Ayrton Baptista

Reempossados a presidente Dilma Rousseff e o governador Beto Richa, ambas as administrações recomeçam um trabalho que se estima seja, lá e cá, melhor do que o dos últimos quatros anos. Ney Braga fez um bom primeiro governo. Não se diz o mesmo da reprise. Fernando Henrique idem. Foi bem quando chegou e não tanto quando repetiu. Claro, depende da posição de cada um dos avaliadores. Seja como for, é mais ou menos isso, o que vale para outros passados e futuros dirigentes do país e do Estado.

Dilma tem 39 ministros para mandar agir. Sem ironia, entendo que ela não conhecia a todos, não sabe o nome de alguns e engoliu alguns por falta de tempo ou de condições político- partidárias. Ela e seu adversário político aqui do PSDB, têm o calcanhar de aquiles na Fazenda. Joaquim Levy, ao que tudo indica, fará esquecer logo, Guido Mantega. E sem nenhum esforço. Já o secretário da Fazenda do Paraná, Mauro Ricardo Costa, pode usar o “veio, viu e venceu”. Se há alguém que o rejeita por não ser daqui, escondeu-se. Se alguém falou, foi em tom baixo para não ser ouvido. Afinal, como condenar quem está com a caneta cheia, embora os reclamos gerais de que há uma herança maldita deixada pelo que promete salvar as finanças do Paraná.

Pois nesses particulares, em Brasília e no Paraná, a torcida só pode ser a favor. As medidas já tomadas a nível federal foram ditadas por Levy, claro. Se machuca muitos, alguns ou poucos, é de se aceitar, já que o que vale, mesmo, é uma boa situação para o país. Por aqui, não há o que esquecer. Boa gente antecedeu ao novo secretário. Isso tudo ainda que ele, Mauro, tenha destacado o fato de que precisamos gastar menos para equilibrar as finanças do Estado. Que ele tenha a compreensão e a ajuda gerais, ainda que até uma simples dona de casa saiba que orçamento não se estica, ou se estica uma hora arrebenta.

A presidente Dilma, além de cuidar de seus pupilos, tem que apaziguar a própria casa. Lula não gostou de alguns nomes, outros aliados também. Mas, convenhamos, a presidente tem que arcar com os problemas, pois Lula já foi, embora ainda possa ser novamente. É ela que quer passar a história com o respeito de todos nós. Tem quatro anos para isso, pode e deve tomar medidas sem perguntar para ninguém. Até porque não é seu estilo. Manda e não pede. Se fizer isso na Fazenda com Levy, ficará falando sozinha e acaba seu Governo. É uma chance imperdível.

Da parte do nosso governador, as coisas parecem mais amenas. Aceitou a indicação do novo titular das finanças. Deposita esperanças de ver tudo em ordem, ainda que só lembre que a desordem é dele também. Preferiu a indicação feita por José Serra. No mínimo, Beto Richa quer é estar bem com a cúpula de seu partido. Vôos mais altos o esperam. Que ele saiba como alça-los. Afinal, se torcemos pelo ator curitibano Alexandre Nero, não vamos deixar ao leo o líder de uma importante facção política.

Ayrton Baptista, jornalista. 

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