Fundação Louis Vuitton: obra arrojada no bosque famoso de Paris

Outubro marca o quinto aniversário de inauguração (dia 27) do edifício da Fundação Louis Vuitton, em Paris (8, Avenue du Mahatma Gandhi), obra de visual arrojado situada dentro do Bois de Boulogne, o famoso bosque dos arredores da capital francesa, no 16º arrondissement. O projeto, de autoria do arquiteto canadense Frank Gehry (que também concebeu o Museu Guggenheim, de Bilbao, Espanha), encomendado pelo presidente do grupo LVMH (Louis Vuitton Moët Henessy), Bernard Arnault, e que homenageia o estilista Louis Vuitton, é de visitação obrigatória para as pessoas de bom gosto e que apreciam arte e cultura.

Cada alameda do Jardin d’Aclimatation conduz a cenários surpreendentes

Com as obras iniciadas em 2006 e concluídas em 2014, o prédio de 11.700 metros quadrados e 150 metros de comprimento, como consta do seu memorial descritivo remete aos edifícios de vidros dos jardins do século 19. “Compreende um conjunto de blocos brancos (conhecidos como ‘icebergs’) vestidos de painéis de concreto reforçado com fibras, cercado por doze imensas ‘velas’ de vidro, apoiadas por vigas de madeira. As velas dão ao projeto a sua transparência e sentido de movimento, permitindo que a construção retrate a água, bosques e jardins, e que mude continuamente com a luz”. São mais de 3.600 painéis de vidro e 19 mil de concreto, instalados com auxílio de técnicas matemáticas e moldados utilizando-se robôs industriais avançados.

Logo ao chegar, o visitante se depara no saguão principal com a escultura de uma rosa gigante, após o que estão a livraria e o café-restaurante. O ingresso, que custa 14 euros, dá direito a visitar o Jardin d’Aclimatation, imensa área verde do Bois de Boulogne com espaços e atividades para adultos e crianças, restaurantes, café, cascatas, jardins temáticos, zoológico, teatro, entre outros. O lugar, em dias ensolarados, se transforma numa espécie de praia do parisiense e cenário de piqueniques. Cada alameda conduz a um lugar surpreendente. O Jardim, com a assinatura do engenheiro Jean-Charles Alphand e do arquiteto Gabriel Davioud, foi inaugurado em 1860 por Napoleão III, à época do prefeito de Paris barão Georges-Eugène Haussmann, considerado “um gigante do urbanismo”.

O piso inferior e os superiores da Fundação Louis Vuitton acolhem exposições de artistas dos mais variados estilos, manifestações artísticas, eventos, auditório e a coleção permanente da Fundação. Uma verdadeira obra de arte abrigando obras de arte. As grandes exposições duram meses, como a recém encerrada do japonês Yayoi Kusama – Infinity Mirrors -, à qual eram admitidas apenas quatro pessoas por vez, todas reproduzidas ao infinito na sala de espelhos com piso recheado de elementos coloridos.
O terraço da Fundação Louis Vuitton descortina uma vista diferente da Paris tradicional, trazendo ao olhar do visitante, entre outros pontos, os prédios de La Défense, no prolongamento de avenida Champs Elysées, uma espécie de ‘bairro novo’ da cidade, que abriga um centro financeiro.

Uma vista diferente de Paris do terraço da Fundação

A Fundação abre nas segundas, quartas e quintas, das 12h às 19h; nas sextas, até às 21h; sábados e domingos, das 11h às 20h. Para chegar, um dos meios de transporte é a navette (micro-ônibus elétrico), que sai de 15 em 15 minutos do ponto junto ao Arco do Triunfo, na esquina da avenue de Friedland com rue de Tilsitt, próximo à saída do metrô. Custa dois euros ou um euro para os portadores de ingressos ao museu, que podem ser adquiridos no local ou pela internet. (Júlio Zaruch)