O Museu Guido Viaro vai sediar a mostra Paul Garfunkel – Pintor Viajante, formada por óleos, aquarelas e desenhos do “mais paranaense dos pintores franceses”, o Debret do século XX, segundo Pietro Maria Bardi. Após examinar o acervo da família, Antonio Carlos Suster Abdalla selecionou 70 peças, muitas delas jamais expostas.
O curador explora o caráter itinerante da obra de Garfunkel, que por décadas percorreu o país. No livro Paul Garfunkel um Francês no Brasil, seu autor, o ex-ministro Karlos Rischbieter, conta que o pintor “registrava tudo em cadernos, blocos, folhas soltas. Tudo: pessoas, animais, casas, paisagens, tudo o que lhe aparecia à frente” e que, “com traços poucos e leves, uma espécie de sumiê ocidental, ele captava o seu assunto como se tivesse o poder de uma máquina fotográfica que, por uma capacidade extraordinária, só enxergava e reproduzia o essencial”.
Nascido em Fontainebleau, na França, Paul Garfunkel (1900-1981) chegou ao Brasil em 1927, formado em engenharia mecânica e com a missão de dirigir a filial de uma indústria francesa em São Paulo. O apoio à Revolução paulista custou-lhe o emprego e mudança com a família para Santos, onde começou a desenhar e a pintar cenas do cotidiano.
Em 1936 associou-se ao primeiro de uma série de empreendimentos de pouco sucesso que o levariam a percorrer o interior do Paraná por quinze anos, antes de instalar-se definitivamente em Curitiba, onde ele, a esposa Hélène e a filha Fanchette, que viria a se casar com Rischbieter, tornar-se-iam personagens importantes.
Pintor em tempo integral após morar em Curitiba, deixou um legado que vem sendo revelado em uma série de exposições, com destaque para a mostra Paul Garfunkel – um Francês no Brasil, no Museu Oscar Niemyer, de 2009, e Imagens do Brasil, no Museu Alfredo Andersen, que resultou em um livro publicado em 2014.
Vernissage dia 16 próximo, às 19h30, com visitação das 14 às 18h, até 29 de abril, no Museu Guido Viaro (Rua XV de Novembro, 1348), de terça a sábado. Entrada franca.