Ao se reunirem ontem no município de São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França


Ao se reunirem ontem no município de São Jorge do Oiapoque, na Guiana Francesa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França, disseram concordar em pontos como a entrada de países emergentes G8, grupo que reúne os sete países mais ricos, mais a Rússia.

“O G8 precisa tornar-se algo mais que isso. Afinal, mesmo se não quisermos pensar em mais ninguém, é preciso considerar que existe uma China, uma Índia, um Brasil, uma África do Sul, países em ascensão que tem incidência na economia mundial, como tem os oito países que hoje integram o G8", disse Lula.

Segundo Lula, o Brasil e a França concordaram em democratizar os órgãos internacionais multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Fundo Monetário Internacional (FMI). "É preciso pensar no século 21, não (com base) no modelo do século 20", afirmou o presidente brasileiro. “Estamos convencidos de que uma instituição como o FMI precisa começar a pensar mais em desenvolvimento e menos em ajuste fiscal.”

Ao destacar a importância econômica do Brasil, Sarkozy defendeu que o G8 aceite o ingresso de pelo menos outros cinco países. "O mundo precisa que o Brasil ocupe o lugar que é seu", afirmou o presidente francês. "Também quero reafirmar o desejo de que o G8 se torne G13.”

Sarkozy defendeu ainda o ingresso do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. “A França deseja que o Brasil seja parte do Conselho Mundial de Segurança da ONU", declarou. "É inconcebível imaginar que se possa falar nas principais questões mundiais, sem consultar um único país africano, um só país da América do Sul, como se estes dois continentes nem existissem."

Sarkozy também disse estar disposta a transferir a tecnologia necessária para que ao menos um submarino do tipo Scorpen seja construído no Brasil. De acordo com o chefe de Estado francês, apesar de o Scorpen ser uma embarcação convencional, a fabricação permitiria ao Brasil desenvolver o próprio submarino nuclear.

"Eu disse ao presidente Lula que estamos dispostos a fazer com que um dos submarinos Scorpen seja fabricado aqui (no Brasil)", comentou Sarkozy. "Quanto aos caças e helicópteros também estamos dispostos a organizar a transferência de tecnologias para que sejam fabricados no Brasil".

O presidente francês, no entanto, destacou que a parceria não deve se restringir à entrega de material militar: "Nossa missão vai muito além. Queremos atuar, refletir, construir e intervir juntos. Não existem quaisquer tabus. O Brasil é uma grande potência democrática, que pensa sobre seu direito à segurança, um direito legítimo. É um país amigo da França e estamos totalmente dispostos a trabalhar juntos".

Alegando que Brasil e França desejam construir uma nova fase nas relações, Lula comentou que a parceria entre os dois países não se limitará à construção da ponte ou à aquisição de equipamentos militares. "Penso que é importante termos uma compreensão um pouco mais ampla dessa nova fase que a França e Brasil estão querendo construir. Pretendemos firmar um acordo de cooperação muito mais amplo", concluiu Lula.