Capa do livro

A contradição é aparente ou de fato existe? Os descendentes de japoneses no Paraná, da terceira geração em diante (mais particularmente) estariam se distanciando da cultura de seus ancestrais? O médico Mário Sato, de Curitiba, diz que sim. E ele tem autoridade, há anos dirige a Associação Paranaense de |Ex-Bolsistas Brasil-Japão. E estuda o assunto com profundidade, recolhe opiniões na colônia nipônica sobre o tema. As indagações de Sato sobre esse distanciamento dos descendentes de nipônicos da cultura e da herança cultural de seus pais resultaram em amplo olhar de diversos nisseis e sansseis. As conclusões de tudo estão no livro que o médico lançará em Curitiba neste sábado, 14. Ao mesmo tempo em que os descendentes de japoneses se mostram “distantes do Japão”, amplia-se o interesse dos brasileiros pelo país, sua vida, e os costumes de sua gente. Um dado bem claro: o amplo interesse pelos restaurantes japoneses no Brasil. Acompanhe a entrevista com Sato:

1 – A CULTURA NIPÔNICA
Fale do livro que a APAEX – Associação Paranaense de Ex-bolsistas Brasil-Japão vai lançar um livro sobre cultura japonesa. Como nasceu a idéia da edição?

autor Mário Sato

Mário: O livro – Reflexões sobre Cultura Japonesa à luz do século XXI – editado por mim e com a coordenação da professora Tereza Rezende, comemora os 32 anos de existência da APAEX. Eu, pessoalmente, tenho um projeto acalentado desde os tempos em que era bolsista no Japão, que é o de difundir a cultura e valores japoneses, um pouco porque isso vem se esgarçando entre os descendentes nisseis no Brasil. Assim, como presidente da entidade, realizei sete seminários sobre cultura japonesa, em Curitiba e nas cidades onde temos sub-sedes. Cada uma delas adotou um tema: religião, estética, dekassegui, direito, educação, saúde e meio-ambiente. Reunimos estudiosos da área e cada um deles contribuiu com o artigo da palestra, ora figurando no livro.

2 – INTERESSE VAI CRESCENDO
A quem vai interessar essa leitura?

Mário: muitos serão os interessados. Acredito que o interesse sobre o Japão vem crescendo bastante nos últimos tempos. Basta observar os cursos de língua japonesa, e verificar que o número de não-descendentes frequentando as aulas supera o de descendentes. Ou melhor, veja os restaurantes de culinária japonesa, e isso já é um termômetro. O livro traz um subtítulo Tradição X Modernidade pois trata-se, por exemplo, não somente de dizer o que é bushidô (milenar código de honra e conduta dos samurais) mas também como isso se reflete até hoje nos códigos de conduta nos negócios, nas relações familiares e sociais no Japão.

3 – DE INÍCIO, FARTA DISTRIBUIÇÃO
O livro vai estar à venda nas livrarias?

Mário: Num primeiro momento, ele será destinado gratuitamente às bibliotecas de universidades brasileiras e japonesas como a Universidade de Sofia, em Tóquio, considerada o melhor centro de cultura portuguesa do Japão. Também receberão o livro, entidades que propiciem cursos de língua japonesa. E, evidentemente, os associados da APAEX, corpo consular, Ministério das Relações Exteriores do Japão e a Japan International Cooperation Agency- JICA – nosso principal patrocinador. Num segundo momento, estará disponível à venda nas principais livrarias e consideramos até em uma versão inglesa do livro para o próximo ano.

Quando será o lançamento?

Mario; Vai ser agora, no sábado, dia 14, nas dependências do Hotel Hara Palace, das 11h às 12h30. Em tempo: o Hotel fica na Avenida Iguaçu,931, sala

Rafael Pussoli, presidente

NATAL COM ‘TRANÇAS’
A notícia é duplamente interessante: a Casa dos Pobres São João Batista, conhecida também como Albergue, reabriu sua padaria, o que lhe possibilita ampliar receita para atender a uma clientela que demanda cerca de 800 refeições diárias, boa parte dela abrigada pela instituição. A Padaria Flor da Aurora volta a vender suas tranças de chocolate branco e nozes amassadas, uma delícia. Boa sugestão natalina. A Casa dos Pobres fica na Piquiri, 326, esquina de Brasílio Itiberê,Rebouças.

 

NATAL COM (2)
Outra forma de ajudar a essa obra fundada há 62 anos, parte da História de Curitiba, é encaminhar roupas usadas como doação à Casa dos Pobres. O bazar de usados é a grande fonte de receita regular da instituiçãodirigida pelo empresário Rafael Pussolli.

