O Ministério Público Estadual procurou o doleiro Alberto Youssef, preso pela Operação Lava Jato, para pedir colaboração sobre investigações antigas e recentes que vão de corrupção e desvio a lavagem de dinheiro. Quer depoimentos de Youssef sobre crimes que teriam sido praticados por figuras eminentes da vida pública paranaense. Alguns já no ostracismo. Outras na ribalta do governo atual.

Tanto o Ministério Público Federal, quanto a Polícia Federal, apoiam e aceitam a formação de uma força tarefa integrada com o Ministério Público Estadual para investigar. Alberto Youssef, ao que parece, é uma fonte inesgotável de informações.

Alerta do TCE

O funcionalismo, especialmente os professores que exigem aumento, não está nem aí para a lei e os limites que impõe. Pois, pois, o Tribunal de Contas do Estado alertou o governo Beto Richa sobre o excesso de gastos com pessoal no segundo quadrimestre do ano passado. O valor da folha de pagamento representou 48,38% do orçamento do Paraná, no limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

Além do possível

O secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, diz que entre 2011 e 2014, a folha de pagamento de pessoal do Estado subiu muito além da arrecadação. A folha de pagamento saiu de R$ 10,8 bilhões em 2010 para R$ 18,8 bilhões no ano passado. “São 74% a mais de despesas, muito mais do que cresceu a receita”, explica.

Murchou

É evidente que o movimento dos professores, conduzidos pela APP-Sindicato, CUT , PT e assemelhados, murchou. A passeata de sexta feira, prevista para ter 100 mil nas ruas, não passou de cinco. Mesmo assim, a tigrada bate o pé e exige o que quer. E o que quer não é possível ao governo dar.

Lista do André Vargas

A Polícia Federal apreendeu no computador pessoal do ex-deputado André Vargas (ex-PT-PR) uma planilha com as empresas suspeitas de pagar propina ao político desde dezembro de 2011, durante seu mandato, e até 28 de março de 2014, onze dias depois da Operação Lava Jato. No total, 193 empresas pagaram à LSI Solução em Serviços Empresariais Ltda, de Vargas, um total de R$ 3,170.292,02.

Paranóia

O clima na Polícia Federal está, mais do que nunca, de pura paranóia, desde que novos grampos foram descobertos na Superintendência do Paraná.Muitos delegados e agentes têm evitado falar no celular ou por e-mail. Já houve inclusive quem, durante uma conversa, suspeitasse estar sendo gravado por um agente.

Pornô

O deputado João Rodrigues (PSD-SC), notabilizado por assistir a um vídeo pornô na sessão da reforma política, foi incluído em grupo do baixo clero no Whatsapp que mistura conversa política e outros filmes do gênero.

Gente graúda

Ninguém mais está fora do alcance de um interrogatório. Além de 41 pessoas que já foram convocadas para prestar depoimento na CPI do CARF, há em exame pedidos de convocação mais uma leva de gente graúda. Eis alguns exemplos: Rossano Maranhão, presidente do Banco Safra; Luiz Moan Yabiku Junior, presidente da ANFAVEA; Antonio Maciel Neto, ex-Caoa, atual presidente da Suzano; André Brandão, presidente do HSBC; e Jesús Zabalza, presidente do Santander Brasil.

O “ministro” Rocha Loures

O ex-deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) não é ministro de Dilma, mas ocupa uma sala de ministro e tem sido chamado assim por vários interlocutores que o visitam no gabinete em que Michel Temer o instalou no Palácio do Planalto. Nada menos do que o gabinete que os ex-ministros das Relações Institucionais (Ricardo Berzoini, Ideli Salvatti e etc.) já ocuparam. Loures, que não se elegeu em outubro passado, é uma espécie de número dois de Temer na articulação política.

Salve FHC

O único ex-presidente que pode circular livremente, sem medo de vaias ou provocações é FHC. Poucas semanas antes de o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega ser hostilizado no restaurante Aguzzo, em Pinheiros, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ovacionado no mesmo lugar. Clientes aplaudiram de pé o tucano e chegaram a formar fila para “selfies” com ele, chamado por alguns de “meu presidente”. Mantega foi provocado no local no sábado (23) após jantar com a mulher.

