É preciso confiar

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A menos de 50 dias para a eleição (1º turno, terá segundo?) o nome de Marina Silva causa pavor no PSDB e também no PT, onde a seringueira (com todo o respeito) já esteve e por bom tempo. Tanto que o ex-presidente Lula procura uma ponte para dialogar com sua ex-ministra. Já o PSDB não quer falar em Marina. Nem contra, bem a favor. Aécio determinou: silêncio quanto a ela, deixemos o tempo passar. O problema é que o tempo passa voando e daqui a pouco será cada um por si. Imaginemos, só por imaginar, se o doloroso acidente que levou Eduardo Campos ocorresse mais próximo da eleição, seria um Deus nos acuda, pois aí, então, dar-se-ia como certa a eleição de Marina.

Mas afinal, como os partidos são todos iguais, será que podemos apontar diferenças fundamentais entre Dilma, Aécio, Marina. A ordem de preferência era essa, com Eduardo substituindo Marina. Era. Tudo mudou, ou muitos querem que mude, ou tantos outros temem que mude. Há muitos anos não temos eleições presidenciais ideológicas no país. Melhor dizendo, não temos uma diferenciação nítida entre o pessoal que quer mandar. É tudo igual, diz o homem da rua. E o que é pior: não acredita em ninguém, até mesmo em aspectos delicados como a lisura administrativa.

Não é bem assim, vamos dizer. É que o mal se espalha e fica difícil separar o joio do trigo. O que dá saudades ao escriba e a milhões de eleitores Brasil a fora. Por aqui e só lembrar de Munhoz da Rocha, Ney Braga, Parigot de Souza, assim coisa rápida. Lá em cima, de Vargas, Lacerda e toda sua empolgação, Juscelino e Tancredo Neves e uma infinidade de homens e mulheres que se amontoavam nas cadeiras legislativas sem as mordomias de hoje e de ontem também no Rio e em Brasília.

Vamos em frente e vamos confiar. Em não sendo assim, como proceder? Xingar todo mundo não resolve. Alguém já me ajuda e dirá: como sempre, escolher o menos pior. Feito. Esta é a segunda opção. A outra é realmente acreditar em um só acima dos outros, o escolhido levando nossos aplausos e nossas esperanças. O Brasil tem jeito. E entre uma briga e alguns desaforos de um contra outro tentemos de voltar aos velhos e bons tempos, sejam eles de Vargas, de Juscelino, de Jango, de Sarney, por que não, até Collor, passando-se por Geisel e Figueiredo. Só não vamos permitir que a inflação volte a alcançar os 80% ao mês, porque assim seria um deboche.

Temos gente qualificada. Antigos auxiliarem de Fernando Henrique e Lula, por exemplo, alguns bem que poderiam ajudar, mostrando para os ministros e assistentes de hoje que se nos dermos as mãos, nem que seja por poucos dias como no mundo árabe e judeu, teremos condições, não de pregar no deserto, mas de trocar abraços e rezar por um mundo mais justo para todos. O Brasil não é “anão na diplomacia”. Mas está na hora de cuidar das nossas questões internas e aplaudir a paz que deveremos ter, pois o cansaço é geral. Ninguém está ganhando. Nem cá, nem lá.

Ayrton Baptista, jornalista.