Empresário José Maria Muller

ESTACIONAMENTOS DA URBS: RECEITA DE R$ 24 MILHÕES/ANO

Os estacionamentos da URBS na Praça Rui Barbosa, com centenas de vagas, e na RodoFerroviária, foram privatizados no apagar das luzes da Administração Luciano Ducci. Foram, em 27 e 29 de dezembro de 2012, concedidos para exploração à Estapar, do empresário José Maria Muller. A administração atual da URBS e o Procurador do Município não viram motivos para anular a decisão de Ducci, embora gritas persistam em certos setores políticos. Os estacionamentos, fortes fontes de receitas da URBS, devem gerar cerca de R$ 24 milhões/ano de receita, segundo estimativas de empresários que atuam no setor.

“HELENA” SOB NOVA DIREÇÃO

Ernani Buchmann

O projeto editorial de uma das melhores revistas culturais que o Paraná já teve (a insuperável, na minha opinião, foi a ETC, da Travessa dos Editores), ‘Helena’, da Secretaria de Estado da Cultura, é do jornalista e escritor Ernani Buchmann. Ousada e fazendo imersões no Paraná de muitas dimensões (históricas, por exemplo), a revista está sob nova direção. Passou a ser responsabilidade da Biblioteca Pública do Paraná, comandada por Rogério Pereira, bem sucedido proprietário do jornal “Rascunho”.

 

fotocópia do primeiro registro profissional de Ernani

“HELENA” (2)

Ernani não queria nada além do que havia sido com ele compromissado, o de fornecer consultoria editorial a “Helena”. Mas sequer foi avisado da novidade pelo secretário Paulino Viapiana. Muito menos por Rogério Pereira. Só alguém de undécimo escalão da Secretariaria deu-lhe as “boas novas”.

“HELENA” (3)
Que Ernani tem uma enorme história nos meios de comunicação e na vida cultural do Paraná, ninguém duvida. Começou como jornalista (e na profissão se aposentou) em 1971, como repórter de rádio. Depois veio o Curso de Direito, na UFPR, no tempo em que se formar em ciências jurídicas era coisa muito séria e para poucos. O hoje acadêmico da Academia Paranaense de Letras, escritor e assessor de imprensa da OAB-PR é parte de uma geração de profissionais em extinção, em termos de qualidade e currículo.

BIOÉTICA NA BERLINDA, COM SANCHES E URBAN

Mário Sanches, a nossa grande autoridade em Bioética, com doutorado e formação em centros universitários mundiais, será um dos acadêmicos mais prestigiados do novo reitor da PUC, segundo avaliam fontes da Pontifícia Universidade Católica. Isso porque o biólogo Waldemiro Gremski, preocupadíssimo com pesquisas científicas, desenvolvimento tecnológico, inovação e internacionalização da PUCPR, tem, ao mesmo tempo, grande acuidade pelas questões de Bioética. E sempre quando pode, refere-se à obra de Sanches. No Curso de Medicina da PUCPR, o grande reforço é a presença do bioeticista (da escola de Sgreccia), oncologista, autor de obras sobre Bioética e Câncer Cícero de Andrade Urban. Ele lecionou até recentemente na Universidade Positivo.

CENTRO DE LETRAS
Alzeli Basseti, recém empossada na presidência do Centro de Letras do Paraná, o pesquisador José Manoel de Barros Dias e os cantores e compositores Orly Bach e Bido Porfirio participaram do programa “Nossa História Especial -Natal e Ano Novo” com Zélia Sell. Contando recordações da infância e tradições familiares, revelaram também suas perspectivas para 2014. O programa “Nossa História” irá ao ar no domingo às 9:00 horas da manhã com transmissão pela rádio E-Paraná Am 630 e também poderá ser ouvido pela internet acessando:www.rtve.pr.gov.br. Contatos: Caixa Postal 25 – cep 80011970 – Curitiba.

Estudante Brayan Jheyson Conceição Beraldo, 13 anos, Medalha de Ouro e campeão na 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas

CAMPEÃO OLÍMPICO DE MATEMÁTICA
O estudante Brayan Jheyson Conceição Beraldo, aluno do 8º ano do ensino fundamental, acaba de conquistar Medalha de Ouro e sagrar-se campeão na 9ª Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas, concorrendo com centenas de alunos de todo o Brasil. Essa conquista do jovem, de apenas 13 anos, comprova a importância do apoio e do incentivo que recebem do Programa Bom Aluno, criado por dois empresários paranaenses , preocupados em garantir um futuro melhor para jovens estudantes de baixa renda.

CAMPEÃO OLIMPÍCO (2)
Outra vitória que está sendo comemorada pelo Programa é a aprovação de 100% dos 14 jovens que este ano se submeteram aos exames vestibulares. Quatro deles , inclusive, obtiveram os primeiros lugares nos cursos escolhidos, como é o caso de Camille Gomes de Carvalho, no curso de Nutrição da Universidade Positivo , Lucas Deda, em Engenharia Mecânica, na Positivo, Lugan Thierry da Costa, em Direito, na PUCPR e Cristian Teixeira dos Santos, em Engenharia Mecânica, na PUCPR e na Universidade Positivo.

