O drama, com pitadas de ação, humor e ironia, Era Uma Vez Em… Hollywood é o filme-sensação da vez.  Por duas horas e 45 minutos, o diretor Quentin Tarantino  deixa a plateia extasiada diante de Leonardo DiCaprio, Brad Pitt, Margot Robbie e Al Pacino. Principalmente DiCaprio, estupendo no papel de um ator de faroeste em decadência.

Dá vontade de nem falar nada sobre o filme e deixar que o espectador se surpreenda à vontade; mas há os que preferem ir ao cinema sabendo de tudo sobre o que vai ver. Não é o meu caso. E deixei que Tarantino me surpreendesse do começo até o final feliz.

O que dizer sem tirar o prazer do leitor? O filme é uma  livre referência a fatos dos bastidores da Meca do Cinema. Se passa em 1969, quando o mundo ocidental vivia agitada revolução cultural, ao meio da guerra do Vietnam, do lema paz e amor (livre) dos hippies, abertura das portas da percepção e o cinema de autor fazendo corações e mentes. Nesse contexto, Tarantino  conta a história de Rick Dalton, um decadente ator (DiCaprio) e seu dublê Cliff Booth, veterano de guerra (Brad Pitt), suspeito de ter matado a esposa em um iate (referência à Natalie Wood?).

Aliás, referências de Hollywood não faltam. Umas são sutis, como o diálogo de Steve McQueen, outras bem explícitas, como o “encontro” entre Cliff Booth e o ídolo das lutas marciais, Bruce Lee. O cerne do enredo de Tarantino, contado de forma entremeada, com suspense e licença poética, é o massacre causada por uma seita comandada por Charles Manson, tendo por vítima a doce atriz Sharon Tate (Margot Robbie), na época grávida do diretor Roman Polanski (Rafal Zawierucha).

Ainda tem muito chão até a festa hollywoodiana do Oscar, mas por certo o tapete vermelho será pisado por Tarantino e seu elenco de astros e coadjuvantes. Leonardo DiCaprio merece todas as honras, incluindo a cena pós-créditos.