Poltrona Ouro Preto, projetada por Jorge Zalszupin no final dos anos 50 e reeditada pela Etel Design: ícone modernista brasileiro

O Brasil vive um momento de alta projeção em relação ao seu design no mundo. Este interesse chega também aos países da Ásia, onde pela primeira vez a Embaixada do Brasil em Tóquio reúne em um mesmo local peças de ícones do design modernista brasileiro, na exposição “Design de Mobiliário Brasileiro: a última expressão do modernismo”, realizada entre 8 e 11 de julho no marcante edifício da Embaixada, projetado por Ruy Ohtake na década de 1980 e já apontado pelo jornal New York Times como “uma das preciosidades da arquitetura contemporânea da capital japonesa”.
A partir do marco modernista, a exposição traz um roteiro precioso da criação brasileira, com peças referenciais de nomes como Lina Bo Bardi, Sérgio Rodrigues, Paulo Mendes da Rocha, José Zanine, Caldas, Jorge Zalszupin, Oscar Niemeyer, Jean Gillon, Hauner & Eisler e Giuseppe Scapinelli.
“Estamos muito honrados por colaborar diretamente para a realização da primeira exposição dedicada ao design brasileiro realizada na Embaixada Brasileira em Tóquio em parceria com a galeria japonesa Atelier. O reconhecimento e o respeito do povo japonês ao nosso design são maravilhosos”, afirma Lissa Carmona, CEO da Etel Design, que forneceu peças à galeria japonesa Atelier, que cedeu os móveis para a realização da exposição.

PROJEÇÃO DO BRASIL
Para a presidente da Abimóvel – Associação Brasileira das Indústrias do Mobiliário, Maristela Cusin Longhi, ações como esta são muito positivas para valorizar o design do Brasil. “Como uma entidade voltada à projeção do setor e do design aplicado à indústria brasileira nos mercados nacional e internacional, a Abimóvel, em parceria com a Apex-Brasil através do Projeto Brazilian Furniture, apoia ações de parceiros relevantes como a Etel Design, com peças presentes na exposição da Embaixada do Brasil em Tóquio”, enfatiza.
Por meio de ações como o Projeto Comprador, missões internacionais e exposição em grandes eventos mundiais, como o Salone del Mobile, em Milão, a Abimóvel faz projeções de US$ 60 milhões em negócios, contabilizando contratos em andamento até agosto de 2019. No primeiro semestre, participaram das ações mais de 200 empresas, gerando mais de 6,7 mil contatos.

BRASILIDADE
Raphael Nascimento, diretor de Diplomacia e Imprensa da Embaixada do Brasil no Japão, explica que a exposição foi um desdobramento de uma série iniciada em outubro de 2018 no instagram da Embaixada (@brasembtokyo) para divulgar os “mestres do design” brasileiro no Japão. “Representantes da galeria japonesa Atelier entraram em contato dizendo que gostariam de adquirir móveis assinados brasileiros, em especial peças dos anos 40, 50 e 60”, revela. “Os representantes da galeria viajaram ao Brasil, mantiveram reuniões intermediadas pela Embaixada e voltaram para o Japão com quase vinte peças. Propus então a eles que, antes de disponibilizá-las para venda na galeria, fizéssemos uma exposição na Embaixada”, assinala. A mostra recebeu, no evento de inauguração em 8 de julho, em torno de 200 convidados, entre imprensa especializada, arquitetos, colecionadores e galeristas japoneses.
No acervo adquirido pela galeria Atelier há peças vintage (dois bancos SESC, três Girafas e uma Casa Cirell, de Lina Bo Bardi; duas poltronas, uma estante e dois bancos esculpidos em madeira de Zanine Caldas; e uma poltrona Costela, da Forma) e reedições, adquiridas da Etel Design (cadeira Masp, de Lina Bo Bardi, mesa João, de Zanine Caldas, e poltrona Ouro Preto, de Jorge Zalszupin) e da Lin Brasil (sofá Mole e banco Mocho, de Sérgio Rodrigues).
“Mais do que simples expressão de nossa “brasilidade”, a escola brasileira de design de mobiliário, cuja gênese é possível estabelecer no início dos anos 40, se consolidou e hoje pode ser posicionada no mesmo patamar de tradições como a dinamarquesa e a italiana”, destaca o embaixador do Brasil no Japão Eduardo Saboia, no catálogo de exposição da mostra.