1 – Deve existir muita explicação para mil pessoas, aposentadas de seu antigo empregador (já extinto) continuarem cultuando toda um tempo em que atuaram juntos, trabalhando por dezenas de anos numa empresa singular.

Pois esse é o emblemático exemplo de homens e mulheres, aposentados e pensionistas da extinta TELEPAR. Eles cultuam os dias em que juntos fizeram um trabalho referencial no Brasil, dentro da TELEPAR, a ponto dessa estatal de telecomunicações do Paraná ser considerada, então, empresa-padrão do então Sistema Telebrás.

Se a TELEPAR continuasse existindo, estaria comemorando no próximo dia 26, sexta-feira, 50 anos de fundação. Para esse pessoal que é herdeiro do “estilo TELEPAR de trabalho”, o jubileu de ouro tem de ser celebrado.

Diretoria da ASTELPAR (da esquerda para a direita) sentadas: Lis Gabardo Waluszko, Diretora Administrativo Financeiro; Maria Lucia Marques Bom, Diretora Jurídico. Em pé: Luiz Olivier Cesar Scheffer, Suplente do Diretor Administrativo Financeiro; Cleomar Justiniano Gaspar, Diretor de Planos SISTEL e OUTROS; Luiz Fernando Torres Cardozo, Diretor Presidente; Enrique Fernandes de Aramburo Pardo, Diretor de Planos FUNDAÇÃO ATLÂNTICO; e Paulo Arruda Bond, Diretor de Ação Social.

Eles vão se reunir na data na sede da Associação dos Funcionários da Caixa Econômica Federal, em Curitiba. Comandando o grande encontro estará o pessoal da ASTELPAR, a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Setor de Telecomunicações no Paraná, que no último dia 13 comemorou 24 anos de fundação.

A celebração do Dia 26 de Julho coincide com os festejos do Dia dos Avós.

Na tradição portuguesa, a data evoca a existência de Santa Ana e São Joaquim, pais da Virgem Maria, avós de Jesus.

A festa da ASTELPAR terá, pois, tripla comemoração: a fundação da TELEPAR, os 24 anos da Associação dos Aposentados e o Dia dos Avós, data muito cara a boa parte dos associados.

UMA MANEIRA DE SER

Comissão Organizadora do Evento “Dia Mundial dos Avós e Jubileu de Ouro da TELEPAR” (da esquerda para a direita) Silvio Seiji Kuroda, Surei Assad e José Francisco Cunha.

2 – Com o processo de privatização da telefonia brasileira, em 1998, a TELEPAR foi privatizada, ganhou novo nome, desapareceram qualidade excepcional de serviço e um sentido de utilidade pública de que se imbuíam os antigos funcionários da ex-estatal. Para entender esse “espírito e forma TELEPAR” de ser a coluna ouviu a diretoria da ASTELPAR, que respondeu às seguintes perguntas:

ASTELPAR, TRAÇO DE UNIÃO

3 – Por que vocês criaram uma Associação de ex-funcionários da TELEPAR?

R) Em julho de 2012, a Associação dos Aposentados e Pensionistas do Setor de Telecomunicações no Paraná – Astelpar comemorou seus 23 anos. Nesse período, a Associação articulou e representou publicamente seus associados. O seu crescimento se deu rapidamente graças à característica de vanguarda dos administradores, que estiveram à frente de importantes decisões ao longo da sua história.

O caminho até aqui trilhado autoriza a decisão de ter como objetivo a ser alcançado nos próximos anos à marca de mil associados. Esse patamar visa à solidificação do ideal de representatividade da entidade.

A Associação nasceu da intenção de um grupo de aposentados, formado por Carlos Martinesco, Adriano Bonaldi, Eugen Socher, Roberto Frederico Grubhofer, Walter Kreder, Egon Kummrow e Issam Farhat, que criaram a Associação dos Aposentados da Telepar – AAT; hoje, Astelpar. Seu primeiro presidente foi Carlos Martinesco.

Amadurecida ao longo de seus 23 anos de atuação, com apoio decisivo da segunda diretoria composta em 1999, presidida por Paulo Arruda Bond, desenvolveu um projeto de estruturação organizacional e a redação do novo estatuto.

