Ex-porta-vozes examinam falhas da comunicação oficial federal

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Antonio Luiz de Freitas: não fala; Thomas Trautmann: experiência com Lula e Dilma; Júlio Zaruch: com Lerner, no começo de tudo; Roberto Requião: ‘criador de casos’; Jaime Lerner: senso de marketing; Fábio Campana: apagou incêndios

Está em debate nos meios políticos e entre comunicadores sociais o papel dos porta-vozes no anúncio de decisões dos governos

A Folha de São Paulo, do dia 11, sexta, fez um amplo balanço do tema, em face da quase caótica comunicação do Governo Federal dos últimos dias, marcada por sucessivas afirmações seguidas de posições diametralmente contrárias definidas pelo presidente da República.

A insistência do presidente Bolsonaro em comunicar-se basicamente pelas redes sociais – como fez na campanha, com sucesso -, é apontada, por alguns, como causa desse estado de coisas.

SABEM DAS COISAS

Thomas Trautmann, que é paranaense e foi porta-voz de Lula e Dilma na Presidência, disse, em síntese, que o bom porta-voz tem de prever para prover; deve conhecer bem o pensamento do assessorado e, só em última instância, brigar com a imprensa. A mesma posição foi assumida pelo “histórico” jornalista Ricardo Kotscko, que foi porta-voz de Lula, igualmente defensor das mídias tradicionais e contra os chamados ‘quebra-queixo’, aquelas entrevistas coletivas que os presidentes e governadores dão “em campo aberto”, desorganizadas e responsáveis por muitos ruídos de comunicação.

VISÃO LOCAL

A coluna procurou Fábio Campana, que foi secretário de Imprensa de Álvaro Dias e Roberto Requião, assim como Antonio de Freitas, que foi porta-voz do -governador Jayme Canet.

Campana não foi localizado; Freitas não quis se manifestar; Jaime Lechinski, que foi quase alter ego de Lerner em manifestações culturais, respondeu assim às minhas indagações sobre o papel do porta-voz:

LERNER: MUITO FÁCIL

– Jaime Lerner sempre teve muito tato no relacionamento com a imprensa. Ainda que tivesse certa ansiedade para anunciar programas e medidas, sempre reconheceu a necessidade de se planejar os anúncios e as manifestações de governo. Assim, foram raros os problemas. Sem contar que não havia as chamadas mídias sociais, instrumento de grande valia na comunicação governamental mas também um perigo permanente, como uma bomba ao alcance do toque em um botão.”

Jaime Lechinski foi secretário de comunicação de 95 a 99 do segundo governo de Jaime Lerner no Palácio Iguaçu.

CAMPANA FEZ “MILAGRES”

Lerner foi sempre um bom case de marketing, o que pode ter sido muito útil a Lechinski e Zaruch; mas o certo é que outro jornalista, Campana, por muitas vezes teve de “fazer milagres” para contornar entreveros e rupturas com a imprensa, que foram sempre especialidades de seu assessorado, o então governador e inda senador Requião.

Campana também foi secretário de Imprensa de Álvaro Dias.

AYRTON BAPTISTA

Um dos mais paradigmáticos porta-vozes de governo do Estado foi Ayrton Luiz Baptista, 82, secretário de Comunicação de Haroldo Leon Peres e, depois, de Parigot de Souza.

No governo de Parigot, marcado por dificuldades decorrentes de doença que depois mataria o governador, Airton foi muito eficiente. Foi porta-voz “apagador de incêndios”, com eficiência e muita diplomacia.

Não consegui ouvi-lo: Ayrton se encontra acamado.

LIÇÃO DE ZARUCH

O jornalista Luiz Zaruch, 71, uma das melhores referências entre os veteranos profissionais da imprensa paranaense, defende igualmente que o porta-voz valorize as mídias tradicionais – rádio, televisão, jornal e revista -, e que “a comunicação de governo seja clara, coerente, didática”.

A entrevista com Zaruch tem de ser precedida de explicação, pensando no público mais novo: ele foi o primeiro assessor de Imprensa de Jaime Lerner, quando o ex-prefeito (e modelador da moderna Curitiba) assumiu Prefeitura, em 1971. A posição foi depois assumida por Lechinski.

Da entrevista de Zaruch, seguem trechos:

1) EXISTE RECEITA A SER SEGUIDA POR PORTA-VOZ?

A comunicação dos governos deve ser clara, coerente, didática. E utilizar todos os meios disponíveis. Hoje, temos as chamadas mídias sociais, através das quais proliferam todos os tipos de informação.

