FIEP E PEDÁGIO LEVADO A SÉRIO

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            Pedágio no Paraná é assunto que rende mais que bagre depois da chuva. A turma do contra, aqueles 25% da curva de Gauss que são contra o que quer que seja, no princípio era radicalmente contra o pedágio, mas com o passar do tempo e diante da evidência de melhor trafegabilidade, passaram a ser apenas contra o exorbitante valor da tarifa.

            Para candidatos, de vereador até governador, o tema do pedágio é um prato cheio. Antes das eleições o discurso é de que ou se baixa a tarifa ou se acaba com o pedágio, refrão utilizado por um governador que se reelegeu às custas dessa e de outras bravatas. Depois das eleições o normal é portar-se como a famosa figura do leão da Metro Goldwinger, o leão gatinho que antes de começar o filme dá dois rugidos e o resto, depois, é só fita, só película.

            Mas não são só os políticos que fazem desse tema seus cavalos de batalha, são também dirigentes de sindicatos, de cooperativas, de associações de classe, “ongues” e por aí afora, que na falta de pauta enveredam pelos mais diversos argumentos, via de regra tendenciosos, para ao final concluírem que nada do que está aí vai mudar, inclusive respaldado pelo judiciário.

            O que há de novo agora no front, é uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEP, que lança-se no desafio de mobilizar a sociedade para um novo modelo de pedágio. Para não fugir à regra, a FIEP reza a mesma ladainha, a de que “nos últimos vinte anos, o Paraná convive com um modelo de concessão que tem se mostrado altamente prejudicial para a economia do Estado”.

            Em novembro de 2021, terminam os contratos das concessionárias e até lá, é prudente que haja um esforço responsável e isento, ”para que haja uma transição adequada entre o modelo atual e um novo sistema de concessões”. Para isso a FIEP, através do seu Conselho Temático de Infraestrutura, deu início ao cumprimento deu um bem articulado cronograma de oito providências, entre 2017 e 2021 cobrindo os aspectos de engenharia, economia, regulação e jurídica, na perspectiva de que a razão se sobreponha ao voluntarismo.

            Não é a primeira vez que boas intenções como esta sejam manifestadas, mas o passar do tempo se encarrega de relegá-las ao esquecimento. Não é o que se espera que venha a acontecer nesse caso, sob pena de que a FIEP passe a ombrear-se com os tradicionais “cartórios” sindicalistas. .A modernidade dessa entidade, a qualidade de seus profissionais e o compromisso com o Paraná, não merecem e não permitem isso.