Criada em 10 de julho de 1989, a atuação da Associação, tanto interna como externa, tem determinado o rumo de representar e defender os interesses dos aposentados e pensionistas do setor de telecomunicações e garantir seus direitos. Em recente avaliação interna, os associados se declararam satisfeitos com o apoio, confiança, credibilidade e congraçamento que a Associação proporciona.

Nestes 23 anos, além de Martinesco, a Associação foi presidida por Paulo Arruda Bond, Luiz César Olivier Scheffer, Enrique Aramburo e atualmente por Cleomar J Gaspar.

A história da Astelpar foi marcada, politicamente, por dois momentos históricos das telecomunicações do Paraná. Até 1998, a Telepar era uma empresa estatal que oferecia um cenário favorável para seus empregados e não havia muitos aposentados. O segundo momento foi a privatização, que gerou uma certa intranquilidade aos empregados na época. Em 1998, a Telepar, bem como as demais empresas do Sistema Telebrás, passou para a iniciativa privada, gerando uma série de mudanças com relação aos empregados. Outra situação foi o aumento do número de aposentados, decorrente da terceirização intensiva.

SÓ QUEM VIVEU AQUELA DÉCADA…

4 – Explique ao leitor o que foi a empresa estatal de telefonia e sua importância na vida do Estado. Se possível, cite números da época.

R) Só quem viveu na década dos anos sessenta do século XX e ainda vive neste segundo decênio do século XXI pode aquilatar pela experiência vívida o quanto foi importante para o Estado do Paraná e para o Brasil o trabalho desenvolvido pela TELEPAR. A empresa não só integrou todo o Estado pelas telecomunicações como proporcionou a oportunidade para muitos municípios, distritos administrativos e localidades isoladas para a integração com o mundo. Na época, Anatoli Olyinik, um dos Gerentes de Distritos da TELEPAR em Campo Mourão, teve o privilégio de inaugurar o primeiro sistema monocanal operado a energia solar na localidade denominada São João, pertencente ao município de Roncador. Foi a primeira experiência no gênero na América Latina. Também foi protagonista da implantação e integração de 60 fazendas rurais ao sistema Estadual e brasileiro de Telecomunicações. A participação da COAMO foi fundamental neste processo por acreditar no trabalho pioneiro da TELEPAR e incentivar a adesão de seus associados no Sistema. Foi um trabalho pioneiro que abriu as portas daquelas pessoas para o mundo. Graças às sementes lançadas naquela época, a sociedade hoje pode desfrutar das inúmeras tecnologias disponíveis que surgiram a partir de um processo evolutivo embrionário e pioneiro.

UM “CULTO” À TELEPAR

5 – Entre os ex-empregados há um “culto” à veterana TELEPAR. Deve haver motivo forte, como ações sociais e de apoio aos empregados que a empresa desenvolveu. Faça comentários a respeito.

R) Sim. Este culto nasceu da consciência integrada dos dirigentes e funcionários de que estávamos vivendo um momento histórico para o Estado, para o País e para o mundo. O sucesso do processo de desenvolvimento das telecomunicações dependia da nossa capacidade de realização e do nosso próprio sucesso. Portanto, foi uma simbiose que resultou na realização das pessoas, da empresa, do Estado e da sociedade. Nós nos orgulhávamos da Empresa assim como a sociedade reconhecia o trabalho e o sucesso alcançado. Fizemos história. Construímos uma história de amor, realização pessoal e sucesso empresarial. Como não prestar culto a isso?

LUTAR POR DIREITOS ADQUIRIDOS

6 – O que é e como funciona – quantos congrega – a associação? Têm sede? Onde se reúnem? Fazem alguma ação social?

R) Hoje a Astelpar é formada por novecentos e vinte e nove associados, entre a Fundação Atlântico, Fundação Sistel, Telos, HSBC (TIM) e INSS.

Sua infraestrutura conta com uma biblioteca, três salas equipadas com microcomputadores com internet, sala de reunião, sala para eventos com televisão e equipamento de DVD e uma sala de estar. Tudo isso no quinto andar da Galeria Tijucas, localizada no coração de Curitiba, à AV. Luiz Xavier, nº 68, 5º andar, sala 519, Centro, Curitiba, PR.

