos e elétricos fundamentais para as montadoras.
Em fevereiro de 2018, Carlos Tavares, presidente do grupo PSA, confirmou que a empresa desenvolvia uma linha própria de veículos elétricos. Na época, o executivo mostrou preocupação com os custos envolvidos e a falta de respostas para três problemas: reciclagem de baterias, prazo para retorno dos investimentos e uso político das regras ambientais.
Ainda não há soluções definitivas, mas os grupos que agora se unem não podem mais ficar para trás. As outras três gigantes globais fizeram avanços recentes nessa área.
O grupo Volkswagen transforma fábricas de transmissões em unidades produtoras de baterias. A empresa alemã apresentou em setembro seu primeiro carro elétrico a ser produzido em grande escala, o ID3.
A Toyota anunciou durante o Salão do Automóvel de Tóquio que, enfim, terá veículos movidos 100% a eletricidade em seu portfólio.
O vice-presidente da montadora japonesa, Shingeki Terashi, admitiu que a empresa perdeu tempo: “Não acho que estejamos atrasados em termos de tecnologia, mas realmente não temos carros elétricos à venda.”
A Aliança Renault Nissan Mitsubishi é a mais adiantada nessa área. Além de oferecer o Leaf, modelo mais vendido entre os elétricos, já desenvolve utilitários com tração integral que não queimam combustível. O lançamento está previsto para 2020.
NA PSA, o primeiro modelo elétrico de volume é uma versão do Peugeot 208, que chegou recentemente ao mercado europeu. Esse carro será produzido na Argentina a partir do próximo ano, mas ainda não se sabe se a opção que pode ser recarregada na tomada será montada na América do Sul. Há também uma fábrica no Brasil, em Porto Real (RJ).
A FCA tem feito grandes investimentos globais, mas sua força está na marca Jeep. Esse é outro problema enfrentado pelas empresas envolvidas na fusão: a falta de representatividade global.
As francesas estão fora do mercado americano e a Fiat só é de fato forte na América Latina e na Itália. A Opel, que pertencia à General Motors e hoje é o braço alemão do grupo PSA, só tem representatividade na Europa.
A marca mais reconhecida é a Jeep, que se beneficiou do crescimento mundial nas vendas de utilitários esportivos.
Com a fusão, há uma nova chance de se expandir e acompanhar as líderes. Carros Toyota, Volkswagen e Nissan estão presentes em todos os grandes mercados.
Montar veículos em parceria não é novidade para FCA e PSA. A produção em conjunto ocorre na Itália desde a década de 1980. São modelos voltados para uso profissional, a exemplo das vans Fiat Ducato, Citroën Jumper e Peugeot Boxer. São quase Idênticas: há apenas diferenças de acabamento e de logomarcas.
Esses veículos utilitários já foram montados no Brasil. A produção em Sete lagoas (MG) foi encerrada em 2016.