Filme: Brooklyn é noir

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O detetive durão e a loira sexy, a granfinagem e os guetos, o jazz e o sangue, o corrupto e o corruptor, o bandido e o mocinho, o crime e a investigação, traição e honra … e por aí vai a série de dualidades dos inesquecíveis filmes de outrora chamados noir, característica dos policiais de suspense. E essa nostalgia é revivida em Brooklyn: Sem Pai Nem Mãe, longa dirigido, escrito e protagonizado por Edward Norton.

Só um diferencial: o investigador particular Lionel (Norton) não é nenhum galã e padece de tiques e toques típicos da síndrome de Tourette, distúrbio psiconeurológico que atinge 0,6% da população do planeta.

Ah, ele tem também uma memória assombrosa. Mas é aí que a plateia fica nervosa: logo nos primeiros diálogos se tem o mapa da solução do crime (a morte de Frank Minna, elegantemente interpretado por Bruce Willis), mas nosso detetive só vai se lembrar nos minutos finais do filme de duas horas e meia de duração.

 

 

 

Já que Bruce Willis foi citado, seguem dois outros astros vivendo papéis significativos: Alec Baldwin e Willem Dafoe. E já que se falou em elegância, o figurino remete à década de 50, época dos acontecimentos. E é impecável.

Elenco e roteiro sustentam o filme, o lançamento da semana. Mas, quem acha que político dos Estados Unidos é incorruptível, pode se decepcionar. Quem conhece o escândalo imobiliário da modernização de Nova York sustentar um sorriso no canto da boca. E qualquer semelhança com o racismo de Trump não há de ser mera ficção.