Por que, em certos momentos, tomamos ações violentas das quais podemos nos arrepender? Muitos acreditam que basta levar a pessoa para um psicólogo ou para um psiquiatra e tudo será resolvido… O filme “The Mustang”, dirigido por Laure De Clermont-Tonnerre, coloca essas e outras questões sob outras perspectivas, bem menos simplistas.

A narrativa conta a participação de um presidiário num programa de reabilitação em que o desafio é domar cavalos selvagens para que sejam leiloados e usados em diversas atividades, como perseguir imigrantes ilegais na fronteira entre EUA e México. A ação a ser desenvolvida é controlar a própria violência para ganhar a confiança do animal.

E, para isso, é necessária uma jornada interior de domínio das próprias emoções. Não há espaço para soluções rápidas e violentas. O caminho está repleto de detalhes, que incluem muitas vezes o descontrole e o desespero por não consegui se atingir aquilo que se deseja no momento em que se julga adequado.

Mas o tempo das relações entre seres vivos, humanos ou não, são outros – e, quando menos se espera, o cavalo se torna um amigo a ser vendido. E essa separação é um novo ensinamento, pois se afastar daquilo que gostamos, mesmo que seja para o bem de algum dos envolvidos, é um ensinamento que envolve desprendimento. E tudo isso está além de qualquer simplismo terapêutico…

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.