Inclusive as falsas. É preciso usá-las com moderação, sobriedade, sabedoria.

Apesar do imediatismo proporcionado pelo Facebook, Instagram, Twitter e assemelhados, há que que se respeitar, e até mesmo se curvar, ao papel histórico dos meios de comunicação tradicionais: jornal, rádio e televisão.

Procurar tê-los como parceiros, mesmo aqueles que exercem severa crítica no dia-a-dia. Suas informações podem ser valiosas para a correção de rumos. Não importa o tipo ou o índice de leitura ou de audiência. Todos têm o seu valor.

2) MÁ COMUNICAÇÃO, AFINAL, É MUITO DANOSA?

No âmbito do governo – assim como da iniciativa privada – a comunicação com o público deve ser uniformizada, exata, de maneira a se evitar desencontros e vai-e-vens, que provocam a perda de confiança.

Sempre defendi, por exemplo, ao meu tempo como profissional da área de comunicação da Prefeitura de Curitiba, que as informações dos diversos setores – secretarias, departamentos – se entrelaçassem, de maneira que todos soubessem do trabalho de todos. E, assim, a equipe ter uma visão coesa do geral da administração.

3) VOCÊ DEFENDE CENTRALIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO OFICIAL?

E é fundamental, básico, que essas informações sejam centralizadas para difusão junto à população.

No caso de uma Prefeitura, os assuntos podem despertar polêmicas, mas poucas vezes grandes crises. E desconfianças. Os temas se referem a obras, transporte, iluminação, serviços – a gama é ampla. Mas devem sempre ser tratados com clareza e honestidade.

4) COMO VÊ A BALBÚRDIA NA COMUNICAÇÃO DE BRASÍLIA?

No caso do governo federal, então, os cuidados devem ser redobrados, triplicados. A fala, uniformizada, coerente, direta, simples. Caso contrário, a opinião pública fica insegura, os políticos se agitam, os adversários aproveitam as indecisões.

No caso específico do governo Bolsonaro, a falta de um porta-voz tem causado uma série de problemas que podem desacreditar a sequência do governo.

5) COMO BALANCEAR A COMUNICAÇÃO DE GOVERNO?

Entendo que os começos são meio confusos, mas é preciso corrigir a rota.

Trabalhar com as redes sociais – com a equipe refletindo coerência de pensamento -, mas não desprezar os meios tradicionais.

O porta-voz de um governo deve ser sempre discreto, passar credibilidade e ter consciência de que a sua postura e suas opiniões, mesmo no particular, refletem a postura e o pensamento do governo.


Abelardo Lupion estará em “Vozes 11”

Abelardo Lupion: confirma participação; Ônix Lorenzoni: velho amigo

Impossível esquecer certos nomes da vida pública paranaense e que exerceram especiais papéis nela, quando a proposta é mostrar lideranças vitais na vida do Estado nos últimos 50 anos.

Por isso, meu livro Vozes do Paraná, Retratos de Paranaenses, terá entre os perfilados de seu volume 11 o ex-deputado federal Abelardo Lupion.

Lançamento para o segundo semestre deste ano.

Na quinta, 10, ele confirmou, por meio de amigo comum, que está “honrado em fazer parte do livro”.

ESPECULAÇÕES

Ao contrário de muita especulação circulante ainda, Abelardo Lupion não é candidato à direção brasileira da Binacional Itaipu. Um dos motivos: seu filho Pedro é hoje deputado federal, fator impeditivo para que Abelardo eventualmente ocupasse o cargo, como prevê a Lei das Estatais.

NA CASA CIVIL

Abelardo Lupion é hoje um dos homens fortes na Casa Civil da Presidência, assessorando o ministro Ônix Lorenzoni, de quem é velho amigo.


INOVAÇÃO:

Fim dos canudos descartáveis em Curitiba

Camila e Rafaela Camargo
Canudos reutilizáveis

Banir os canudinhos de plástico. Pode parecer besteira, mas é uma solução viável e prática para lidar com o lixo nos oceanos. De acordo com um relatório britânico sobre a situação dos mares publicado pela Foresight Future of the Sea Report, cerca de 70% do entulho no mar é plástico. Desde que o Rio de Janeiro proibiu o fornecimento de canudos descartáveis em estabelecimentos comerciais, em 2018, o assunto ganhou muita repercussão no Brasil. Agora é a vez de Curitiba se adaptar à nova era dos reutilizáveis.

