Encerrado o jogo da volta pela Copa do Brasil, entre Athletico/PR x Grêmio/RS, na quarta-feira (4/9), ao ser questionado na entrevista coletiva, sobre o desempenho da arbitragem, o técnico do Tricolor dos Pampas, Renato Gaúcho abriu sua metralhadora verbal e disparou: “Todas as rodadas temos problemas de erros dos árbitros brasileiros, independente da competição da CBF”. Mas Renato Gaúcho não parou aí com suas críticas, que são procedentes contra a confraria do apito que labuta nos torneios da CBF. Disse mais: “É inaceitável que com o Árbitro Assistente de Vídeo (VAR), os árbitros continuem errando da forma como está acontecendo”, vociferou Gaúcho.

As declarações do principal treinador do futebol brasileiro na atualidade, foi a pá de cal derradeira, que faltava para comprovar de maneira inafastável, a falência do modelo de gestão que maneja a arbitragem da CBF, há várias décadas.

Modelo de gestão que mantém as mesmas pessoas, os mesmos métodos, que “inchou” o quadro de árbitros da CBF de quantidade e esqueceu-se da qualidade, e ficou circunscrito a filosofia e/ou cultura da paupérrima arbitragem Sul-americana.

Modelo de gestão que segundo alguns dirigentes do setor do apito da CBF, é considerado modelo de eficiência por quem o conhece. Modelo de gestão “eficiente”, que termina assim que os árbitros apitam o início dos jogos das Séries A e B e Copa do Brasil.

Com esse cenário de pauperidade na arbitragem brasileira, o diretor da CA/CBF Leonardo Gaciba, ao invés de reunir o grupo que comanda e identificar a origem da avalanche de erros perpetrados pelos seus comandados rodada após rodada, e viabilizar meios para estancar a sangria de prejuízos que os erros dos apito geram ao nosso futebol, optou em sair pelo país e ministrar palestras, “tipo visita de médico em casa”, aos atletas, cartolas, técnicos, e aos árbitros. Na semana que passou, Gaciba esteve no Ceará.

A medida é paliativa, não equaciona e não equacionará os gravíssimos problemas estruturais, que solapam o quadro de árbitros da Seleção Nacional de Árbitros de Futebol da CBF, há vários anos.

O que o mundo do futebol brasileiro almeja da CBF, não são ações de “afogadilho”, prática comum a cada crise da nossa arbitragem. É imperativo um projeto de excelência que traga como escopo principal, uma profilaxia ampla, total e irrestrita em todos os setores que compõe arbitragem da CBF, visando dar qualidade e credibilidade as tomadas de decisões dos seus apitos e bandeiras nos torneios manuseados pela entidade.

É o norte a ser seguido pela direção da CBF.

Á esquerda Busacca e à direita Collina – Foto: Arbitro Internacional

PS: Modelo de gestão, que não observamos interagir com instrutores da FIFA, da UEFA e Premier League. Qual foi a última vez que um instrutor FIFA esteve no Brasil, ministrando cursos de capacitação aos apitos brasileiros? Não vale os instrutores da CONMEBOL. Qual foi a última vez que a CBF interagiu com um instrutor do (CORE) Centro de Excelência de Arbitragem da UEFA? Qual foi a última vez que a CBF interagiu com instrutores de arbitragem da Premier League? Instituição considerada modelo de arbitragem no planeta.

PS (2): Ao invés de palestras que terão “efeito traque”, Gaciba deveria pesquisar e buscar Know-how aos nossos árbitros, nas entidades acima nominadas. Porque do contrário, vai repetir seus antecessores. A cada crise na arbitragem, uma ação meia-boca.

PS (3): o The IFAB e a FIFA atualmente, não tomam nenhuma decisão no que tange a experimentos e/ou testes, ou possíveis alterações nas REGRAS DE FUTEBOL, sem consultar o diretor de árbitros da FIFA, Massimo Busacca ou Pierluigi Collina, presidente do Comitê de Arbitragem da FIFA. Por que Busacca e Collina nunca vieram ministrar um curso de excelência a arbitragem da CBF? Nada mais a dizer.