Ayrton Baptista

A presidente Dilma Rousseff tem a caneta. Não tão cheia neste final do primeiro mandato. Mas pode, com certeza, tomar medidas importantes com relação ao início do ano. Duas medidas urgentes e reabilitadoras: baixar o número (39) de ministros e suas pastas. Segundo, formar uma equipe de auxiliares, ministros, de dar inveja à oposição. Não terá inovado, por certo. Fernando Collor, perto do fim, formou um Ministério respeitável, Fernando Henrique convocou para a Saúde o hoje senador eleito José Serra. Uma unanimidade, Serra foi um ótimo ministro, ressaltando-se o coquetel contra o HIV, exemplo para o mundo.

Dilma pode não querer para a Fazenda um nome da expressão de Henrique Meireles, ou estender o reconhecimento de que pode cercar-se de nomes de expressão e competentes. Nesse caso, se continuar como está, repete os últimos quatro anos, com ministros inexpressivos, mas que ela pode manobrar como entender por bem. Há uma diferença que uma mulher inteligente sabe: é mais fácil debater com quem tem competência do que com a turma do “sim, senhora”. Não é só o PT, no PMDB, no PP e outros penduricalhos que se encontram nomes bons. Fora dessas siglas, na iniciativa privada, por exemplo, poderão ser convocados e prestarem bons serviços ao país e a ela, Dilma.

E isso se torna urgente porque a Petrobrás foi para o espaço. O maior exemplo brasileiro de empresa admirada e da qual todos nós nos orgulhamos está bastante ferida, com pré-sal e tudo. Pena, porque ela era muito respeitada no mundo. Hoje, os correspondentes estrangeiros têem um prato diário que exportam para o planeta diariamente, fazendo o papel do informante internacional, mas ajudando a moer o que resta do prestígio da antiga estatal.

Por isso, os últimos acontecimentos precisam ser bem apreciados. Os culpados punidos, neste que é o processo mais desmoralizante já observado no país. Problemas, sim. Mas ainda que dure anos, os culpados deverão ser apontados e punidos, doa a quem doer, como ficou fácil de dizer para as autoridades que procuram livrar a Presidente do escândalo. O governo quer que se ponha um fim nisso tudo, diz o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso que foi um bom deputado federal e que tem por sonho, legitimamente, ser nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal. Cardoso falou quando Dilma estava fora, mas, por certo, com o conhecimento da chefe. Não se queira, agora, esconde-la. Dilma e tantas outras autoridades que passaram de uma ou outra forma perto da Petrobras precisam atuar agora no sentido de restabelecer a respeitabilidade da empresa. Sobretudo às pessoas que integraram sua direção, suas diretorias, seus conselhos, “que mamaram nas tetas da grande empresa”.

Não devem se esconder Dilma, Lula e outros mais. É muito difícil entender-se que através dos anos ninguém foi capaz de saber o que se passava.

Sabem eles que no serviço público não é difícil o vazamento do que ocorre. De bem e de mal. Portanto, há que se punir, por ladroagem ou mesmo por incompetência. A fila é grande.

Ayrton Baptista, jornalista.

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