O Coletivo Tombado, de Brasília, vem a Curitiba, que até domingo está em clima de Festival de Teatro, para apresentar o espetáculo Para Mahal, em maio. Inspirada no romance Tu não te moves de ti, um conjunto de novelas de Hilda Hilst, a peça é composta por três seções narrativas, aparentemente independentes, cabendo ao público a ligação entre elas.
A produção informa que a montagem mescla uma série de linguagens: literária, cênica, musical e audiovisual, com projeções, captação e transmissão ao vivo via internet. Neste universo multimídia, as experimentações linguísticas, os novos vocábulos, além das expressões soltas, caracterizam uma luta com as palavras e os sentidos. Os personagens ganham forma a medida em que atravessam questões metafísicas, filosóficas, cotidianas, religiosas e morais.
Sinopse: a primeira sessão apresenta um bem sucedido executivo, Tadeu da Razão, que ocupa um cargo desejado por qualquer pessoa que segue a lógica do capital. No entanto, ao chegar aos 50 anos de vida e 30 de casamento, passa a rever seus valores, a questionar a existência e a vida de aparências que leva ao lado de Rute, sua esposa, que não compreende suas inquietações e sua insatisfação com a vida, com as pessoas e com o ambiente ao redor.
A segunda novela narra a trajetória de Maria Matamoros, que vive em um lugar longínquo e pouco habitado. Ela é puro sentido: tato, visão, paladar. Só assim conhece o que vê. No entanto, a vida cheia e plena muda com a chegada de um homem-anjo, nomeado por ela como Meu. Ao levar esse pequeno pedaço divino para casa ela se depara com o ciúme e o medo de perdê-lo; começando a desconfiar de sua mãe, Haiága, que com a chegada do homem se embeleza. Assim, Maria experimenta uma relação amorosa cheia de desejos, de sensações e de sentimentos perigosos. Por Matamoros imaginar que está sendo amorosamente traída pela mãe, surge uma tensão destruidora que se arrasta até o desfecho da ação.
Na últimna sessão, Azelrod da Proporção é o trem-território movente das especulações do Sr. Axelrod Silva, professor de história política, passageiro e sobrinho de Haiága. Em Axel, a história roda, gira de cima abaixo revelando o ser humano em múltipla dimensão. Assim se revelam as camadas da sua psique, suas relações com o pai, com o divino, com os dogmas, com suas certezas demolidas. São esses questionamentos que dão título ao romance: por mais que ele se mova e que o trem se mova em direção ao seu destino, uma voz sempre lhe diz: “tu não te moves de ti”.
Agende-se: 4 e 5 de maio, às 21h, e 6 de maio, às 19h, no Espaço Fantástico das Artes. Na apresentação de domingo, haverá intérprete de libras e distribuição de cortesias para as primeiras 20 pessoas com deficiência auditiva que chegarem. Os ingressos custam 30 e 15 reais.