Edson Bueno nasceu para o teatro. É o que se percebe vendo seu trabalho de palco, tanto como ator, autor e diretor. E é o que se comprova agora em livro, ao se conhecer, nos bastidores, suas dores e glórias. No caso, O Meu Delírio – Textos e Memórias de Encenação, que ele autografa nesta quarta dia 26. O livro traz confidências e, entre mais de 50 que já escreveu, quatro peças – marcos na produção do Grupo Delírio, mas uma delas é marco também na história do teatro paranaense – New York por Will Eisner.

O livro traz ainda depoimentos e um deles, de Áldice Lopes, ator-fundador do Grupo Delírio com Edson Bueno, faz as honras da abertura, lembrando da encenação da histórica peça de Vianinha, Rasga Coração, que fez a cabeça dele e do amigo. Desde aí a leitura já situa o teatro na égide da censura e os dribles dos criadores da sanha da tesoura.

Com bem ilustradas 364 páginas, O Meu Delírio foi concebido por Bueno e pelo jornalista Alvaro Collaço, que produziu a edição. A direção de arte é de Adalberto Camargo, trazendo na capa uma foto em preto e branco de Ennio Vianna que, sutilmente, remete a The Spirit, personagem vivido por Rafael Camargo em New York New York por Will Eisner. Fotos, de Chico Nogueira, Elenize Dezgeninski, Gustavo Härtel e Neni Glock, além de cartazes, como o marcante trabalho do cartunista Solda para a peça Um Rato em Família.

Além de Um Rato em Família e New York por Will Eisner, Edson Bueno transcreve no livro mais dois textos, Vermelho Sangue Amarelo Surdo (sobre as cartas de Van Gogh) e Metamorphosis, que resultaram em sensíveis encenações do Grupo Delírio e somaram, todas elas, vinte troféus Gralha Azul, o Oscar do teatro paranaense, promovido pelo sindicato da classe. O interessante é que Bueno revela o processo de criação de cada peça e convidou seus atores a escrever sobre elas.

Desde a entrada no curso de artes cênicas do Teatro Guaíra passaram-se 37 anos. “Quando escolhi fazer teatro em 1982, levei a decisão muito a sério, fui de cabeça e não abandonei nunca. Até hoje, dedico-me o tempo todo e com intensidade. Faço teatro 24 horas por dia, todos os dias. Ainda. Não sei até quando vou aguentar, ou até quando o povo vai me aguentar, mas eu continuo diariamente fazendo teatro”, diz Edson Bueno. Vá em frente – a gente aguenta e bate palmas.

Anote: Lançamento no Piso San Marco do Shopping Itália nesta quarta-feira, dia 26, às 19h30 horas, no EBANX, que apoiou a edição por meio da Lei Municipal de Incentivo à  Cultura da Fundação Cultural de Curitiba. Entrada franca.

Um Rato em Família: Áldice Lopes e Silvia Monteiro. (Foto de Chico Nogueira)

The Spirit: personagem de HQ ganha vida em New York por Will Eisner.

Vermelho Sangue Amarelo Surdo: Ranieri Gonzales como Van Gogh.Metamorphosis: Elder Gattely como Gregor Samsa.(Foto de Elenize Dezgeniski)

Edson Bueno em cena. (Foto de Chico Nogueira).