Todos os clichês da vida de um ídolo do rock não foram esquecidos –   essa a segunda qualidade de Rocketman. A primeira de todas as qualidades, e que até faz perdoar um enredo com pouco brilho, é a atuação espetacular de Taron Egerton. O ator canta, toca piano e encarna muito bem o astro Elton John. Para evitar injustiça, mais dois atores precisam ser realçados: Jamie Bell na pele do amigo/letrista Bernie Tapin e o menino Kit Connor.

A cinebiografia escrita por Lee Hall (Billy Elliot) tem começo, meio e fim. Tudo muito previsível. O fato de não escamotear fato reais nem dourar a pílula é o mínimo que se pode esperar neste século XXI de militâncias. Entre alcóolicos e drogaditos anônimos, Elton John desvela-se para o espectador, passo a passo. Mas esse recurso da roda do AA soa um achado fácil demais, solução ligeira. Contudo, a cena do ato de perdoar a nossa criança interior é só para iniciados.

No caso, a criança é Reginald Dwight (Kit Connor), o tímido menino que se revela um prodígio na Royal Academy of Music, de Londres. Ao entrar para o mundo pop, adota o nome de Elton (de um amigo da banda) e John (dos Beatles). E que os fãs vão conhecer nas telas, a partir desta quinta dia 30.

Com a fama, a vida do astro inglês assemelha-se à vida de todo astro, do rock ou tanto faz: pobreza na infância, talento do começo ao fim, tropeços no percurso, glória e riqueza, passando por  sexo (algo como “transei com tudo o que se mexe”), drogas (todas!, incluindo o famigerado álcool), traição (tanto amorosa quanto de amizades sinceras), sem faltar a falta de amor do papai e da mamãe (viva a vovó!).

Dirigido por Dexter Fletcher, dando ênfase na música (claro), em closes e na fantasia, Rocketman voa alto graças à convincente performance de Taron Egerton. Seu talento já se constatou em Kingsman: O Círculo Dourado, em que por coincidência contracena com Elton John.

A propósito, o título do filme foi extraído de uma música de 1972, Rocket Man. Mas por que reduzir a força gravitacional do filme ao não batizá-lo com o nome de Elton John? Afinal, uma inquestionável qualidade do musical é justamente o fato do cinebiografado estar vivo.

Figurinos à base de cristais

O figurino de Rocketman é um espetáculo considerável. São 64 looks extravagantes assinados por Julian Day, também figurinista de Bohemian Rhapsody. Ele foi encarregado de interpretar o estilo único de Elton John para o cinema. Para criar um brilho sem precedentes usou um incrível milhão de cristais Swarovski, sendo 91 sob medida.

Um dos trajes mais atraentes é a fantasia do diabo. Sua intensidade de fogo vem de motivos de chama personalizados feitos de cristais e uma paleta de cores brilhantes. As fabulosas botas levam cristal vermelho rubi. (E são uma versão impressionante dos sapatos icônicos de Dorothy). Ah, o teatral vestido da “rainha” também tem cristais do arco-íris.

Julian Day reviveu os lendários design dos anos 70 que Bob Mackie desenhou para Elton John, substituindo as lantejoulas pelos cristais para obter um brilho incomparável. E deixou sua imaginação correr solta, acrescentando novas criações extravagantes para completar a história do menino da cidade pequena que se tornou um superstar.

O lendário traje Dodgers foi reeditado com 140 mil cristais em uma roupa de baseball completa.  De cristal também um cabide, um foguete, cerejas, um batom e óculos de sol de grandes dimensões.

Na verdade, os óculos altamente estilizados e ornamentados são uma marca visual: Taron Egerton usa 40 pares faiscantes durante o filme.

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