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De Hércules a Odin, de Moisés a Jesus, semi-deuses gregos e romanos, mitos escandinavos e personagens bíblicos povoam o imaginário de Hollywood. Faltava contemplar a mitologia egípcia. Não falta mais: está nas telas Deuses do Egito. Não se trata de um drama épico, pois resvala na paródia com toques shakesperianos. Ao fim das contas, é um filme engraçado, com seu melhor momento nos diálogos do deus Rá (Geoffrey Rush, Oscar de Melhor Ator por Shine) com seu filho ambicioso Seth (Gerard Butler, o mesmo que fez o rei de Esparta).

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À altura dos filmes do gênero, até melhor que alguns titãs das telas, as críticas que se fazem a Deuses do Egito  também soam engraçadas. Reclamam do elenco branquelo como se alguma vez tivesse sido ao contrário na Meca do cinema. Ou faltou reparo para Chadwick Boseman,  o único ator negro da trama, mas  encarna um importante deus, o da sabedoria. Ah, falando nisso, reclamam da performance dos atores, como se sair voando com asas de ouro merecesse profunda interpretação.

A deusa Ísis  foi esquecida nesse panteão, mas também não faz falta. O filme não é um livro de história. E a opção por Hathor, deusa do amor (Elodie Yung), bem serve à ideia do clássico triângulo amoroso.

ca. 1992 --- Egyptian ruler Ramses II, (1304-1237 BC), third king of the 19th Dynasty, and his chief wife Nefertari pay hamage to the god Hathor. --- Image by © Christine Osborne/CORBIS

Também reclamam do enredo, mas a luta de bem contra o mal não é um clássico? E aqui a história fica jovial graças ao recurso de um romance entre humanos (Brenton Thwaites e Courtney Eaton) aliado ao serviço a favor do salvador da humanidade Hórus (Nikolaj Coster-Waldau). E fica divertida graças às peripécias dos deuses, seus monstros e alegorias em profusão. Apesar de tudo isso, o filme bate na trave das bilheterias. Contudo, o diretor Alex Proyas pode não dar ao público um presente dos deuses, mas também não é um presente de grego.