A propósito da agenda do centenário, distribuída pela UFPR, a professora titular aposentada Cassiana Lacerda protestou, nas redes sociais, acusando erros históricos: “Como explicar a reprodução do cartão postal da Rua Comendador Araújo datado de 1913 “onde se localizava o sobrado do ervateiro Manoel Miró, que abrigou a primeira sede da Universidade do Paraná” ? Generalidades sobre a rua Comendador Araújo em 1913, antes de reproduzir o referido sobrado? Confunde o não especialista, mesmo porque o cartão traz em primeiro plano a residência de Ascânio Miró, projetada por Cândido de Abreu, hoje sede de um banco.

Para quem sabe, ao fundo há outra residência (hoje demolida para dar lugar à sede de outro banco menos interessado no patrimônio), também projeto de Cândido de Abreu, para seu cunhado Manoel Miró. Apenas um detalhe: a primeira sede da Universidade do Paraná nunca foi nesse “sobrado”, mas a foto confunde”.

CRONOLOGIA FALHA

Reitor Zaki: barbaridades...

“Aliás, as duas casas dos irmãos Miró não são sobrados. O sobrado que sediou a Universidade do Paraná ilustra o mês de agosto (qualquer cuidado cronológico é mero detalhe) da Agenda 2012 e vem com a legenda: “Primeira Sede da Maternidade do Paraná1914”(para confirmar a foto não pode ser de 1914, pois aparece no Relatório da Universidade do Paraná publicado em 1913, cuja capa vem reproduzida na agenda).

Sendo justa destaco: a legenda em questão refere-se ao fato de o sobrado haver sediado a Universidade, mas o título anuncia outro conteúdo e como a fonte (vulgo letra) é pequena, difícil é quem leia. Sem comentários o fragmento de texto reproduzido para ilustrar o desenho da fachada de autoria de Baeta Faria”.

ANACRONISMO

Cassiana Lacerda: a ira “santa e justa”.

“Nada contra a obra “Arquitetura contemporânea no Brasil” de Yves Bruand, mas por que citar uma referência en passant sobre o edifício sede da UFPR quando temos a obra de Antonio Gonçalves Jr. “UFPR um edifício e sua história” editada pela FCC? Sobre o “projeto gráfico” só posso perguntar: quando o tema de um texto é histórico, o design gráfico precisa ser anacrônico? É simplesmente ilegível a impressão em sépia, dói na vista a foto enquadrada num pergaminho semi-enrolado contornado por volutas de almanaque de péssima qualidade gráfica.

É o reinado do kitsch. Fizessem um concurso com alunos de design e teríamos melhor resultado.

Poderia ir longe, mas são esses alguns exemplos da qualidade da edição que o Magnífico Reitor (Zaki Akel) nos presenteou”.
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PEDAÇOS DE MUITA VIDA

Nilson Monteiro: a vida da ACP.

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Não poderia ter sido melhor a escolha de escritor como Nilson Monteiro para levantar, no livro Pedaços de Muita Vida,  parte dos 122 anos de vida da Associação Comercial do Paraná.

Lançamento será dia 20 na ACP, convida o presidente Edson Ramon.

 

 

AS “DOAÇÕES” FANTÀSTICAS CONTINUAM. QUEM SE HABILITA?

Não passa semana sem que meu e.mail  seja premiado com correspondências prometendo doações milionárias e/ou negócios assombrosamente vantajosos.   Todos pedem meu engajamento numa  aventura que, garantem,  me fará milionário.

Há sempre um condicional no meio da história. As correspondências quase sempre partem de países árabes, confins da Ásia, ou africanos (Quênia e Nigéria, preferencialmente). A carta que segue é um exemplo da criatividade com que a pilantragem vem revestida. Neste caso, fazendo advertência sobre a necessidade de resposta urgente.

(transcrevo a última carta recebida com a íntegra de sua redação confusa e mal ajambrada) Leia:

De:     “heline james” <helinejames43@zipmail.com.br>

Data:   Seg, Agosto 13, 2012 16:39

Para: undisclosed-recipients:;

Prioridade:        Normal

“Querida no Senhor

Eu sou deputada Heline James a partir de Kuwait. Estou casada com o Sr. Jerry James, que trabalhou com o Kuwait embaixada na Costa do Marfim por nove anos antes de morrer no ano de 2002. Estávamos casados ??há onze anos sem um filho. Ele morreu após uma doença breve, que durou apenas quatro dias.

Desde sua morte, decidiu não se casar novamente ou receber uma criança fora do meu domicílio conjugal. Quando o meu falecido marido era vivo ele depositou a quantia de R $ EUA 4.5million dólares em um banco aqui em Abidjan Cote d’Ivoire. Atualmente, esse dinheiro ainda está no banco.