E MUITO MAIS PARA COMEMORAR
O Projeto Bom Aluno, gerado e bancado pela iniciativa de dois empresários – Francisco Simeão Neto e Luiz Bonacin- tem muito mais a celebrar. Como Higor Lambach, estudante de jornalismo da Universidade Federal do Paraná, ter sido um dos premiados na 18ª edição do Prêmio Sangue Novo, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Paraná, na categoria melhor pesquisa. Outro destaque é a conquista de Cristian Teixeira dos Santos, com a Medalha de Ouro na Olimpíada Brasileira de Astronomia e Astronáutica , em outubro passado, sem contar a participação de 16 estudantes no “Ciência sem Fronteiras”, programa de intercâmbio do governo federal que busca a inserção dos nossos universitários junto a grandes universidade no exterior

OPINIÃO DE VALOR

POLANYI E O PENSAMENTO ECONÔMICO DO PAPA FRANCISCO.

Entrevista especial com Luiz Gonzaga Belluzzo (Parte Final)

IHU On-Line – Vê uma mudança no posicionamento de Francisco em relação à Doutrina Social da Igreja? A visão econômica defendida pelo papa se aproxima e se distancia de documentos anteriores da Igreja?

Luiz Gonzaga Belluzzo

Luiz Gonzaga Belluzzo – Não. Esse pensamento vem desde a Rerum Novarum, passando depois por outras encíclicas como Mater et Magistra, Pacem in Terris, que foram formuladas por João XXIII, depois tiveram as propostas do Concílio Vaticano II, mas que foram sendo esvaziadas progressivamente pelos papas que sucederam João XXIII. O papa Francisco voltou às questões tratadas por João XXIII, porque notou um afastamento, dos próprios cristãos, dos princípios que devem reger a vida cristã. Ele fala inclusive do risco das religiões que são utilitaristas, que na verdade se pautam por uma espécie de “consumismo do Sagrado”, e isso repercute no modo de vida que as pessoas têm hoje, completamente absorvidas pelo afã de acumular bens materiais. Por isso ele fala da alegria do Evangelho, que você pode ser muito mais realizado se tiver uma vida mais próxima daquilo que Cristo propôs.

IHU On-Line – Vislumbra no discurso do papa um desejo de superação do capitalismo, ou um controle maior na economia, ou, ainda, seu discurso transita em outro nível?

Luiz Gonzaga Belluzzo – O discurso está posto no nível do Evangelho. Ele está dizendo que o cristão não poderá realizar o seu projeto nesta Terra. Diz isso porque a Igreja se preocupa com a salvação interna, mas se preocupa também com o bem-estar e a felicidade dos homens na Terra. Acho que nenhuma vez ele usou a palavra capitalismo, e nem precisa usar. Eu fui seminarista dos jesuítas, e um amigo me perguntou como o Evangelho era lido. Respondi que no meu tempo era lido em latim. Por incrível que pareça, o primeiro texto que li sobre Marx foi La pensée de Karl Marx, do jesuíta Jean-Yves Calvez, escrito em 1956, se não me engano. É um livro que trata do marco desse ponto de vista que apontei aqui.

IHU On-Line – Como você vê essa crítica da Igreja ao marxismo, especialmente de Bento XVI, mais recentemente?

Luiz Gonzaga Belluzzo – Bento XVI é um intelectual, e quando ele fala do marxismo, imagino que esteja falando do socialismo real, do materialismo, etc. Agora, o problema é que o materialismo de Marx diz o seguinte: “É preciso que se tomem os objetos tais como eles existem”. Ele está falando de uma ontologia do econômico, uma ontologia do ser social, como escrevi no meu último livro. Ele estava mostrando que essa ontologia era alienante, como o papa usa hoje a palavra alienante num dos trechos do seu texto, porque ela desviava o homem da realização da sua subjetividade livre. Acho interessante o debate entre Jürgen Habermas e Ratzinger, mas Bento XVI, ao contrário de Bergoglio, não conseguiu se livrar dessa visão parcial, que está maculada historicamente pela experiência do socialismo, que foi trágica, porque o socialismo real tentou realizar exatamente aquilo que o capitalismo vem realizando. Ele abandonou todos os princípios ou os projetos que Marx originalmente concedeu ou imaginou.

IHU On-Line – Em que medida Marx se enquadra na tradição judaica cristã?

Luiz Gonzaga Belluzzo
– Na medida em que ele está mergulhado naquela preocupação com os caminhos da liberdade do homem e da sua realização integral. Ele diz que o homem vai se realizar na história, e isso está na base do cristianismo. O marxismo cai nessa tradição, aliás, não há como o destrinchar do horizonte do pensamento da filosofia.

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