“Estamos na fase de ganhar confiança”, aposta a técnica Yuko Fujii

351

País-sede dos Jogos Olímpicos Rio 2016, o Brasil teve, há quatro anos, o benefício de contar com um representante garantido em cada uma das 14 categorias do judô. Desta vez, os atletas dependem dos pontos que, ao longo de quatro anos, os situem na almejada zona de classificação, restrita aos 18 melhores de cada peso, até a realização do Masters, em Doha, entre 28 e 30 de maio. Depois desse evento, a Federação Internacional de Judô (IJF, na sigla em inglês) divulgará a listagem que definirá os nomes presentes em Tóquio. Para a técnica da seleção masculina, Yuko Fujii, o Brasil tem condições de marcar presença em todas as categorias.

“A gente acredita que vai classificar todas as categorias. Dependendo da categoria, temos que trabalhar bastante, enquanto outras estão mais seguras, mas não dá para dizer que podemos deixar de trabalhar”, comenta a japonesa, que atua junto ao judô brasileiro desde 2013, e está à frente da equipe masculina desde 2018.

De fato, em alguns pesos o Brasil já está praticamente com os pés no Japão. É o caso, por exemplo, do meio-leve (66kg), em que Daniel Cargnin ocupa o quinto lugar do ranking, e dos médios (90kg), em que Rafael Macedo é o 12º, de acordo com a última atualização da IJF, na segunda-feira (10), após a realização do Grand Slam de Paris. No ligeiro (60kg), Eric Takabatake lidera a disputa nacional, em nono, enquanto Felipe Kitadai, bronze em Londres 2012, aparece em 27º.

“Meu foco é melhorar a performance dos atletas e prepará-los espiritualmente, mentalmente para o dia da competição mesmo. Estou tentando fazer um trabalho para que eles acreditem neles mesmos”

Yuko Fujii

Nas categorias mais pesadas, o país também dispõe de mais de um forte candidato. A rivalidade é acirrada entre Rafael Buzacarini (17º) e Leonardo Gonçalves (19º), no peso -100kg, e também entre Rafael Silva (7º), dono de dois bronzes olímpicos, e David Moura (8º), no +100kg. Em situação um pouco mais complicada estão as categorias leve (73kg) e meio-médio (81kg), em que Eduardo Barbosa (38º) e Eduardo Yudy (26º) são os brasileiros mais bem colocados, respectivamente.

Se o ranking indica os resultados colhidos pelos atletas ao longo das últimas competições, Yuko Fujii aponta que a performance no tatame olímpico pode ser outra. “Olimpíada é diferente. Claro que todo o desempenho do ciclo olímpico, nos quatro anos, é importante, mas sei que os atletas crescem bem no finalzinho, na reta final, então estou acreditando que, dependendo do nosso trabalho, todos os atletas têm potencial de surpreender no dia da Olimpíada”, aposta.

Para isso, a treinadora acredita na força do trabalho mental com a seleção.