A crise financeira internacional sinaliza o fim da tendência global por economias liberais e mostra a necessidade dos governos de intervirem na ciranda financeira.

A crise financeira internacional sinaliza o fim da tendência global por economias liberais e mostra a necessidade dos governos de intervirem na ciranda financeira, com o propósito de regular o setor, para evitar estragos como os que estão acontecendo na Europa e nos Estados Unidos. A avaliação é do economista Kanitar Aymoré Saboia, do Conselho Federal de Economia, em entrevista ao programa Notícias da Manhã, da Rádio Nacional.

Ele considerou adequadas as medidas adotadas pelo governo brasileiro para conter os efeitos da crise sobre o crédito. Segundo o economista, o Brasil hoje controla melhor o setor financeiro, ao contrário do que acontecia no passado.

Kanitar acredita que no médio prazo as empresas brasileiras, especialmente as que trabalham com exportação do agronegócio, vão sentir os efeitos da crise, com a conseqüente queda do preço das commodities em geral.

Ele disse que a tendência de alta do dólar em relação ao real também deverá provocar a redução das importações, o que significa a diminuição da atividade econômica.

O economista previu a chegada de um processo de estagnação econômica nos próximos meses na Europa e nos Estados Unidos, lembrando que a economia globalizada tem efeitos positivos pela fluidez que propicia aos negócios, mas tem também como efeito colateral a irradiação dos efeitos predatórios com muita rapidez.

A conseqüência dessa crise para o Brasil, na avaliação de Kanitar, é a redução do crescimento econômico em 2009, que, segundo ele, ao invés de ficar entre 5% e 6%, deverá cair para 2,5% a 3%.