Blindagem não funcionou

Procuradores de Brasília e de Curitiba estão com antenas ligadas para as ameaças feitas por três advogados proeminentes da cidade para blindar a senadora Gleisi Hoffmann. A todo custo querem evitar o depoimento do “homem” que entregou o dinheiro ao empresário Ernesto Kugler, a pedido de Alberto Youssef que agiu a mando de Paulo Roberto Costa para atender os interesses do ex-ministro Paulo Bernardo, marido de Gleisi. Tudo isso já está documentado no processo.

A questão pode atingir diretamente a OAB-PR, já que alguns desses advogados ocupam cargos de destaque dentro da instituição. Porém, a investida da trinca não deu resultado. E há desdobramentos que chegam à Brasília. Coisas nossas, do Paraná.

Quase meio bilhão

  1. Hawilla, dono da Traffic, já devolveu US$ 25 milhões em dezembro do ano passado e devolverá outros US$ 151 milhões, quase meio bilhão de reais. A Traffic Sports International e a Traffic Sports USA estão em seu nome. A Traffic brasileira ficou com seus filhos. A rede de jornais Bom Dia do interior de São Paulo e o Diário de S. Paulo foram vendidos em 2013 para a Cereja Comunicação Digital. Hawilla também tem empreendimentos imobiliários na região de São José do Rio Preto e é dono da TV TEM, subsidiária da Globo. Em São Paulo, sua casa, que já pode ter sido transferida aos filhos, ocupa quase um quarteirão, nos Jardins. Quem conhece sua trajetória nos círculos esportivos, acredita que ele conseguirá viabilizar o restante do pagamento.

Na parede

Os procuradores da Lava Jato já obtiveram material suficiente, inclusive alguns enviados pelas autoridades de Mônaco, para que seja pedido o indiciamento de Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras. Ele está encurralado, já imagina que passará longo período na prisão, a menos que seja mais um a fazer delação premiada – e por enquanto, Duque resiste.

Reserva

A presidente Dilma Rousseff negou desentendimentos entre os ministros Joaquim Levy e Nelson Barbosa. E rasgou os maiores elogios aos dois. Para bom entendedor: qualquer incidente de percurso que afete Levy, Barbosa assume a Fazenda. Detalhe: nos tempos de Guido Mantega, a Chefe do Governo despachava diretamente com Nelson, então secretário-executivo da Fazenda. E muitas vezes chegou a pensar em colocá-lo no lugar do italiano.

Aliviada

O Supremo decidiu que eleitos pelo sistema majoritário (senadores, prefeitos, governadores e presidente da República) não são atingidos pela regra da fidelidade partidária, para alivio da senadora Marta Suplicy. Detalhe: um dia antes, Rui Falcão, presidente do PT, havia entrado com ação no TSE para reivindicar o mandato dela. A decisão do STF enterra o processo de cara, mesmo tendo o TSE baixado uma resolução que dizia que mandatos de votação majoritária pertenciam ao partido.

Cama de gato

Com poderes na negociação do ajuste fiscal no Congresso, o PMDB decidiu deixar para a presidente Dilma Rousseff vetar a flexibilização do favor previdenciário. Ou seja: é mais uma manobra para aumentar o desgaste da Chefe do Governo junto ao eleitorado e até junto ao PT, às vésperas do congresso do partido, em Salvador.

Opção conservadora

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) começa a ser visto por muitos políticos como uma das opções dos conservadores para concorrer à Presidência da República. Tucanos, petistas e socialistas estão de olho em suas incisivas posturas contra o governo. Além do mais, com um certo ar de latin lover, Caiado é um dos favoritos do eleitorado feminino, o que dá até para ser avaliado nas redes sociais.

Mensalão, petrolão e cartolão

Dilma, Lula e o PT inteiro apostam agora na CPI da CBF. Ela pode tirar o foco da CPI da Petrobras. O futebol é popular, vai ganhar as mesas de bar. E vai facilitar a aprovação da MP do Futebol, que contraria a bancada da bola. A comissão já tem até apelido no Senado: CPI do Cartolão. Ele está alinhado aos batismos dos escândalos anteriores: mensalão e petrolão.

Bate cabeça

O PSDB da Câmara e do Senado estão batendo cabeça. Há tucanos propondo reuniões semanais entre os líderes nas duas Casas e os presidentes da legenda e do Instituto Teotônio Vilela. Elas ocorriam anos atrás, mas deixaram de acontecer.

