EQUIPE AVANÇA

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Com o anúncio dos titulares da Saúde, Advocacia Geral da União, Controladoria Geral e Secretaria da Presidência, mais os comandos das três Forças Armadas avança o processo de organização do novo governo federal, a ser presidido a partir de 1º de janeiro por Jair Bolsonaro. Funções de natureza técnica – mas que, pela Constituição guardam aspecto político – ainda estão pendentes, porém a cada semana a nova Administração ganha corpo.

ANÁLISE
Ainda restam posições-chave mas a expectativa é que o presidente eleito feche sua lista de colaboradores antes de se submeter a uma nova cirurgia corretiva – em função do atentado de que foi vítima – marcada para o dia 12 de dezembro. Ainda, a avaliação é que o novo Ministério permaneça com menos de 20 integrantes, cumprindo promessa de enxugamento reiterada na campanha.

PARANAENSES NO GOVERNO
Após a escolha de Sergio Moro para a Pasta da Justiça (encorpada com a volta da Segurança Pública), o Paraná poderá ter outros representantes no governo Bolsonaro. Assim, os delegados Mauricio Valeixo, Rosalvo Franco e Érika Marena vão ocupar funções diretivas na Polícia Federal e gabinete do ministro. Já o ex-deputado federal Abelardo Lupion irá para a Casa Civil, numa das subchefias do órgão dirigido pelo deputado Onix Lorenzoni.

ANÁLISE
À medida que a composição do novo governo avançar, outras personalidades paranaenses poderão ser chamadas a dar sua contribuição. Na cota paranaense caberia ainda incluir o general Augusto Heleno, indicado para a função-chave de ministro do Gabinete de Segurança Institucional e que nasceu em Curitiba, embora com carreira fora do estado por sua condição de militar.

POLÍCIA FEDERAL
O delegado Mauricio Leite Valeixo, escolhido pelo juiz Moro para a direção geral do Departamento de Polícia Federal, é um dirigente policial de alto nível, com uma carreira de destaque desde sua graduação em Direito pela PUC-Paraná. Saindo da função de superintendente regional da PF no Paraná, Valeixo anteriormente chefiou a Diretoria nacional de combate ao crime organizado da corporação, e também a direção da PF no Paraná.

ANÁLISE
O novo diretor terá pela frente o desafio de combater essa nova modalidade de violação da lei, cuja extensão e virulência colocam em questão o papel do Estado na ordem pública. A propósito, a escala das quadrilhas e facções avançou a tal ponto que só podem ser combatidas mediante atuação conjunta das forças da lei e ordem das três esferas políticas – União, estados e municípios.

ANÁLISE (II)
Nessa linha o ex-secretario de Segurança do Paraná, delegado federal Wagner Mesquita – durante palestra na Associação Comercial – defendeu iniciativas de inteligência e coordenação de agências públicas para obtenção de eficiência nas operações policiais. Durante sua gestão de três anos à frente da Pasta, Mesquita, trabalhando no aparelhamento das unidades policiais, conseguiu reduzir as ocorrências – principalmente homicídios.

FALHA DE INSTITUIÇÃO
O inevitável volta a ocorrer: três futuros ministros estão sob a mira da Justiça por implicações decorrentes de verbas para a campanha eleitoral, tidas por ilícitas por parte das autoridades de investigação. É que foram acusados de recebimento de recursos não contabilizados (caixa dois) de empresas denunciadas no curso de operações policiais. Bolsonaro, o novo presidente, saiu em defesa dos acusados: são meros indícios ainda sem comprovação.

ANÁLISE
Para ele, no ambiente anterior era possível a aceitação de recursos para campanha, o que torna difícil selecionar uma pessoa com militância política que esteja isenta dessas questões. O que reforça a necessidade de mudança do sistema eleitoral brasileiro: o voto proporcional por lista partidária aberta torna as campanhas custosas e força os candidatos mais competitivos (aqueles que são eleitos) a recorrerem a expedientes ditos não ortodoxos. Lição do professor Douglas North: o modelo de instituição de um país determina o curso de sua trajetória. No caso, para pior…

MÉDICOS, SIMPLISMO
Recorrendo a registros documentados pelo Ministério do Exterior o jornal Folha de S. Paulo revelou que o programa Mais Médicos foi arquitetado em sigilo, antes de ser lançado oficialmente em 2013 pelo então governo Dilma. As bases do projeto de interiorização de serviços básicos à saúde focaram no favorecimento da relação com o regime de Cuba, que criou uma empresa para terceirizar médicos.

ANÁLISE
A revelação mostra que o governo cubano – ao ficar com dois terços dos salários pagos pelo Brasil – se beneficiou dessa “exportação” de médicos nativos. Porém do lado brasileiro, independentemente de vinculo ideológico, houve a típica acomodação humana ante o problema representado pelo déficit de atenção à saúde no interior.

ANÁLISE (II)
Agora, o término do contrato com Cuba não é um “Deus nos acuda”. Primeiro, muitos desses profissionais estão preferindo ficar no Brasil, onde criaram laços até familiares. Segundo, há muita oferta de novos médicos, conforme revela a inscrição para o chamamento lançado pelo Ministério da Saúde. Por último, sempre existe a possibilidade de convocar recém-formados ou médicos que prestam serviço militar para guarnecer postos no hinterland. Tudo como emergência, enquanto o país não estrutura a carreira de servidores médicos.