Crédito com Recursos Livres para Pessoa Física  crescerá entre 5 e 7%

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Hilgo Gonçalves, presidente Acrefi : “Estamos comprometidos com crescimento sustentável do Brasil, por meio do uso de informações conscientes e da cidadania financeira”. (Crédito fotos : Marco T.)

Hilgo Gonçalves, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) foi enfático: “O Crédito com Recursos Livres para Pessoa Física no Brasil crescerá entre 5 e 7%”, declarou durante o Road Show-Curitiba, no auditório da Associação Comercial do Paraná (ACP), para um público em torno de 100 executivos.

O presidente da entidade levou sua mensagem de otimismo aos participantes do evento, apresentando uma visão sobre o atual momento do País. “A Acrefi é uma startup de 60 anos e, eventos como esse, reafirmam nosso posição de fomentar conhecimento. Estamos comprometidos com crescimento sustentável do Brasil, por meio do uso de informações conscientes e da cidadania financeira”, pontuou.

Economista Sérgio Valle e Gláucio Geara, presidente da ACP.

Ele acredita também em um crescimento do PIB-2018 na ordem de 1,3%. “Temos um cenário de juros que deve ficar em torno de 6,5% e a inflação abaixo do teto da meta, em 4,1% (meta é de 4,5%). No longo prazo, acreditamos que a aprovação do Cadastro Positivo, incluída na Agenda BC+ do Banco Central, poderá aumentar consideravelmente a oferta de crédito no mercado — elevando a relação crédito/PIB em até 100%, como ocorreu no Chile. É um impacto importante que favorece o crescimento do Brasil”, ressaltou Hilgo.

Gláucio José Geara, presidente da Associação Comercial do Paraná, enfatizou a importância dos 128 anos da entidade e sua atuação em prol da defesa da livre iniciativa. “É uma honra integrar esse evento, que discutirá temas de grande relevância para o País. A ACP apoia essa agenda propositiva nesse momento de grande reflexão nacional”, destacou.

Antonio Augusto de Almeida Leite (Pancho), Diretor Superintendente da Acrefi.

Cristiane Rodrigues, Gerente de negócios do Sopra Banking Brasil,  que aqui  atua na oferta da Plataforma Cassiopae “front to back”,  relata que a empresa atua no mercado de crédito com foco em bancos e financeiras. “Temos uma estrutura modular, adaptável a qualquer organização e perfil de usuário do sistema financeiro. Operamos nos mais diversos segmentos, tendo uma plataforma que impacta em grandes transformações digitais”, reforçou a executiva.

Daniel Gomes, também da Cassiopae, apresentou o tema “Garantias: Obtenha Segurança na Concessão de Crédito”, apresentando uma visão sobre a redução de risco mitigada por meio do uso da plataforma tecnológica da empresa. “Dividimos o fluxo do sistema em três partes: registro, vínculo e controle. Conseguimos trabalhar a parte de garantias, dentro de um sistema integrado, gerando grande eficiência. Na nossa plataforma, oferecendo benefícios de uma empresa global com grande experiência local. A nossa plataforma tecnológica permite reduzir os custos por meio da utilização de software para todos os negócios direcionado à mutualização de servidores, bancos de dados, recursos materiais e recursos humanos”, garantiu o profissional da Cassiopae.

Cristiane Rodrigues, Gerente de Negócios (segmento financeiro) do Sopra Banking Brasil : “Temos uma estrutura modular, adaptável a qualquer organização e perfil de usuário do sistema financeiro”

André Massaro, professor de Educação da B3 (Brasil, Bolsa, Balcão), trabalhou o tema “Educação Financeira”,  ponderando que cada vez mais o foco deve estar em fazer com que as pessoas poupem dinheiro ao invés de gastá-lo. “A complexidade financeira, cada vez mais, tende a aumentar com o passar dos anos. Decisões adequadas são fundamentais e evitam grandes catástrofes pessoais. Há 35 anos o número de decisões financeiras era delimitado, mas, atualmente, ninguém pode ficar apartado do tema. A B3 é uma das maiores e principais empresas de infraestrutura do mercado financeiro do mundo e, seu papel, cria condições para que o mercado de capitais funcione de forma fluida, transparente e segura”, afirmou Massaro, declarando que é importante definir prioridades de investimentos para alcançar sucesso no futuro.