VEREADORA PROPÔS

Um projeto de lei da vereadora Maria Leticia Fagundes (PV), com emenda assinada pelos vereadores Goura (PDT) e Professor Euler (PSD), tramita na Câmera Municipal de Curitiba pretende obrigar restaurantes, lanchonetes, bares e estabelecimentos similares a ofertar apenas canudos comestíveis ou de papel biodegradável, individual e hermeticamente embalados com material biodegradável. Além disso, a partir de 1º de janeiro de 2020, o poder público municipal seria proibido de comprar de canudos de plástico.

É TENDÊNCIA

De olho nesta nova tendência do mercado, vários empreendedores curitibanos estão adaptando seus negócios. Ao abrirem a Cookie Stories, no começo de 2018, as irmãs Camila e Rafaela Camargo jamais pensariam que uma ação tão simples, como colocar a venda de canudos reutilizáveis teria um impacto tão positivo. As empresárias, que comandam um dos estabelecimentos de maior sucesso em Curitiba, sempre acreditaram que a loja deveria ter em seus valores a responsabilidade social. “Não é porque trabalhamos com doces e cafés, que não temos impacto sobre a sociedade. Se quisermos mudar o mundo em que estamos, devemos começar por nós e não apenas esperar que as coisas se ajeitem sozinhas”, explica Camila.

O KIT ECOLÓGICO

Na Cookie Stories, é possível adquirir o Kit Ecológico com o canudo reutilizável de inox, escovinha para limpar e o saquinho de bottons por R$ 40. Para Rafaela, o novo produto é capaz de mostrar aos consumidores uma proposta de valorização do seu produto. “Apesar de custar mais que um canudo convencional, o reutilizável substitui o vilão de plástico – e pode ser guardado para sempre”, detalha Rafaela Camargo.

MUITA RESISTÊNCIA

Claro, muitas pessoas ainda resistem ao canudo reutilizável, principalmente pelo seu custo. No entanto, deve-se entender que a medida é mais paliativa do que lucrativa. Além disso, o banimento do plástico é cada vez mais recorrente. Em Fernando de Noronha, por exemplo, já não são permitidos o consumo e o comércio de canudos, copos, pratos, talheres, sacolas e garrafas plásticas inferiores a meio litro. No futuro, ainda, haverá o fim do uso de isopor, podendo gerar penalidades para quem não respeitar a lei.

A Cookie Stories fica na Rua Moysés Marcondes (nº 429), no bairro Juvevê, e funciona de segunda a sexta, das 12h às 19h, aos sábados, das 11h30 às 18h e nos domingos, das 14h às 18h30. Cookie Street fica na Av. Vicente Machado (n° 554), no Centro de Curitiba e funciona de segunda a sexta, das 8h às 18h.

Acesse à página e www.cookiestories.com.br.

(P+ G COMUNICAÇÃO INTEGRADA)


DOS LEITORES

Segundo cérebro

Milton Favaro Junior

Prezado Aroldo,

O artigo referente ao segundo cérebro (intestino) é de extrema valia para todos, lembro que no final dos anos 90 teve um livro da Editora Saraiva se não me engano, que o título era O SEGUNDO CÉREBRO, na época eu trabalhava na área médica e fui num congresso de Colonterapia na Espanha, mesmo não sendo médico, e vi as pesquisas e as informações maravilhosas e super importantes, porém o Brasil sempre foi muito opressor para certas metodologias de tratamentos e informações, talvez pelo viés mafioso das indústrias farmacêuticas.

Desta forma parabenizo a informação prestada e divulgada, grande abraço.

MILTON FAVARO JUNIOR,

Curitiba, administrador de empresa


Para que serve o Observatório Astronômico do Vaticano?

Prestígio na comunidade científica

ACI Digital / Redação da Aleteia | Jan 03, 2019

Um sacerdote explica:

O Observatório Astronômico do Vaticano é formado atualmente por uma pequena comunidade de sacerdotes jesuítas cuja missão é “apresentar a Igreja para os cientistas e a ciência para a Igreja”.

Segundo o sacerdote jesuíta Giuseppe Koch, gerente do museu e da biblioteca do Observatório, são, do ponto de vista acadêmico na astronomia, uma “pequena comunidade”, que não pode destinar às suas investigações as grandes quantias de dinheiro que as grandes nações podem, mas “com o simples fato de existir”, já dão um testemunho para astrônomos de todo o mundo.

CRENTES OU NÃO

“Os outros cientistas que podem ser não crentes ou adeptos de distintas religiões, encontram pessoas com as quais se unem de fato em sua história, e mostram também, sem grandes discursos, que essa convivência entre a pesquisa científica e a adesão à fé em Jesus é vivida serenamente por algumas pessoas que têm cientificamente o seu status profissional”, afirmou.

