Eu aceito o jogo

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*por Claudia Queiroz

Eu tenho orgulho de ser mulher. De inspirar pela beleza, doçura, braveza e toda a polaridade influenciada por ciclos de introspecção, criatividade, luas ou estações. Sou feminista quando acredito que somos iguais diante do Criador e merecemos oportunidades sem limites, mas fujo deste estigma sempre que há competição de valores ou méritos. Então enalteço a grandeza da feminilidade toda vez que me vejo entre as panelas e minha filha, porque uma das principais preocupações atuais está em nutrir, proteger, cuidar e acolher – todas características primordialmente maternas.

Sou parente da primeira Deputada Federal do Brasil, Carlota Pereira de Queiroz, médica e aclamada em sua época de legisladora. Ela era prima do meu bisavô. Quebrou padrões, abrindo espaço para as mulheres na vida pública. Mas também sou um misto de negra nas crenças, índia guerreira e essencialmente brasileira na fé, porque minha personalidade não permite desistir dos meus ideais.

Posso me imaginar integrante da família de Joana d’Arc, lutando por diferentes batalhas, sobretudo, pelo amor, e até posando para Leonardo Da Vinci, vestindo sorriso enigmático na feição de Monalisa… Admiro Malévola, a fada madrinha da Bela Adormecida, que sofre com os rótulos impostos e se fortalece nas adversidades, ressurgindo como fênix ao renascer das cinzas e mostrando potência na hora certa.

Ilusões à parte, quem nunca passou por uma crise provavelmente permaneceu do mesmo tamanho. Não tem dúvidas? Cuidado, o excesso de certezas pode indicar o quanto você pode estar mal informado! Não é à toa que a filosofia está sendo buscada com força para, nos dias atuais, tentar amenizar o impacto das respostas instantâneas que aparecem nas mídias sociais e confundem-se com a falta de freio pelos impulsos imediatos de raiva, alegria, tristeza e todas as emoções primitivas que vêm à tona, quando há pressa em se expressar.

Em geral, a humanidade atualmente sofre forte angústia em relação a caminhos, trajetórias, movimentos de agressividade e relações superficiais, que pulverizam nosso entorno.

Gosto de relacionar nossa evolução em maturidade, comparando processos de desenvolvimento pessoal com etapas superadas por outros animais da natureza. É preciso ‘romper cascas’, assim como fazem os escorpiões, ‘amadurecer feito lagartas’ e voar leve como borboletas. Ao mergulharmos em introspecção, descobrimos onde fluir em verdades próprias. Do contrário, seguimos abraçando a mediocridade, incorporando um papel interpretado para o público…, e não mais para si, assumindo que escolhemos viver para o julgamento alheio.

Entretanto, acredito que a turma da pré-escola emocional não chegaria a ler este artigo até aqui, nem mesmo compreenderia o que estou tentando ‘desenhar’ em palavras ou sequer irá até o fim. Vamos seguir com uma proposta de comprometimento sagrado com a pura essência individual, que requer aceitar com um SIM o que sentimos nas dores, medos, sonhos e transições de fases…, aprendendo com tais experiências a degustar o amargo, para poder apreciar o doce.

Ao perceber o que estou sentindo, conecto o agora com tudo o que acontece neste momento e aceito o ‘jogo’, a situação, a brincadeira… Só depois consigo conexão maior com o universo e conquisto minha identidade única. E eu, que devo ser a pessoa mais importante do mundo para mim, cresço em raízes para florescer nos galhos. Podo excessos para evitar desperdício. Gero frutos, sombra e abrigo.

Parece óbvio, mas o que faz com que tanta gente esqueça a própria essência, deixando de fazer o que deve ser feito, negando vontades, duelando com seus instintos em troca de aprovação? Baixa autoestima? Apego ao sofrimento? Chega de desculpas. Boas ideias merecem ser espalhadas. Consciência plena também. Improviso merece treino e é por isso que a criatividade nasce como solução para gestão estratégica de resultados. Quer ser feliz? Supere-se, reinvente-se, siga em frente e continue cheio de defeitos. Esta é a prova de que você não vive de aparências.

Claudia Queiroz é jornalista.