por Claudia Queiroz

Sempre fui uma pessoa comum, porém, tentando fazer coisas de um modo diferente. Às vezes, conseguindo. Isto já rendeu muitos tombos e tantos saltos memoráveis. Mas, hoje, quando me dou conta de todas as mudanças que aconteceram com a maternidade, percebo muito mais que o blábláblá emotivo, que muitas mulheres carregam no discurso de plantão, para colocarem em prática sempre que têm oportunidade. Não importa se a plateia tem uma ou 500 pessoas. Mãe fala mesmo, …, e sabe o que é pior? Pensa que é só com ela que acontecem certas coisas…

Mas vale consolidar uma verdade comum entre a maioria. Mãe ajuda mãe, compartilha experiências, palpita com senha preferencial, como se ainda vivêssemos naquela comunidade de milhares de anos atrás, quando umas cuidavam dos filhos das outras e todas eram protegidas por homens fortes, caçadores, guerreiros, destemidos.

É uma questão de tempo, ótica, perspectiva. Uma mãe que consegue total equilíbrio para trabalhar segurando o filho no colo, servindo comida saudável em casa, com disposição pra sexo e tempo para vida social ou em condição de assistir séries no sofá macio, sem adormecer antes do filme começar… NÃO EXISTE. É obra de ficção, novela, história inventada para quem gosta de se culpar porque descobre, a certa altura das gangorras emocionais, que também é uma pessoa comum.

Esses dias uma amiga me enviou um texto com muitas visualizações, curtidas e comentários, em que uma mãe, julgando-se anticonvencional, reforça que a educação de meninos e meninas deve ser igual, questionando também duramente o mercado de trabalho por não priorizar ou absorver aquela que acabou de parir. E mais, por que os homens brasileiros não tiram licença paternidade de 6 meses, como já acontece na Europa, para ajudarem a cuidar dos filhos.

Passei vários dias com este tema me incomodando. Homens e mulheres pensam e agem diferentes. Se eu me preocupo com a nutrição da minha filha, que está comendo pouco, meu marido defende que se ela estiver com fome, vai comer. Se forço dar um remédio e ela faz escândalo, ele se assusta com o show porque acredita que ela pode se asfixiar. Na prática, somos diversos na essência, no entanto, complementares. Nossa filha olha para o pai e sente segurança, mesmo sabendo que sobrevive dos meus cuidados. O amor é construído com estes dois polos, compostos por um mesmo time.

Pra mim, não existe ‘pãe’, pai e mãe na mesma pessoa, título que muitas mulheres amam se afirmar! Quer controlar tudo? Não sabe abrir mão das coisas? Então não tenha filhos!!! Projetos assim mudam absolutamente o que vivemos até então!!! Podemos prever situações, nos programar e sermos melhores, mas, para crescer também é necessário saber receber o inesperado, digerir controvérsias e reposicionar a rota. Esse efeito surpresa nos torna grandes, capazes, maduros…

Ser a nossa melhor versão vai além de ter reconhecimento profissional ou uma coleção de histórias bem contadas. Lembrando que ser não é parecer! Por isso, viver na fantasia de uma criança em plena formação, que espera que sejamos os heróis dela, é tão significativo. Na inocência e pureza, é ela quem provoca toda a bondade e intencionalidade em acertarmos neste mundo encantado onde vive feliz, cheio de ‘joaninhas que curam dodóis’ ou ‘batons mágicos que realizam desejos’. É muito bom ser o que nosso filho acredita! Experimente convidá-lo para brincar e criar qualquer passatempo sem uso da tecnologia. Com toda a certeza, se estiver brincando no celular e você chamá-lo pra fazer algo que não seja alguma das obrigações de rotina como tomar banho, fazer lição, escovar os dentes, ele larga tudo e vem correndo. Porque crianças vivem 100% o momento e sempre nos dão preferência.

Logo vão crescer, demandar menos e a nossa autocobrança amadurece. O mercado de trabalho nos absorve naturalmente, porque afinal de contas, melhoramos bastante nestes anos de dedicação.

Enquanto o casal não aprender a trabalhar em equipe para garantir um bom resultado na educação dos filhos, todos perdem o jogo, a bola, o ânimo e a torcida. Competição de gênero é mais destrutiva que gol contra. Pai e mãe, cada um na sua posição, driblando, avançando, chutando, errando e acertando, para poder correr pro abraço, livres para comemorar da maneira que quiserem. O placar fica para a história de orgulho e amor da própria família.

*Claudia Queiroz é jornalista.