Por Marcelo Lage*

A nova linha de crédito imobiliário da Caixa indexada ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve resultar em juros mais baixos para o sistema de financiamento imobiliário. Só isso já faz dela uma novidade muito positiva para o mercado. A iniciativa da Caixa deve forçar os demais bancos que atuam no financiamento imobiliário a reverem seus produtos, acompanhando esta nova opção. A se confirmarem estas expectativas, podemos ter um ciclo importante de fortalecimento da indústria da construção civil.

 

E, apesar de não contemplar o Programa Minha Casa Minha Vida, esta nova sistemática tende a pressionar a taxa de juros atualmente praticada no programa, que tem por premissa oferecer condições mais favoráveis aos compradores de menor poder aquisitivo. Para os imóveis prontos que superem o limite do programa, financiados através do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos), esta nova regra pode interessar aos clientes, já que parte de uma base de juros mais baixa.

 

Em um cenário de inflação controlada, esta nova forma de correção dos contratos é vantajosa. Mas é preciso alertar: há um risco futuro que precisa ser ponderado, pela longa duração do contrato. Se os preços voltarem a disparar em algum momento, o mutuário poderá ficar exposto a variação dos juros e passível de inadimplência. O financiamento imobiliário é um compromisso de longo prazo, chegando a 30 anos na maior parte dos contratos. Por isso, a modalidade com a correção pelo IPCA será especialmente interessante para o cliente que conseguir quitar o financiamento antes do prazo total, reduzindo sua exposição ao risco inflacionário.

 

De toda forma, registre-se que o Brasil ainda é muito dependente dos recursos da poupança e do fundo de garantia – FGTS para o financiamento imobiliário. Pensando num cenário global, percebemos que há grande espaço para outras fontes de financiamento, ainda pouco conhecidas e exploradas localmente, como os FII’s (Fundos de Investimento Imobiliário), as LCI’s (Letras de Crédito Imobiliário) e CRI’s (Certificados de Recebíveis Imobiliários).

 

Além disso, com o boom das fintechs, startups atuantes no setor financeiro, temos percebido que plataformas de crowdfunding também passam a oferecer uma alternativa aos sistemas convencionais de financiamento, agregando um número de relevante de pequenos investidores a possibilidade de participar do financiamento de um projeto imobiliário, partilhando também do seu resultado.

 

*Marcelo Lage é cofundador e um dos diretores da Valor Real Construções. Com mais de 20 anos de experiência no setor, foi membro de comitês de governança executiva em empresas brasileiras e latinas. É formado em Administração de Empresas pela PUC-SP e pós-graduado em Gestão Financeira e Recursos Humanos pela FGV-SP.

Sobre a Valor Real Construções

A Valor Real Construções, com sede em São José dos Pinhais e fundada em 2010, desenvolve projetos no mercado da construção civil. A empresa atua na construção de edifícios residenciais na Região Metropolitana de Curitiba, desenvolvendo soluções com ótimo padrão de qualidade e excelente relação custo-benefício. Mais informações no site www.vrconstrucoes.com.br ou pelo telefone (41) 3046-3102.