Almôndegas com purê de batatas. Ou com fritas. À primeira impressão, o prato parece bastante comum. Mas se for degustado no Restobières, um restaurante, como o nome indica, especializado em cervejas, a coisa muda de figura. São duas almôndegas gigantes regadas ao um molho saborosíssimo, acompanhadas de um purê consistente ou de batatas fritas, ao gosto do freguês. Para beber, por indicação do proprietário, Alain Fayt, a forte cerveja belga artesanal Herkenrode Vesper.
O detalhe que complica é que o lugar fica um pouco distante: em Bruxelas, a capital da Bélgica e, para ser mais exato, no número 9 da rue des Renards (ou Vossenstraat, no dialeto flamenco, a outra língua oficial do país, além do francês). Fui lá há poucas semanas, com minha mulher e uma filha, por sugestão de Marlon Schluga, diretor da importadora Notre Cave, especializada em vinhos do Rhône, que ali residiu por mais de um ano e conhece bem os meandros da cidade.

O Restobières fica numa simpática ladeira e só aceita clientes com reserva, mesmo que haja lugares disponíveis. E é bom chegar na hora. O cardápio tem especialidades com coelho, pato e salsichas, da cozinha típica belga, entre outras pedidas, além de entradas como paté de foie gras. E as almôndegas estão entre os pratos mais pedidos.

O Restobières é considerado um dos melhores restaurantes belgas. Está na rue de Renards há mais de 20 anos e atende para almoço de terça a domingo, a partir do meio-dia e para o jantar, das 19h. Fecha entre o Natal e o Ano Novo. Sua decoração interna é muito agradável, com as paredes forradas de latas e garrafas de cerveja, louças, balanças, fotos, entre outros objetos. Os preços das comidas ficam entre 20 e 40 euros, no jantar; no almoço, começam em 13 euros. Repasso a sugestão a quem pretende ir a Bruxelas.

A LA MORT SUBITE
Outra sugestão saborosa de Marlon Schluga na capital belga, seguida à risca e que resultou em momentos agradáveis numa casa centenária foi o Café Brasserie A la Mort Subite (7, rue Montaigne Aux Herbes), com seus petiscos, saladas, sanduíches (entre os quais os célebres Croque Monsieur e Croque Madame) e omeletes e sua coleção de boas cervejas – belgas, naturalmente, de abadia e trapistas, além das de outros países -, uma delas a própria Morte Súbita.
O restaurante tem uma história curiosa: no início dos anos 1900, chamava-se La Cour Royale e entre seus clientes havia muitos funcionários do Banco Nacional da Bélgica, que após as refeições e/ou copos de cerveja jogavam um jogo chamado 421. Na última rodada, antes de voltar ao batente, quem perdia era chamado de “Subite Mort”, ou morte súbita.
Quando o proprietário da casa, Theophile Vossen, resolveu mudar para o endereço atual, em 1928, batizou o pub como “No Subite Mort”, que derivou para “A la Mort Subite”. Seus filhos e netos continuaram na administração do lugar, hoje comandado por Bernard Moucharte e Olivier Hautfenne, da quarta geração da família. Pode ir lá sem medo de errar.