A CPMI do Cachoeira, mesmo ouvindo sem resultados personalidades estaduais, pôs um freio nas especulações que se fazia sobre outros temas, como por exemplo as atitudes do ex-presidente em relação ao mensalão. Se Lula finalmente recolheu-se a aparente ostracismo, que é o lugar de quem deixa o poder, coube a José Dirceu a tarefa de fazer afirmações infelizes sobre o episódio, como aquela convocação da juventude esquerdista para ir às ruas defendê-lo. E aos demais mensaleiros? Um posicionamento que foi modismo da juventude ativa do PDC – Juventude Democrata Cristã – de que participavam José Richa, Olivir Gabardo, Oscar Alves, Giovaneti, Adail Sprenger Passos, Campos Hidalgo e tantos outros, durante o primeiro governo de Ney Braga. Os jovens esquerdistas de agora, a se julgar pelo que aconteceu na UNE que, segundo O Globo não aplicou na sua nova sede os milhões que recebeu do governo, são de outra cepa. Capazes de convocar gente para uma festa como a que ocorreu na Praça Espanha em Curitiba, mas indiferentes ao apelo da Marcha contra a Corrupção que aqui mobilizou pouca gente. Sinal dos tempos, dirão alguns! Sinal de desencanto com um regime que sucedendo a um período autoritário, faz com que se assista estarrecido situações como a que pode ocorrer com o processo contra Cachoeira: a prevalecer o parecer do desembargador Tourinho Neto, do TRF da 1a. Região, que pode libertar Carlinhos Cachoeira e anular as milhares de horas de escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal. Concorda Tourinho com a tese da defesa feita pelo ex-ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos de que, “essa interceptação telefônica não pode ser autorizada com base em meros indícios”. Certa ou errada, a verdade é que as gravações trouxeram a público um escândalo que enche este país que se orgulha de alguns brilharecos obtidos inclusive na inclusão social, de vergonha. Resta uma luz no fim do túnel: o direito do Ministério Público Federal, se anuladas pelo TRF as investigações, recorrer ao STJ e começar tudo de novo.

Filé…

O negócio é muito bom, a se julgar pelo que foi pago pelas quatro grandes operadoras que participaram do leilão para implantação do serviço de quarta geração. Pelo menos é o que sugere o valor pago pelas Claro, Oi, Tim e Vivo, 35,7% acima do mínimo exigido pelo edital da Anatel. No total, R$ 2,5 bilhões. Cada uma delas ficará com uma boa fatia do “filé”.

…telefônico

E pensar que até a privatização efetivada no governo de FHC, tão criticada pelo próprio PT que hoje “deita e rola” nas privatizações disfarçadas de “concessões” – vide os aeroportos que a estatal Infraero sucateou – vivíamos em telecomunicações, estágio de 4º mundo. Só aqui na Telepar, telefones eram comprados a peso de ouro e recebid a linha um ano depois. Hoje, mesmo com momentos de mau serviço, são mais de 200 milhões de celulares em uso.

Honra ao mérito

Num momento em que muito se fala no sucateamento da saúde pública nacional, um evento realizado em Cascavel merece destaque. Foram entregues à população do oeste paranaense as modernas e completas instalações do Hospital São Lucas. Uma iniciativa da Fundação Assis Gurgacz, um pioneiro do transporte rodoviário na região, responsável por conquistas como o desbravamento do oeste de Mato Grosso e da consolidação de Rondônia, hoje estendendo seu arrojo à área educacional com a criação de uma bem estruturada Universidade. Um nome a entrar para a série de livros que o confrade Aroldo Murá vem produzindo: Vozes do Paraná.

Em choque

Há perguntas que não se calam, até porque colocam em dúvida posições de gente que deveria ser a salvaguarda do regime. Impossível porém deixar de questionar embora seja triste a sua própria formulação: se um ex-ministro pode receber supostos R$ 15 milhões para defender um contraventor, notoriamente envolvido em todo tipo de trampolinagem, quanto vale uma sentença de desembargador para soltá-lo?