Nesse sentido, o sacerdote assegurou que “não é a pesquisa científica que permite ou facilita a adesão à fé. São metodologias muito diferentes, nenhum de nós chegou à fé através de sua história científica”.

PODER CRIADOR

Pe. Koch observou que “estar imersos no mundo da fé permite ler e situar-se diante do universo com os olhos que podem desfrutar a beleza, o estupor e a maravilha disponíveis para todo homem, mas para nós, nos remete imediatamente à beleza e ao poder do Criador. E isso é divulgado no valioso círculo de comunicação que nossos irmãos fazem no mundo”.

Entre os compromissos mais importantes, o jesuíta destacou que, desde 1986, realizam cursos de verão a cada dois anos dirigidos a estudantes dos últimos anos do bacharelado ou que estejam cursando um doutorado.

Desta forma, eles ensinam vários assuntos para aproximadamente 25 estudantes de diferentes lugares do mundo e tentam dar prioridade aos países em desenvolvimento, para promover a ciência onde ela não é muito promovida. Muitos dos alunos têm prestígio na comunidade científica internacional.

DEPENDE DA SANTA SÉ

O Observatório Astronômico do Vaticano é um instituto de pesquisa científica que depende diretamente da Santa Sé e tem como órgão de referência o Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano.

É considerado um dos institutos mais antigos do mundo. Sua origem remonta à segunda metade do século XVI, quando em 1578, o Papa Gregório XIII construiu no Vaticano a Torre dos Ventos e instruiu os astrônomos e matemáticos jesuítas do Colégio Romano a preparar a reforma do calendário promulgada no final de 1582.

(ACI Digital)


Estado deve ser facilitador do desenvolvimento

O governador deu posse formal do secretário de Estado da Fazenda, Renê de Oliveira Garcia Junior. (Foto: Arnaldo Alves/ANPr)

Governador deu posse formal ao secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior. O novo secretário afirmou que as metas são a modernização da pasta e a criação de critérios de racionalização dos processos de tributação.

O governador Carlos Massa Ratinho Junior afirmou nesta sexta-feira (11), ao dar posse formal ao secretário da Fazenda, Renê Garcia Junior, que um dos grandes desafios do gestor público é facilitar o desenvolvimento do setor produtivo e simplificar a relação estado-empresa.

Ele também reforçou que o papel da secretaria é essencial para a gestão. “Acima de tudo, dar tranquilidade para que o Governo possa organizar as contas públicas e planejar os investimentos necessários para atender aos paranaenses”, afirmou o governador.

Ratinho Junior destacou a experiência técnica e acadêmica do novo secretário para levar a termo esses desafios. “É professor da FGV, que traz na bagagem uma grande vivência na área de finanças”, disse.

MODERNIZAÇÃO

A modernização da Secretaria da Fazenda e criação de critérios de racionalização dos processos de tributação são metas de trabalho, segundo o secretário Garcia Junior. “Buscaremos soluções alternativas para a geração de receitas do Estado a fim de fazer frente as demandas, principalmente de programas sociais e de investimento do Estado”, declarou.

O desafio de trabalhar em um projeto inovador no governo de Ratinho Junior foi, afirmou o secretário, a motivação que o fez aceitar o convite para comandar a pasta. “O que eu sinto aqui no Paraná é um estímulo muito grande de uma pessoa jovem e talentosa, querendo desenvolver um programa de modernização no Estado. Como gosto de desafios, achei que poderia, de alguma forma, contribuir para concretizar esse projeto, com a cara de um novo Brasil”, afirmou.

EXPERIÊNCIA

Renê Garcia Júnior acumula mais de 14 anos de experiência no setor público, como presidente de autarquias federais e como secretário de Planejamento, Orçamento e Gestão do Rio de Janeiro no ano de 2002. Também ocupou cargos executivos de empresas privadas e tem trajetória de mais de 40 anos na vida acadêmica, mais recentemente, como coordenador de projetos e estudos econômicos na FGV Rio.

Graduado em Administração de Empresas pela Escola Brasileira de Administração Pública e em Economia pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Garcia Júnior tem doutorado em Economia pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), mestrado em Economia e especialização em Mercado de Capitais e Estratégias Operacionais pelo Instituto Europeu de Administração de Empresas de Fontainebleau, na França, considerada uma das melhores escolas de gestão de negócios no mundo.

(AEN/PR)