O comentário de ontem, sobre a validade da medida a ser votada no STF, proibindo a doação em campanhas por parte de empresas, como sempre acontece quando temas controversos são expostos, encheu a caixa postal da coluna. A maioria a favor, mesmo aceitando a tese de que o Congresso, omisso em relação ao tema desde 2011, agora vai reclamar da invasão de sua área pelo Supremo. Como repetido igualmente no referido comentário, é uma das muitas medidas que precisam ser tomadas, em todos os níveis, para moralizar a política brasileira. Inclusive e talvez, mais fortemente nas liberalidades da comunicação. A começar pelos compromissos de campanha que são assumidos pelos governantes nos programas eleitorais, produzidos por agências cuja responsabilidade nas afirmações termina no dia seguinte ao da eleição, com a divulgação dos resultados. Na maioria das vezes prevalece o não dito pelo dito. Isto é, a intenção real escondida na promessa. Ainda agora o Brasil vive o oposto do que foi pregado em campanha. A base criada pelo governo de Itamar Franco, posteriormente continuado na mesma linha quando Fernando Henrique deixou de ser seu ministro da Fazenda e ganhou o governo, recuperando a economia a níveis razoáveis, espertamente foi seguida por Lula. Fez mais: aglutinou os programas sociais, a eles dando ênfase e com eles ganhando pontos. No atual, a economia está sendo corroída por erros que o governo insiste em manter. Mesmo quando a presidente aparece em pronunciamentos políticos, como nos comerciais do PT na semana, passa impressão de que lê um texto produzido pelo João Santana que até o Mantega teria dificuldade em aprovar. Vende a imagem de um país sem dificuldades, quando a realidade é outra, num momento em que os que estiveram em crise, começam a se recuperar. Seria mais honesto se afirmasse: Itamar e FHC fizeram, o Lula continuou e este não fez e não fará! O Globo Repórter sobre saúde, que o diga!

Medidas de ocasião

A economia brasileira, eivada de medidas pontuais pressionadas pela conjuntura, acaba ficando na base do “se correr o bicho pega, se parar o bicho come”. Aconteceu com o subsídio (sem IPI) à  indústria automobilística que, se acabar, como anunciado, gerará novas dificuldades. Acontece agora com o aumento da gasolina e do diesel, para salvar a Petrobras do caos, mas impactando o transporte e o agronegócio.

“Quem paga…

Na final das mudanças ocorridas com os aumentos dos combustíveis, do pedágio e as que empresas sérias de transporte se viram obrigadas a absorver por conta da chamada “Lei dos Caminhoneiros”, sofrendo a concorrência desleal das que não a obedeceram, vai sobrar para o consumidor e no caso da exportação de grãos, mais custos para o produtor (8,5% a 10%).

…o pato!”

Para o leitor ter uma ideia, só de pedágio, para o transporte de uma carga de Foz do Iguaçu (muitas vem de Mato Grosso do Sul e Paraguai) a Paranaguá, o custo é de R$ 697,60. Sendo que os contratos, com preços prefixados,  são fechados muito antes do reajuste. Acrescente-se a isso aumento dado ao diesel, no maquinário agrícola e no transporte rodoviário, que responde por 80% do que se movimenta neste país!

Festejando o quê!

A pergunta que cabe: quando o governo vai acordar para a realidade da contra-mão em que quase sempre viveu, em matéria de transporte? Ferrovias, que o país já teve especialmente em São Paulo e hidrovias, num país servido por grandes rios, quando deixarão de ser sonhos! Só existem nas belas previsões de um futuro que nunca chega!

Ao revés:festeja-se novas montadoras de carros e caminhões, numa infraestrutura já comprometida.

Reflexão

Um velho índio descreveu seus conflitos internos: “Tenho dentro do peito dois cachorros. Um mau e outro bonzinho, que vivem brigando entre si”. Perguntado sobre qual vencia as brigas, ele, depois de refletir, informou: “Aquele que eu estou alimentando mais”.