O estado de Washington se tornou o primeiro nos Estados Unidos a legalizar a compostagem humana, ou seja, o uso de restos mortais para adubar solos.
A lei -que descreve o processo como uma “conversão contida e acelerada de restos humanos em terra”- foi assinada pelo governador Jay Inslee na terça-feira (21) e entra em vigor em maio de 2020. Inslee concorre à indicação do Partido Democrata para as eleições presidenciais do ano que vem nos EUA com uma plataforma ecológica.
“Já é hora de aplicar alguma tecnologia, de permitir que alguma tecnologia seja aplicada para essa experiência humana universal. As pessoas deveriam ter a liberdade de decidir o que acontecerá com seus corpos”, afirmou à rede CNN o parlamentar estadual Jamie Pederson, que apresentou o projeto de lei.
“Enterros são problemáticos primeiro porque representam um uso da terra. A cremação é problemática por causa da emissão de gases de efeito estufa e do uso de energia”, afirma Katrina Spade, fundadora da Recompose, empresa baseada em Seattle que desenvolveu um processo de compostagem humana que está quase pronto para ser comercializado.
O processo se concentra em acelerar a decomposição natural do corpo, que é colocado em um contêiner, que serve de caixão para o funeral.
Lá é colocado com palha, lascas de madeira e alfafa, e são criadas as condições perfeitas de umidade e oxigenação para que as bactérias façam seu trabalho.
“Tudo, incluindo os dentes e ossos, se transforma em composto”, escreveu a Recompose, que durante 30 dias monitora o processo de decomposição.
Seattle já aprovou uma moratória na construção de cemitérios porque autoridades locais entendem que não se trata de um “bom uso da terra”, afirma ela.
Segundo a Associação Nacional de Diretores de Funerais, opções ecológicas para o pós-morte estão “crescendo em popularidade entre os consumidores” nos EUA.
Uma pesquisa de 2018 da associação indicou que metade dos entrevistados expressou interesse em explorar opções “verdes”.
Uma delas é o enterro “natural”, em que o corpo é colocado em áreas designadas, sem caixão. Outra opção é o uso de caixões biodegradáveis.
A filha do ator Luke Perry, morto em março, afirmou que o pai foi enterrado com um terno feito a partir de cogumelos.
O processo desenvolvido pela Recompose é similar ao utilizado durante décadas nas granjas para processar cadáveres de animais. Foi testado cientificamente no ano passado pela Universidade Estadual de Washington, que usou seis corpos doados por voluntários.