Os aposentados na época estavam organizados em volta da AAT, porém sem uma sede estruturada para atender aos mesmos, gerando então a necessidade de uma movimentação na busca desse apoio indispensável. Essa necessidade se tornou a cada dia mais significativa, ao mesmo tempo em que o número de aposentados crescia rapidamente, motivados pela situação dentro da empresa.

Daí a importância de se estruturar a Astelpar com uma sede física, com associados contribuindo com mensalidades, prestando apoio assistencial e, por meio de convênios, o apoio jurídico.

Basicamente, incessantemente a Associação luta na defesa dos Direitos Adquiridos dos Aposentados, principalmente, logo após a Privatização em 1998.

DIA DOS AVÓS: UMA JUSTIFICATIVA

7 – A comemoração dos 50 anos de fundação da TELEPAR: que programa irão desenvolver?.

R) Simbolicamente o Jubileu de Ouro da TELEPAR – Ano 50 será comemorado com o apoio da ASTELPAR, quando, também, se comemora o dia Mundial dos Avós, em 26 de julho de 2013, quando também a TELEPAR se tornaria Avós das Empresas de Telecomunicações. A Empresa, fisicamente, deixou de existir, porém, permitiu um grande legado entre seus ex-funcionários (respeito humano, honradez e a vontade de dar o melhor de si em todas as tarefas).

Todos, sem exceção, têm orgulho de ter trabalhado e contribuído para a grandeza dessa Empresa, considerada nota 10 do Sistema TELEBRÁS.

Atualmente, tem vários grupos que se reúnem, entre eles o do FACE, com 1.563 participantes teleparianos, e os 924 Associados da ASTELPAR.

A programação será intensa, das 11h às 17h, do dia 26 de julho (sexta-feira), compreendendo as Comemorações do “Dia Mundial dos Avós” e do “Jubileu de Ouro da TELEPAR” (Almoço, Bingo, Homenagens e Baile da Saudade). Além disso, haverá diversas brincadeiras e montagem de exposição de objetos – fáceis de transporte – a serem expostos –, buscando a interação de todos os participantes.

LEMBRANDO TRADIÇÃO PORTUGUESA

8 – Por que o Dia Mundial dos Avós, na mesma comemoração?

R) A ASTELPAR, com a sua nova Diretoria, a partir deste Ano institui a comemoração do Dia Mundial dos Avós, tendo em vista o perfil de idade entre os seus participantes, aceitando sugestão de comemorar simbolicamente o Jubileu de Ouro da TELEPAR – Ano 50, na mesma data. A TELEPAR comemoraria os seus 50 anos em 27 de novembro desse ano.

O Dia Mundial dos Avós é comemorando no dia 26 de julho, por ser a data comemorativa ao Dia de Santa Ana e São Joaquim, Pais de Maria e Avós de Jesus Cristo. Em Portugal, a celebração é feita por intermédio de eventos, que prestam homenagem, demonstrando carinho e apreço a todos os Avós. Os Netos e Filhos presenteiam simbolicamente os seus Avós, de forma a agradecer o apoio e dedicação destes à Família e mostrar o quanto são importantes para os seus familiares.
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OPINIÃO DE VALOR

A ASNEIRA DA ‘CURA GAY’

Por Denise de Camargo (*)

Há 25 anos, quando a homossexualidade não era discutida abertamente como hoje, resolvi opinar sobre o assunto logo após um colega de trabalho declarar confidencialmente que era gay. Afirmei que ser gay era uma escolha pessoal. Ele ficou quieto por uns minutos e delicadamente respondeu que não tinha feito nenhuma escolha entre ser homo ou heterossexual. Não lembrava de ter feito escolha nenhuma. Até, porque, continuou, se pudesse escolher teria optado por uma orientação sexual que fosse mais aceita pelo seu pai e pelas pessoas do lugar onde vivia. E, ainda, que ser homossexual e ter assumido sua orientação tinha lhe causado muito sofrimento. Seria mais fácil viver se tivesse escolha. Escolheria ser hetero e seria aceito pelo pai. Não precisaria mudar para longe da mãe, das irmãs e do irmão. Viveria com seu amor e andaria de mãos dadas com ele na sua cidade.

