Com 800 quilos de balas coloridas, ocupando uma instalação imersiva de 52m², a mostra de escultura Narrativas, do artista carioca Chico Cunha, no Centro Cultural Oi Futuro, Rio de Janeiro, está atraindo visitação. A exposição, com a curadoria de Alberto Saraiva, traz os personagens infantis das pinturas do artista renascentista Pieter Bruegel e do pós-impressionista Henri Rousseau.
As balas transparentes coloridas forram o ambiente, mas as próprias esculturas também têm a mesma doce matéria-prima. O curador conta que há cerca de cinco anos, Chico Cunha utiliza em suas obras imagens da história da arte, especialmente de Bruegel e Rousseau. E as balas remetem à infância do artista, quando eram feitas de açúcar, vitrificadas e coloridas – “São símbolos do universo infantil, de uma ideia de ingenuidade, contida na própria obra do Rousseau, considerado um pintor naif”.
Chico Cunha, que nos anos 80 pintou o painel Sonho de Valsa e já antevendo o derretimento das esculturas, conta: “Desde o início da minha carreira, há 30 anos, eu me interesso pelo universo lúdico. Me interessam as imagens, a cor e a própria materialidade das balas de açúcar, mas podemos ir além, e discutir também a questão da gula e da perenidade. A ação do tempo durante a exposição vai transformar o material, tudo isso me interessa”.
Outra atraente exposição no Centro Cultural Oi une corpo, dança e poesia. Dezessete letras do alfabeto servem à poesia relacionada à palavra ou à ideia de movimento, numa criação do bailarino e poeta Eduardo Macedo.
A exposição Palavra-Movimento integra o Programa Poesia Visual e Digital, com curadoria de Alberto Saraiva, que inclui edição de livros, estando em quinto volume. Especialmente para a mostra, Eduardo Macedo dança os 17 poemas, cujas sequências de movimentações são exibidas em monitores e os áudios dos poemas estarão em off no ambiente.
“A poesia de Eduardo Macedo aborda as sensibilidades relativas ao corpo num espaço definido entre os movimentos propulsores da dança e a palavra falada-escrita. Seu corpo é o motor de seus poemas numa perspectiva que incorpora a tradição da dança passando pelo clássico até o contemporâneo”, analisa Alberto Saraiva.
Visitação: Centro Cultural Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo, Rio de Janeiro), até 2 de junho, de terça a domingo, das 11 às 20h. Entrada franca. Classificação livre. Fone (21) 3131-3050.