Filme imperdível: Adoráveis Mulheres

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Lembra de Winona Ryder no oscarizável filme de 1994? Pois a nova versão do livro Mulherezinhas, que deu fama mundial para Louisa May Alcott (1832-1888) continua adorável. Também dirigido por mente feminina, Greta Gerwig (Lady Bird), Adoráveis Mulheres reúne notável elenco feminino – Saoirse Ronan, Eliza Scanlen, Emma Watson, Florence Pugh e, em papel secundário, a inesgotável Meryl Streep. No único papel masculino destacado – Timothée Chalamet.

Diferente da direção linear da australiana Gillian Armstrong, Greta Gerwig, que possivelmente também levará sua versão para a lista de melhores filmes do Oscar 2020, propõe, como roteirista,  uma ágil narrativa de flashbacks e dois finais – um deles é uma surpreendente homenagem tanto à instituição do livro quanto à escritora Alcott.

O forte do filme é justamente esse roteiro com uma ágil montagem e a forte pincelada nos diálogos que anunciam os primórdios da luta feminista (cuja liberação se arrasta por dois séculos)

Como já se contou em quase uma dezena de versões para as telas, desde a época do cinema mudo, a história se situa durante quatro anos da vida quatro irmãs, da adolescência à maturidade, enquanto o pai delas luta na Guerra Civil e a mãe enfrenta dificuldades financeiras.

O amor entre elas é o fio condutor dos desafios enfrentados com solidariedade, humor e arte, graças principalmente à Jo, personagem que parece dar sorte ao ganhar vida no cinema – caso de Katharine Hepburn, Winona Ryder e Saoirse Ronan, indicada ao Globo de Ouro e cotada para a lista do Oscar 2020, cujas indicações serão anunciadas nesta segunda-feira dia 13.

 Jo, alter ego de Alcott, escreve comédias que encena em casa com as irmãs (depois também com o jovem vizinho Laurie/ Timothée Chalamet). Todas elas têm um sonho a realizar, embora a predestinação feminina na época fosse casar, de preferência com homem rico – (ou morrer de fome). Mas Jo quer cortar esse destino: repudia o amor de Laurie para tentar a sorte de escritora em Nova York. Liberdade!

 Curiosidades

 O livro Litlle Women (de 1868) chegou às telas de cinema em 1934, com direção de George Cukor, tendo o título em português de As Quatro Irmãs. E ganhou então o Oscar de roteiro adaptado.

-Katharine Hepburn, no papel de Jo, ganhou o Leão de Ouro de melhor atriz no Festival de Veneza de 1934.

– Levada ao cinema desde 1918, à televisão e à ópera, a história também ganhou uma animação japonesa

– Greta Gerwig concorre a melhor roteiro adaptado na premiação do Sindicato dos Roteiristas de Hollywood; o filme também concorre a melhor produção cinematográfica de 2020 pelo Sindicato dos Produtores.

“Jo é uma menina com nome de menino, e Laurie é um menino com nome de menina”, observa a diretora e roteirista Greta Gerwig em entrevista à revista Vanity Fair. (Questão de gênero bem sutil para os anos 1800?).

-Louisa May Alcott morreu com apenas 54 anos, dois dias depois da morte do pai.