O dólar voltou a subir nesta sexta-feira (16) e fechou a R$ 4,0050, ganho de 0,370%. Esta é a quinta semana seguida de alta da moeda americana, com valorização de 1,5% desde segunda (12). Desde que iniciou a trajetória de alta em julho, com a piora do cenário econômico, o dólar subiu 6,87%, saindo de R$ 3,73 para R$ 4.
Na quinta (15), a moeda cedeu 1,260% ante real e foi para R$ 3,99 com o anúncio de interferência do Banco Central. A instituição irá oferecer vendas de dólar à vista e contratos de swap cambial por uma semana, a partir da próxima quarta (21).
A intenção é oferecer mais liquidez do mercado e evitar uma disparada da moeda. Com o risco de recessão global, investidores buscam sair de aplicações de risco, como emergentes, para aplicações mais seguras, como títulos do tesouro americano.
Em apenas cinco pregões, de 8 a 14 de agosto, estrangeiros retiraram R$ 4 bilhões da Bolsa brasileira. No ano, há um déficit de R$ 18,8 bilhões.
Além da guerra comercial, que impacta a economia global, a crise na Argentina também contribui para a saída desses investidores do Brasil. Além de ser o terceiro maior parceiro econômico do país e, assim, ter impactos diretos na economia brasileira, a Argentina contagia o Brasil por estar no mesmo grupo de investimentos sob a ótica dos estrangeiros, os emergentes da América Latina.
Com a piora no cenário global e regional, o risco-país do Brasil medido pelo CDS (Credit Defaut Swap), espécie de seguro contra calote, subiu 5% na semana e 10,5% no mês.
A economia vacilante levou economistas a preverem maiores cortes na taxa de juros, com a expectativa de Selic a 5% ao final do ano.
A aposta no corte de juros e mais estímulos econômicos foi um dos impulsos à alta dos mercados nesta sexta. Um dos membros do Banco Central Europeu (BCE) expressou que há grande necessidade que a instituição apresente um pacote de estímulos em setembro.
Há também a especulação de estímulos por parte da Alemanha. Segundo a revista Der Spiegel, o governo alemão considera aumentar a dívida interna para conceder mais fomentos à economia.
A China também se movimenta para evitar a piora de sua economia. No segundo trimestre, o crescimento do país desacelerou para perto da mínima de 30 anos com a guerra comercial e piora da economia global.
Nesta sexta, a agência de planejamento estatal chinesa afirmou que adotará um plano para aumentar a renda disponível neste ano e em 2020.
O plano incluirá reforma do sistema Hukou –um programa de registro familiar que serve como passaporte doméstico e regula a imigração rural para as cidades–, entre outras medidas, disse Meng Wei, porta-voz da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma.
Tais medidas de incentivo impulsionaram as principais Bolsas globais, que fecharam no azul.
S&P 500 subiu 1,44% e Dow Jones, 1,20%. Frankfurt teve alta de 1,31% e Londres de 0,71%. O índice CSI 300, que reúne as Bolsas chinesas de Xangai e Shenzhen, subiu 0,5%.
A Bolsa de Hong Kong teve o terceiro pregão de recuperação e subiu 0,94%. No início da semana o índice chegou a cair mais de 2% com o aumento dos protestos na região contra o governo chinês.
No Brasil, o Ibovespa acompanhou e subiu 0,75%, a 99.805 pontos. O giro financeiro foi de R$ 18,531 bilhões, acima da média diária para o ano. Na semana, uma das piores do ano, há queda de 4%.