A Ford já confirmou que a produção do Focus vendido atualmente no mercado nacional

EDUARDO SODRÉ / FOLHAPRESS

A quarta geração do utilitário esportivo Escape é a grande aposta da Ford neste ano, com planos futuros que incluem o Brasil.
O modelo apresentado nos EUA deve chegar ao país até 2021 para marcar uma nova fase da empresa, que neste mês completa cem anos de atuação no mercado nacional.
O lançamento ocorre na Greenfield Village, propriedade que abriga o Museu Henry Ford, na cidade de Dearborn (Michigan). Há fanfarra e bailarinos fazendo coreografias ao redor dos carros, show típico da indústria automotiva americana.
O novo Escape é bem diferente dos demais utilitários da Ford, que seguem um estilo mais “quadrado”. A dianteira é alongada, e o capô tem uma curvatura que remete ao Porsche Macan. Embora pareça compacto, o espaço interno surpreende.
O banco traseiro corre sobre trilhos. Mesmo na posição mais avançada, uma pessoa com 1,80 m de altura consegue se acomodar sem que seus joelhos encostem no assento da frente ou sua cabeça raspe no teto.
O quadro de instrumentos digital e o mostrador de 12 polegadas do sistema multimídia podem ser configurados ao gosto do dono. Ruth Vann, supervisora de interface homem-máquina na Ford, diz que o hardware é o mesmo utilizado no esportivo Mustang.
Deve ser difícil prestar atenção na estrada diante de tantas luzes e animações projetadas nas telas, o que torna ainda mais importante o trabalho de Chet Hearn. Ele é o responsável pelas tecnologias de assistência à direção.
Hearn explica que o novo Escape tem sistema de frenagem autônoma capaz de parar o carro em caso de colisão ou atropelamento iminente. O utilitário também consegue trocar de faixa sozinho para evitar um acidente.
Para que essas manobras por conta própria ocorram em segurança, há duas câmeras e 17 sensores que monitoram o trânsito ao redor do carro.
A instalação desses recursos de segurança só foi possível com a adoção de uma nova plataforma modular. Essa tecnologia de construção permite montar veículos de diferentes tamanhos e segmentos sobre uma mesma base, o que reduz custos de produção.
A versão mais potente do Escape tem motor 2.0 turbo de 253 cv, movido a gasolina. Abaixo desse está o 1.5 Ecoboost, igualmente turbinado (183 cv). Há também uma opção 2.5 híbrida (200 cv) que pode rodar no meio urbano consumindo apenas energia elétrica.
Não é possível dirigir os carros exibidos na Greenfield Village, mas dá para ocupar o assento do motorista e fazer os ajustes necessários.
O Escape “veste bem”: sua posição ao volante lembra a do Focus, modelo que já tem uma nova geração na Europa -e cujas linhas são bem semelhantes às do novo utilitário.
A relação entre esses veículos e o Brasil vai além da estética.
A Ford já confirmou que a produção do Focus vendido atualmente no mercado nacional será encerrada em maio. Hoje, o carro é fabricado na Argentina em versões hatch e sedã. Sua vaga na linha de montagem deve ser ocupada por um novo utilitário esportivo, e tudo indica que esse carro será o Escape.
Antes que o utilitário seja feito na América do Sul, unidades deverão ser importadas dos Estados Unidos ou, em um cenário mais favorável, do México. A montadora ainda não divulgou em quais países o novo modelo será produzido.
O que se sabe é que, antes da estreia do Escape, outro jipe de apelo urbano chegará ao país. A marca americana faz os ajustes finais para importar o chinês Territory, que foi exibido na edição 2018 do São do Automóvel de São Paulo. Sua estreia no mercado nacional deve ocorrer no fim deste ano.
Rogelio Golfarb, vice-presidente da Ford América do Sul, diz que existem diferenças de porte e acabamento entre os utilitários que a empresa planeja vender no Brasil. Por isso, podem ser posicionados em nichos diferentes de mercado.
Os novos jipes de luxo concorrerão com Jeep Compass (a partir de R$ 114 mil), Volkswagen Tiguan (R$ 129 mil), Chevrolet Equinox (R$ 149,9 mil), Toyota RAV4 (R$ 150 mil) e Peugeot 3008 (R$ 161 mil).
Mas apesar de ter convidado meios de comunicação para conhecer o novo Escape em sua cidade-sede, a Ford não confirma datas de lançamento ou planos futuros. No momento, a maior preocupação da empresa é o rumo das negociações para venda da fábrica de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo).
O maior interessado é o grupo Caoa, que hoje produz carros de passeio em Jacareí (interior de São Paulo) e Anápolis (GO). As negociações estão avançadas, embora ainda não haja um contrato assinado entre as fabricantes.
O que se sabe é que a Ford do Brasil vai focar seu negócio no segmento de carros de passeio e utilitários. Da parceria com a Volkswagen, nascerão a nova geração da picape Ranger e também uma opção compacta para disputar mercado com Fiat Toro e Renault Duster Oroch.
A produção nacional será concentrada em Camaçari (BA), de onde saem os modelos Ka e EcoSport, campeões de venda da marca americana.
*O jornalista viajou a convite da Ford