Problemas de comportamento, dificuldades de aprendizagem e mudanças repentinas de humor podem ser mais do que uma fase para alguns adolescentes. Os sinais podem ser sintomas de Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
“Um número muito amplo de quem ainda não foi tratado de forma adequada, inclusive no contexto da escola, pode apresentar baixa auto-estima”, explica Cloves Amorim, professor do curso de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Outro indicativo é a instabilidade emocional, chamada labilidade emocional – uma mudança rápida e sem uma causa aparente do humor.
O sintoma mais comum é dificuldade para manter o foco em uma atividade, o que pode ser percebido na sala de aula quando o estudante não parece presente ou não consegue acompanhar o andamento da aula.
“É o famoso ‘mundo da lua’”, diz Amorim. “O jovem que esquece as tarefas, que troca o material, que não segue as orientações prescritas no plano de ensino, que tem dificuldades de interações sociais, estando sempre mais isolado, nos dá algumas pistas de que algo não está bem com ele. Mas só vamos ter certeza se ele passar por uma avaliação”, acrescenta.
Se houver suspeita de sintomas, o jovem deve ser diagnosticado por um psicólogo e, se confirmado o TDAH, precisará ser encaminhado preferencialmente ao médico psiquiatra ou pediatra especializado. Com o diagnóstico, deverá receber tratamento adequado para o transtorno – tratamento que deverá acompanhar todo o desenvolvimento.
O primeiro passo é vencer o estigma sobre medicamentos: o tratamento para o transtorno exige, obrigatoriamente, medicação e terapia. “Temos muitos estudos mostrando que jovens inquietos, agitados, ansiosos, precisam de um acompanhamento psicoterapêutico”, afirma Cloves.

Sala de aula
Na sala de aula, os alunos com TDAH devem receber atenção redobrada, de preferência com a presença de monitores, que podem ser estudantes da própria turma ou mais velhos. Além disso, o professor pode contar com recursos diferenciados, como objetos para atrair a atenção, sinais sonoros e pedir respostas escritas.
Um trabalho pedagógico cooperativo, que promove responsabilidade e autonomia, traz resultados melhores para os estudantes com TDAH – a chave é evitar o padrão de aula expositiva. “Deve se organizar o trabalho pedagógico de uma outra forma, com o estudante tendo tarefas bem claras e objetivos bem definidos. Quando possível, dar ao sujeito oportunidade de escolha, de com quem e onde trabalhar”, conclui Amorim.