Dólar tem a maior alta desde o final de 2008

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No mês, há alta acumulada de 9,68% e no ano, de 4,17%

A dilvugação da última pesquisa eleitoral do Datafolha, mostrando o crescimento da vantagem de Dilma Rousseff (PT) sobre Marina Silva (PSB) nas intenções de voto causou uma instabilidade no mercado financeiro do país nesta segunda-feira (29). O dólar fechou o dia de ontem em forte alta de 1,64%, chegando ao valor R$ 2,4557, a maior cotação desde o dia 9 de dezembro de 2008. O cenário internacional também teve forte influência na alta. No mês, o crescimento acumulado é de 9,68% e no ano, de 4,17%.

Repasse menor

A intensidade do repasse da variação do dólar para a inflação é bem menor do que há dez anos, na avaliação do diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo. De acordo com os economistas, um dos efeitos da alta do dólar na inflação é o aumento dos preços dos produtos importados.

O efeito também pode chegar a produtos fabricados no Brasil que tenham matérias-primas produzidas no exterior. Além disso, com o dólar mais caro, os exportadores podem preferir vender no exterior e, com a redução da oferta no país, os preços sobem.

Para o diretor, a intensidade do repasse depende do “tamanho da variação do câmbio”. Segundo ele, “o quão permanente essa variação é percebida pelos agentes e também da posição cíclica da economia [se está em retração, crescimento ou estagnação]”. Ou seja, com a economia atualmente em ritmo baixo de crescimento, o repasse da alta do dólar para os preços tende a ser menor. O BC espera que a economia cresça 0,7%, este ano.

Para fazer as projeções para a inflação, o BC usou em seu cenário de referência a taxa de câmbio em R$ 2,25. Mas o dólar tem superado R$ 2,40. Hoje, a cotação do dólar chegou a R$ 2,47, pela manhã. A data de corte escolhida pelo BC para fazer as projeções foi 5 deste mês.
Segundo o diretor, no futuro, com novas informações, as projeções do BC podem ser revistas. O próximo Relatório de Inflação, com as estimativas para inflação e para a economia, será divulgado em dezembro.

O diretor disse ainda que o programa de venda de dólares no mercado futuro seguirá até dezembro deste ano. No último dia 23 à noite, depois que o dólar ultrapassou a barreira de R$ 2,40, o BC anunciou o aumento da rolagem (renovação) de contratos de swap cambial, que equivalem à venda da moeda no mercado futuro. O BC decidiu ofertar 15 mil contratos (US$ 750 milhões), em vez de 6 mil contratos, por dia, como vinha fazendo. Além da rolagem, o BC manteve o programa de venda diária de 4 mil contratos.

“Não temos nenhum compromisso com patamares para taxa de câmbio”, disse o diretor. “Não fazemos projeção para taxa de câmbio. Não teria nada a acrescentar a esse respeito. Não esperamos nem que suba, nem que desça nem que fique parado”, enfatizou.