Mais pedaladas

A peça jurídica apresentada pelo PSDB e demais partidos da oposição a Rodrigo Janot é bem alicerçada: mostra que houve pedaladas fiscais também em 2015, ou seja, durante o segundo mandato de Dilma Rousseff. Configura que a Chefe do Governo teria cometido improbidade administrativa no exercício de sua função, o que poderia abrir caminho para um pedido de impeachment – e não apenas ação criminal.

Em Israel

Joaquim Barbosa recebe o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Hebraica de Jerusalém. Uma delegação comandada por Jaime Blay, presidente da Câmara Brasil-Israel de Comercio e Indústria e da Sociedade Brasileira de Amigos da Universidade Hebraica de Jerusalém estará lá e seus integrantes serão recebidos pelo presidente do Estado de Israel, Reuven Rivlin. Joaquim Barbosa passará a integrar o hall de personalidades que já receberam o mesmo título, entre eles Bill Clinton, Jean Paul Sartre e o atual presidente do Parlamento Europeu, Martin Shulz.

Nova CBF

Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, que ainda não sabe se está à salvo mesmo, vai contratar a Ernst & Young, empresa de auditoria, consultoria administrativa e gerencial: ele quer modernizar o funcionamento da entidade que comanda e cuja imagem é muito ruim – e piorou ainda mais agora. A idéia seria do empresário João Dória Jr, a quem Del Nero sempre recorre.

Reforço nos bairros

Ex-deputado federal e fundador da Força Sindical, Luis Antonio de Medeiros, que ocupava a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo, será o novo secretário das Subprefeituras da administração de Fernando Haddad. A idéia é ganhar um reforço, de quem tem know-how em camadas mais populares, visando levantar problemas e prometer ação da prefeitura, de olho na campanha de reeleição de Haddad no ano que vem. Medeiros já jogou em várias posições, chegou a disputar o governo paulista e foi aliado de Paulo Maluf. Detalhe: ele estudou em Moscou.

Não veio

Há algumas semanas, J. Hawilla não veio a São Paulo para o casamento de sua filha Renata com Antonio Carlos Mata Pires, da empreiteira OAS, enrolada na Lava Jato. Na época, os mais próximos foram informados de que seu estado de saúde não permitiria viagens. Pelo acordo feito nos Estados Unidos, ele não poderia deixar o país.

Sócio de Ronaldo

  1. Hawilla, em suas empresas lá fora, tem direitos de jogadores e é dono de dois times, o Estoril Praia, em Portugal e o Fort Lauderdale Strikes, da segunda divisão do futebol americano, cujo sócio é Ronaldo Nazário.

Nanicos

Assim caminha a nossa política. O PMDB fez um acordo com o PCdoB. Não daria apoio ao fim das coligações em troca de votos para o distritão. O PT fez um acordo, com outros pequenos partidos, para manter a coligação em troca da derrota do distritão. O PSDB se recusou a buscar qualquer entendimento com propostas próximas de seu voto distrital misto. As grandes legendas se dividiram e se recusaram ao diálogo. Isso ampliou a força dos médios e pequenos na mesa de negociação. Mesmo de costas um para o outro, todos concordavam no final que o processo foi um caos, e que o resultado foi um puxadinho. Eles também concordam que uma nova tentativa de reforma só será viável na próxima Legislatura.

Não reforma

Com a manutenção das coligações e com a cláusula de barreira reduzida ao mínimo, a Câmara fez a não reforma. O sistema eleitoral continuará tal como é hoje, apenas sem a reeleição. Isso ocorreu porque os grandes partidos se recusaram ao entendimento. No caso dos governistas, eles abdicaram dessas mudanças, fazendo acordos com as siglas pequenas em nome da lista e do distritão.

Apelido

As redes sociais já arrumaram um apelido para o escândalo da CBF: depois do mensalão e do petrolão, é a vez do cartolão.

Chico se acha

Entrevista da revista portuguesa “Sábado” a Chico Buarque.

— Não é assustador que um consagrado músico se arrisque a ser um escritor mediano? Não foi o seu caso, mas poderia ser.

Resposta do Chico:

— Há gostos para tudo. Há quem me considere um cantor medíocre. Há quem não goste da minha música e sim dos meus romances. Prefiro ser bonitão.

Lusitana

Aliás, a  “Sábado”, apesar do nome, sai às quintas. Em Portugal, faz sentido.