Entre a moda e sacos de linhagem

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Sandália de Flavia Aranha levada à SPFW – Primavera Verão 2020
Foto: Marcelo Soubhia/Fotosite

Criação-vencedora-do-certame-Juta-Sustentável, de Amanda Brêtas e Flávia Tampeli

 

 

 

 

 

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Atração no Inspiramais:

Fios de juta da Castanhal

 

 

Celeiro exemplar de design e materiais inovadores para moda e mercado calçadista (do desenho ao produto, passando pela matéria-prima e processos), o Inspiramais 2021_I contou em sua edição de janeiro com a participação da Castanhal Cia Têxtil, maior fabricante de fios e telas com a fibra de juta das Américas. Sua presença demostrou que juta, além de embalar todo café exportado do Brasil, pode servir à moda.

Os lançamentos apresentados não deixam dúvidas: fios engomados mais lineares de menor pilosidade, bem maleáveis e fáceis de desenrolar, cartela de cores dentro das tendências e fibra misturada com algodão reciclado, multifilamentos e com fio de lurex ouro e prata. Tecidos tingidos mostram a versatilidade do produto eco-sustentável.

Entre os lançamentos, Mauricio Vasques, gerente comercial e de marketing da Castanhal, destaca a Tela V7 – adequada para receber estampas e que pode ser usada em cabedais. Ao recepcionar o estilista Walter Rodrigues, coordenador do Núcleo de Design da Associação Brasileira das Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos, Vasques observou que a Tela V7 visa “atender as exigências do calçadista, que busca inovação, matérias-primas sustentáveis e ao mesmo tempo tecnológicas”.

A cidade de Castanhal, sede da empresa, fica Pará, onde aporta a colheita de juta de 15 mil famílias ribeirinhas (rios Solimões e Amazonas) que plantam “sem qualquer dano ao bioma original”, proclama Célia W.Pinho, coordenadora de marketing da empresa têxtil. E lembra que o produto final “é biodegradável e livre de aditivos químicos. E toda a fábrica é orgânica”. Essas qualidades fazem a empresa entrar em harmonia com o tema eco-sustentável do Inspiramais: Sincronia.

“A Castanhal, além de fazer as sacarias, percebeu que pode fornecer fios para a bolsas, sapatos e para um vestuário inovador”, diz Célia Pinho, realçando que “até o amaciamento da fibra é natural, pois é com óleo de palma. E a juta, planta que chega a seis metros de altura, vem e volta para a natureza, pois em dois anos o fio é absorvido pelo solo”.

Um das notáveis visitantes do Inspiramais, a paulistana Rose Benedetti, há 40 anos designer de bolsas e bijuterias, entre diversos acessórios, logo ao entrar no estande da Castanhal admirou-se: “Aqui tem tudo que é legal!”. Ao fim, enamorada pelos produtos, concluiu: “Minha primeira abordagem com a juta vai ser na embalagem. Depois vou partir para usar nos acessórios”.

No estande, Rose soube que já existem fios que podem ser crochetados até na máquina e que não pinicam a pele como ocorre com a juta das sacarias. Afinal, a Castanhal, com mais de 50 anos, tem sabedoria suficiente para se sincronizar aos tempos atuais. Em dezembro passado, a empresa participou em Santos-SP do Festival OxiGênio Criativo, idealizado por Andrea Campanilli e Mariane Costa. Em seu estande, promoveu  a oficina de customização de ecobags de juta.

 

Enfim, a juta já atraiu atenção das marcas Osklen, Paula Kaia, Frank Nemeth, Paula Ferber, Flávia Arranha e de futuros estilistas, como Amanda Brêtas e Flávia Tampeli, alunas do Senai-Cetiq, no Rio de Janeiro, vencedoras de certame promovido pela Castanhal. E pode ser apreciada em tênis, bolsas, vestes, luminárias. Mas, olhando de perto, até a saca de café sabe ser naturalmente fashion.