PATRICIA PAMPLONA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente-executivo da Nike, Mark Parker, irá deixar o cargo no início do próximo ano, segundo o jornal The New York Times. O anúncio foi feito por meio de comunicado divulgado pela empresa nesta terça-feira (22) e vem na sequência de um escândalo de suspeita de doping no Nike Oregon Project, de treinamento de atletas de elite.
Apesar de sair da função, o que está previsto para ocorrer em 13 de janeiro, Parker assumirá a diretoria-executiva do conselho da Nike, ainda de acordo com o jornal americano. Ele trabalhará de perto com seu substituto, John Donahoe, que integra o conselho da empresa, está à frente de uma companhia de serviços de nuvem e já presidiu o eBay.
“Estou feliz que John fará parte de nosso time”, afirmou Parker no comunicado divulgado. “Seu conhecimento em comércio eletrônico, tecnologia, estratégia global e liderança, combinado a sua forte ligação com a marca, fazem dele a pessoa ideal para acelerar nossa transformação digital.”
Parker assumiu a função em 2006, e, em sua gestão, a marca ganhou financeiramente, em especial nos últimos três anos, quando o valor das ações triplicou. Foi sob a liderança de Parker, porém, que a Nike também passou -e ainda passa- por alguns de seus maiores escândalos.
O mais recente foi a suspeita de doping no Nike Oregon Project, voltado para treinar atletas de alta performance, em sua maioria americanos.
O líder do projeto, Alberto Salazar, foi suspenso pela Usada (Agência Antidoping dos Estados Unidos, na sigla em inglês) e teve a licença revogada pela Iaaf (Associação Internacional de Federações de Atletismo) no fim de setembro, em meio ao Mundial de Atletismo em Doha.
O ex-presidente da Nike manteve seu apoio ao técnico, mas decidiu encerrar o programa. Em memorando, Parker disse que a investigação que levou ao banimento de Salazar não encontrou o uso orquestrado de doping nem evidência de substâncias para melhora de performance administradas nos atletas do projeto.
O então executivo da marca, no entanto, estaria ciente das iniciativas de Salazar pelo menos desde 2009, segundo emails divulgados pelo The Wall Street Journal.