Recentemente, meu médico me disse que eu não iria durar para os próximos oito meses, devido ao problema do câncer. O que mais me perturba é a minha doença acidente vascular cerebral. Tendo conhecido a minha condição eu decidi doar o fundo a uma pessoa ou organização que irá utilizar esse dinheiro do jeito que eu estou indo para ins truir aqui. Eu quero uma pessoa ou organização que irá utilizar este fundo para orfanatos, viúvas, escolas para os pobres, hospitais, etc

Tomei esta decisão porque não têm qualquer filho que herdará esse dinheiro e parentes do meu marido não digna de confiança e eu não quero esforços do meu marido para ser usados ??diabolicamente. Eu não quero uma situação onde este dinheiro será usado em um caminho ímpio. É por isso que eu estou tomando esta decisão. Eu não tenho medo da morte, portanto, eu sei onde estou indo. Eu não preciso de qualquer comunicação telefónica a esse respeito por causa da minha saúde, portanto, a presença de parentes do meu marido ao meu redor sempre. Eu não quero que eles saibam sobre esse desenvolvimento.

Assim que eu receber a sua resposta vou dar-lhe o contacto do Banco aqui em Abidjan Cote d’Ivoire. Além disso, vou emitir uma carta de autoridade que vai provar que o beneficiário presente deste fundo.

Por favor, sempre em oração por toda sua vida. qualquer atraso em sua resposta vai me dar espaço em terceirização de outra pessoa ou organização para este mesmo propósito. Por favor, me assegurar que você irá agir de acordo como eu disse aqui. Na esperança de receber a sua resposta, Atenciosamente, Sra. Heline James.”, Kwait.
 

CARTAS

Correspondências devem ser enviadas para aroldo@cienciaefe.org.br

INGRID É ENTUSIASTA DA UNIVERSIDADE DO ESPORTE

Ingrid Ter Poorten: testemunha.

Ingrid Ter Poorten, consulesa da Inglaterra, testemunha sobre a Universidade do Esporte:

“Olá , Aroldo, como vai?  Realmente , a UE era algo maravilhoso. Dois dos meus sobrinhos praticavam ginástica olímpica, e fui com um lá para ver uma prova. Ao meu lado estava sentada uma menina moreninha cheia de glitter, que depois virou a Daiane dos Santos. Começou ali, com o Oleg.

Achei tão boa a iniciativa, tinha acompanhado meus sobrinhos em treinos em Orlando, USA, e fiquei fascinada. Que coisa boa para os jovens, e quantos mais teríamos se a coisa tivesse continuado no mesmo ritmo.

Parabéns para o Zanetti, ainda não é tarde para darmos um empurrão em mais atletas.

Sem egos,sem briguinhas, gente olhando para o futuro e presente de nossos jovens. Um abraço, Ingrid ter Poorten”, Curitiba.

 

NA TOCA DO COELHO

(espaço de Antonio Carlos Costa Coelho)

AS APOSTAS DE LETÍCIA

Não era só do futebol que Letícia(*) gostava. Não dispensava um joguinho. Fosse do bicho, das cartas ou das corridas de cavalos. Por 24 anos apostou na milhar 1244. Milhar do cavalo. No  24 de maio de 1944, dia em que o primeiro neto nasceu, a milhar deu seca.

Dormia para sonhar. Sonhar e apostar no bicho que era definido  após uma complexa interpretação. Nem mesmo Jung se aventuraria ao sofisticado exercício  interpretativo de sonhos e símbolos que dava origem à composição numérica de Letícia.  Bicho definido, com a carteira presa no sutiã, descia a Bruno Filgueira em direção ao armazém para fazer “uma fezinha”. Quando ganhava alegrava os netos com um troquinho que garantia a matiné e uma fatia de pizza na Padaria Berberi, e é claro, a passagem do ônibus.

Se saia era para visitar as amigas. Amigas que, como ela, também eram dadas ao jogo. Passava as tardes construindo canastras.  De ônibus ia longe. Já não tinha mais o Vauxhall preto deixado pelo marido.

E dos cavalos?  Domingo, enquanto viveu o marido,  era dia de prado.   Apostava alto. Perdia na mesma proporção. Um dia  levou um cavalo para o Grande Prêmio no Rio de Janeiro. Não sei se o cavalo venceu, mas era bom de raia. Ofereceram uma quadra em Copacabana pelo cavalo.  O negócio não foi feito. O marido não quis trocar um cavalo bom por um lote coberto de mato, lamentava Letícia.

Futebol só “assistia” no rádio. Se não gostava do speaker, trocava de estação. Se o seu time, o Água Verde, perdesse, tinha uma justificativa bem embasada. Certa vez disse que o Água Verde tinha perdido porque “o campo estava pesado”.  Noutra, tinha um galho de pinheiro no meio do campo, o que não permitiu uma boa desenvoltura dos seus heróis.

Quando o Água Verde mudou de nome, passou para o Atlético. Seus heróis eram outros. Os do Atlético:  Gildo, Sicupira, Sérgio Lopes, Djalma Santos,  Júlio,  Bellini. Heróis que fazia questão de conhecer.  Pedia ao genro ( pronunciado com R fraco) que, após o jogo, trouxesse algum deles para ela conhecer pessoalmente. Eles vinham e a tratavam com carinho. Ela ficava feliz, mas não comentava com ninguém os encontros com os super-homens que compunham o “Furacon” dos anos 60-70.

* Letícia foi avó materno do autor.


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