“Estadistas são líderes que se destacam dos demais políticos, por enxergarem mais longe, serem capazes de se elevar acima das divisões sectárias – e fazer avançar agendas decisivas, que produzirão impactos positivos por décadas”.

   Hélio Schwartsman, articulista

 

Reforma e trajetória

O premio Nobel, Douglas North, estudando o desenvolvimento dos países, concluiu que obtêm resultados aqueles poucos que, apoiados em instituições positivas, fixam e seguem uma trajetória.No Brasil atual, diversos economistas estão comparecendo com receitas para a retomada; uns propondo enxugamento das estruturas do Estado via privatização radical, outros reivindicando ser momento de afrouxar o crédito e os subsídios públicos numa abordagem keynesiana, etc.

Reforma e (II)

Aproveitando o mote dos 50 anos da ida do homem à lua o ministro Marcos Pontes traz outro enfoque: “conhecimento, ciência e tecnologia como ferramentas para, juntos, construirmos um Brasil melhor”. Como receita individual, o ministro-astronauta pede “atitude de vencedores” para “buscar excelência quando todos estão satisfeitos com a mediocridade”.

Análise

Nesta sexta-feira esperamos contribuir com uma solução adicional – e possivelmente essencial – para ajustar a trajetória do país, na linha proposta pelo professor North: a reforma das instituições políticas, O advogado e professor Horácio Monteschio vai expor os princípios do voto distrital misto como forma mais adequada para melhorar o sistema de representação política em que assentam os poderes públicos no governo democrático. A reunião conjunta da Associação Paranaense de Imprensa e Centro de Estudos Brasileiros ocorre à rua Marechal Hermes, 678, Centro Cívico, Curitiba, às 10 horas. Quem sabe a reforma possa superar limitações do presente com a emergência de estadistas aptos ao desafio da nossa complexidade.

 

Economia Reage

As primeiras sondagens sobre o segundo trimestre, terminado em junho, indicam pela primeira vez uma reação positiva que livra o país da recessão. Após cair 0,2% no 1º período fechado em março a economia começou a se recuperar, fechando junho em mais 0,4%; ainda pouco, porém no azul. As evidências estatísticas se acumulam: a arrecadação de tributos está subindo, as empresas captam com risco menor, e recomeçam as contratações: Curitiba teve saldo positivo de empregos.

Análise

A previsão de crescimento do PIB para o ano ainda é modesta: mais 0,8% segundo a média das previsões do boletim Focus. Mas o cenário vai se desanuviando, superada a etapa decisiva da reforma previdenciária (aprovação em primeira discussão pela Câmara dos Deputados), deslanche de privatizações e boa safra (previsão de 240 milhões de toneladas no ciclo 2019/20). Ainda, a queda do risco Brasil indica que o mercado antecipa a reclassificação da nota de crédito do país.

 

SAQUES DO FTGS

A liberação em pequenas parcelas dos saldos do FGTS, anunciada para começar em setembro, assinala busca de equilíbrio entre o esforço para reativação do consumo interno e a conveniência de preservar uma fonte de recursos para financiar a construção civil. Ante críticas de que o Fundo de Garantia, representando uma poupança compulsória de remuneração negativa, é um anacronismo de raiz autoritária, o governo se apressa em garantir: 100% dos rendimentos serão transferidos para o trabalhador.

Análise

De fato, rendendo 3% ao ano, descontada a inflação, o FGTS – poupança forçada com rendimento real negativo – é uma distorção: retira renda do trabalhador para subsidiar outros beneficiários. Para ser transparente o programa habitacional deve ser custeado pelo orçamento geral, adverte a professora Cecília Machado, da Fundação Getúlio Vargas. Em termos amplos, o Brasil que se assume moderno e liberal busca fórmulas para essa questão e, mais, para financiar a previdência. No caso, que tal transformar o FGTS no embrião da conta individual de capitalização?

 

IMPOSTO DO CHEQUE?

O recesso do Congresso em julho está sendo preenchido pelo debate em torno da reforma tributária, que assume a dianteira com a evidência de que a previdência já é proposta bem encaminhada. Os caminhos apontados para a necessidade de simplificação do cipoal tributário do país são variados: a reforma a ser exposta pela equipe econômica se limita aos tributos federais; especialistas propõem ampliá-la para a alçada dos estados e municípios, etc.

Análise

Alternativa mais controversa: recriação do “imposto do cheque”, um tributo incidente sobre operações de pagamento que transitem pelo sistema bancário. A alegação dos defensores de que se trata de um tributo de arrecadação fácil é contestada pelos que reclamam de sua distorção sobre cadeias produtivas longas (na indústria), da fuga para pagamentos em espécie, etc. Tema para mais debates e arredondamentos.

 

Contorno Sul

O sistema político dispersivo (voto proporcional por lista partidária aberta) está produzindo um dano para os moradores da Região Metropolitana de Curitiba: não há previsão de verba para a obra de modernização do Contorno Sul, que corta a Cidade Industrial. Entidades (Movimento Pró-Paraná e Instituto de Engenharia) encarecem aos poderes públicos a prioridade desse trajeto – hoje um ceifador de vidas e gerador de perdas econômicas.

Rafael de Lala e Vagner de Lara, jornalistas;

David Ehrlich – Graduado: Comunicação Social – Jornalismo pela UFPR

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