Esse colega morreu logo depois dessa nossa conversa. Morreu de complicações causadas pelo vírus HIV. Morreu pedindo para que não declarássemos que era portador de HIV. Dizia que tinha lutado muito para ser um profissional respeitado e que não queria ser considerado cidadão de segunda categoria.

Isso aconteceu há muitos anos. Hoje, conseguimos compreender que não se trata de escolha. A orientação e a identidade sexual estão inseridas na configuração da subjetividade, que é um processo complexo, singular e que compreende muitas dimensões. A orientação sexual faz parte da constituição dos sujeitos e a homossexualidade constitui uma das expressões dessa orientação sexual, assim como o são a heterossexualidade e a bissexualidade.

Desde 1990, depois de muita luta e sofrimento, a homossexualidade deixou de ser considerada doença pela Organização Mundial da Saúde – OMS. O Conselho Federal de Medicina retirou em 1985 a homossexualidade da condição de desvio sexual. E o Conselho Federal de Psicologia considerou em 1999 a realização de qualquer intervenção que vise “curar” ou “reverter” a homossexualidade contrária aos fundamentos éticos e científicos que devem guiar a prática dos psicólogos no País.

Os psicólogos compreenderam que o sofrimento psíquico é causado pelo preconceito e não pela orientação sexual que compõe sua identidade. E seria um disparate tratar ou curar identidade como desvio de comportamento. Isso porque é ela que define quem somos. É uma das dimensões da nossa humanidade.

Denise de Camargo, psicóloga e professora da UFPR

Há um consenso nos órgãos mundiais dedicados à saúde e ao estudo da sexualidade humana de que a homossexualidade não é uma doença e, portanto, não pode ser “curada”. E isso está além de qualquer fundamento ou interesse de caráter religioso, econômico, farmacológico, etc.

Portanto, é surpreendente que em 2013 um segmento social identificado com interesses religiosos venha defender a cura da homossexualidade com argumentos que ferem os direitos humanos.

Mais surpreendente ainda que no dia 18 de junho foi aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal, presidida pelo pastor evangélico e deputado federal Marco Feliciano, o Projeto de Decreto 234/2011, conhecido popularmente como “Cura Gay”. Se aprovado no Congresso esse projeto obrigará os psicólogos a tratar o homossexualismo como se fosse doença, o que contraria a resolução do Conselho Federal de Psicologia e os conhecimentos científicos sobre orientação sexual aceitos hoje em dia no mundo civilizado.

Seria um recuo ao breu da ignorância aceitar qualquer outra concepção que não seja esta do Conselho Federal de Psicologia, que é baseada na ciência e no respeito aos direitos humanos.

(*) DENISE DE CAMARGO é doutora em Psicologia  Social PUCSP, foi coordenadora do Curso de Psicologia da UFPR e autora de livros da área de Psicologia. É professora do Mestrado de Psicologia da UTP. Leia mais em www.revistaideias.com.br

 

O volume 5 da coleção Vozes do Paraná, um apanhado de nomes paranaenses que estão fazendo o dia a dia do Paraná de hoje, pode ser adquirido na livraria do CHAIN, no site RoseaNigra.com.br. ou com o autor: (41) 3243-2530 e (41) 8809-4144 (Hélio).
Os paranaenses que têm vida e obra registrados nesse livro-documento de autoria do jornalista Aroldo Murá G. Haygert que é Vozes do Paraná 5 são: Adélia Maria Woellner, Antenor Demeterco Jr., Carlos da Costa Coelho, Carlos Harmath, Carlos Jung, Carlos Marassi, Cassiana Lacerda, Creso Moraes, Domingos Pellegrini Jr., Edson José Ramon, Eduardo Rocha Virmond, João Casillo, João José Bigarella, Pe. Joaquin Parron, Newton Freire-Maia, Oriovisto Guimarães, Oscar Alves, Raul Anselmi Jr., Sabine Wahrhaftig, Segismundo Morgenstern, Sergio S. Reis e Sonia Lyra.
Há atualizações biográficas de personagens de livros Vozes do Paraná anteriores: Airton Cordeiro, Fábio Campana, Fernanda Richa, Gustavo Fruet, Luiz Carlos Martins e Wilson Picler.

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Esta coluna é publicada diariamente no jornal Indústria&Comércio.

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