Deputado repete crime do pai e participa de fraude na Assembleia de Rondônia, diz PF

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FABIANO MAISONNAVE
MANAUS, AM (FOLHAPRESS) – A Polícia Federal realizou na quinta-feira (5) uma megaoperação contra organizações criminosas envolvendo deputados estaduais, servidores públicos e empresários da pecuária de Rondônia.
As investigações incluem o presidente da Assembleia Legislativa, Laerte Gomes (PSDB), suspeito de manter funcionário fantasma e de ter fraudado a eleição para chegar ao cargo, segundo a PF.
O outro parlamentar na mira da polícia é o deputado estadual Jean Oliveira (MDB). Trata-se do filho do ex-presidente da Assembleia Carlão de Oliveira, que está foragido da Justiça após ser condenado por desvio de recursos -resultado da Operação Dominó, deflagrada pela PF em 2006.
A ação, que envolveu cerca de 200 policiais e 50 viaturas, se divide em três linhas de investigação: irregularidades na Assembleia; fraude em operação com gado envolvendo pecuaristas, frigoríficos e funcionários públicos estaduais; e grilagem e fraude em indenizações de terras.
Segundo fonte com acesso aos autos, Oliveira está envolvido tanto em fraudes na Assembleia quanto com títulos de terras. Em seu gabinete, o parlamentar praticaria a “rachadinha”, ou seja, ficaria com parte dos salários de seus assessores.
No ano passado, seu pai, já foragido, foi condenado em segunda instância a 16 anos de prisão por desvio na folha de pagamento da Assembleia.
A investigação aponta que Oliveira participava da elaboração de um projeto de lei que obrigaria o governo estadual a reconhecer títulos de propriedades “podres” -documentos antigos, outorgados a seringueiros.
Com isso, seria possível grilar áreas protegidas ou usar os títulos para conseguir vantagens e créditos do governo estadual, em conluio com servidores da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental.
A PF também apontou um esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o “núcleo familiar” de Carlão de Oliveira. Mesmo foragido há anos, foi expedido um novo mandado de prisão.
Ao todo, a PF obteve da Justiça 11 mandados de prisão, três de prisão temporária, dez de suspensão do exercício da função pública e 52 de busca e apreensão em sete cidades, incluindo Cuiabá. Os deputados não foram presos.
A operação foi batizada de Feldeberg, a montanha mais alta da Floresta Negra, na Alemanha, “em alusão à alta cúpula investigada e à forma obscura da prática dos crimes”.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Assembleia, que não respondeu aos pedidos de entrevista com os dois parlamentares. Em nota à imprensa, a Assembleia se limitou a dizer que está colaborando com as investigações.
O Ministério Público de Rondônia, que participa da apuração, informou que não irá se pronunciar no momento.