Mauro Melo, CEO da Credilink, discutiu sobre: ‘Segurança no Crédito Digital’ e suas formas de evitar fraudes usando a tecnologia como aliada. “80% das fraudes surgem dentro das próprias empresas e o uso da inteligência de dados, inibe essa prática. A empresa já realizou mais de 17 milhões de consulta de óbito em 2018, que ajuda a prevenir fraudes no sistema financeiro. Quando fornecemos informações assertivas protegemos não só o consumidor, como também as empresas, favorecendo o crescimento do mercado”, avaliou.

Daniel Gomes, da Cassiopae : “A nossa plataforma tecnológica permite reduzir os custos por meio da utilização de software para todos os negócios”.

Leandro Bissoli, sócio do escritório Patricia Peck Pinheiro Advogados, abardou: ‘Proteção de Dados e Ciber Segurança – Como ficam a nova Lei de Proteção de Dados Pessoais (LPDP)13.709 e a Resolução 4658 e a Circular 3.909 do Bacen. “A promulgação da lei coloca o Brasil no rol de mais de 100 países que hoje podem ser considerados adequados para proteger a privacidade e o uso de dados. A LPDP cria uma regulamentação para o uso, proteção e transferência de dados pessoais no Brasil, nos âmbitos privado e público, e estabelece de modo claro quem são as figuras envolvidas e quais são suas atribuições, responsabilidades e penalidades no âmbito civil. A lei está baseada nos direitos fundamentais daliberdade e da privacidade. O setor financeiro preciso ficar atento, inclusive com seus  fornecedores de dados. Não basta ter a tecnologia, é preciso capacitar também a previsão de riscos, visto que muito dos incidentes de vazamento envolvem falhas de comportamento”, alertou.

André Massaro, professor de Educação da B3: ““A complexidade financeira, cada vez mais, tende a aumentar com o passar dos anos”

Sérgio Valle, economista chefe da MB Associados, traçou um cenário macroeconômico e político. “No cenário internacional — os títulos do tesouro americano, atrelados ao aumento de juros, ficam atraentes. Isso provoca uma tendência de alta do dólar, que pressiona as moedas emergentes, como o Real. Esse componente internacional ou esse novo ciclo, coloca pressão nos mercados. No Brasil, por exemplo,a greve dos caminhoneiros afetou o crescimento, mas acredito que o PIB ainda pode chegar a 1,6% — até impulsionado pela melhora da agroindústria e pela produção industrial, que ganhou vigor. “Constatamos que, depois da greve, aumentou ainda o consumo tanto em automóveis quanto imóveis. Isso aponta que o investimento está se recuperando”, classificou o economista.

Valle acredita que, a despeito do que ocorreu no cenário nacional, há uma percepção positiva em relação à reativação da economia, embora não descarte pressões. “Estimamos que no próximo ano, até por elevação da inflação, a taxa de juros pode chegar a 8%. Um dado relevante é que não temos problemas em contas externas e isso impede que a taxa de câmbio não se eleve ainda mais, porém o cenário eleitoral adicionará pressão”, assegurou ele.

Auditório da ACP reuniu perto de 100 executivos que foram assistir ao o “Road Show-Curitiba 2018”.

O economista classificou ainda que, independente do cenário político que se desenha, as reformas políticas devem avançar. “Tem gente que gosta do período militar, mas a hiperinflação foi gerada nessa época. Precisamos pensar nas nossas escolhas e, em todo mundo, os jovens apoiam menos a democracia. Há um aumento global da proporção de cidadãos que desejam um líder forte, mas que não se preocupam com as eleições. Precisamos relembrar o Autogolpe no Peru de 1992, quando aconteceu uma crise constitucional, depois que o então presidente Alberto Fujimori, com o apoio das Forças Armadas, de forma violenta e inconstitucionalmente, dissolveu o Congresso e interveio no Poder Judiciário e tomou os meios de comunicação. Não podemos repetir esse modelo”, relembrou o economista, que finalizou com uma visão otimista: “Passamos por uma hiperinflação,enfrentamos crises, o Plano Collor, dois impeachments e o Brasil superou esses desafios. Agora não será diferente”.

Um dos intervalos do evento em Curitiba que despertou a atenção de executivos paranaenses.