Comam bananas!

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“Não tem pão, comam bananas!” ou “Se não tem crescimento, engulam bananas!”. Essas variantes derivadas da famosa frase de Maria Antonieta, na França de 1774 – “Não tem pão, dê ao povo brioches” – revelando futilidade real diante do povo que passava fome, devem ter inspirado, segundo as redes sociais, Bolsonaro a fazer uma tentativa de humor de quinta categoria para escapar de comentar o PIB de 1,1% do ano passado. A ideia foi do enrolado Fábio Wajngarten, da Secom, que fantasiou um humorista de Chefe do Governo, com faixa e tudo, para atacar – de novo – jornalistas, que dessa vez viraram as costas.

Wajngarten resolveu unir as outras bananas dadas por Bolsonaro (e também por seu filho Eduardo) com um dublê do presidente que só abra a boca a seu serviço, na contramão de Marcelo Adnet que vem ganhando risos e aplausos por sua imitação do Chefe do Governo – e nessa área não pode haver menor comparação de talentos. Carioca, ex-Pânico, ganhou cachê por essa pataquada e poderá ganhar mais, em outros desempenhos. Resultado: Bolsonaro insiste em desonrar a Presidência da República, sem entender o que ele representa por estar lá.

O episódio ganhou repercussão lá fora onde esse novo ineditismo (o anterior foi revelar que simpatizava com motim de policiais) foi considerado uma ação para humilhar a imprensa, além de entenderem a cena como legitima falta de decoro com que Bolsonaro representa a nação. Meia dúzia de assessores dava risada, enquanto os jornalistas permaneciam atônitos e na sequência, se retiravam da área.

Almanaque

Ainda a propósito da famosa frase de Maria Antonieta: originalmente, ela teria sido dita por Rousseau, em 1765 (quando Maria Antonieta tinha nove anos de idade), numa taberna, quando elegantemente vestido pediu pão para acompanhar seu vinho. O dono disse que não tinha pão e Rousseau emendou: “Então, traga brioches!”. Mais: o uso de bananas (frutas) na lamentável tentativa de fazer humor em nova investida contra jornalistas, reforça – em nível internacional – o apelido antigo que parece estar de volta ao país de “República das Bananas”, nem um pouco elogioso.

Não sabia

O desrespeito (mais um) feito no cercadinho do Alvorada fez com que Bolsonaro fosse embora sem dar explicações sobre o fiasco econômico. Não tinha a seu lado o “Posto Ipiranga”, que, ultimamente, tem andado sem combustível e que acha que o país “está reacelerando”. Sem Paulo Guedes, da Economia, para falar sobre queda do PIB no ano passado e projeção para 2020, o Chefe do Governo não sabe o que dizer. Não entende direito o que é PIB, confessadamente dito ao próprio Guedes, que ainda não conseguiu ensiná-lo.

Mais um

Bolsonaro tem fama de aniquilar amigos, sem maiores remorsos ou mesmo justificativas. Agora, chegou a vez de Silvio Santos: a Telesena e os carnês do Baú serão proibidos de venda em casas lotéricas. A Caixa Econômica determina que o prazo fatal será o final de março. A proibição afeta o principal negócio de Silvio Santos, que alimenta o SBT há anos (a Telesena foi criada em 1991). Detalhe: Silvio e sua emissora são aliados do governo, prestigiam ações de Bolsonaro e recebem boa parte da propaganda do governo.

 

Virou circo

Ainda o episódio das bananas: na internet, sobre o atual governo e a respeitosa tentativa de humilhar os repórteres, muitos blogs repetem a máxima “se cobrir com a lona vira circo; se trancar a porta, vira hospício”. O humorista também gravou um quadro para o Domingo Espetacular da Record (outra emissora aliada do governo). No dia seguinte, tomou café com o presidente que teria sugerido que passasse com ele no cercadinho do Alvorada, onde chegou em carro com o chefe da Secom, Fábio Wajngarten.

Parafuso

Carlos Bolsonaro, que está reaparecendo, acaba de dedicar ao site O Antagonista uma frase surrealista: “Alicate escancara os planos que tinha com as antas”. Os jornalistas de lá acham que Carlos Bolsonaro tem “um parafuso a menos”.

Rasgada

Outro lado da patética cenas das bananas: o episódio foi transmitido no Facebook, com o título “Bolsonaro no Alvorada”. E nele, como coadjuvante de Carioca, o Chefe do Governo rasga a cartilha que orienta autoridades a não exporem profissionais da imprensa, um dia após sua divulgação. Humor político, segundo os analistas, é oposição. Na ditadura militar, humoristas foram presos e censurados. De lá para cá, todos os presidentes foram alvo de comédia. Bolsonaro quer fazer o contrário.

Triturada

Nesses dias que antecederam a posse de Regina Duarte como secretária da Cultura e igualmente depois da posse, onde a atriz até “bateu continência” para Bolsonaro, a antiga Rainha da Sucata vem sendo triturada pelos bolsonaristas (muitos guiados por Olavo de Carvalho, que quer os cargos que indicou de volta) e pela esquerda festiva, que repudia sua entrada no poder. Na posse, Regina falou em “carta branca” e Bolsonaro falou que “há momentos em que exerço poder de veto”. Era um aviso: ele também tritura.

 

Guerra fria

A cúpula da XP pensou em subir o tom e reagir para valer à provocação feita, há dias, pelo BTG, que não perdoou as interrupções no sistema da concorrente e disparou no Twitter: “Por aqui, até o momento, nenhuma ocorrência de instabilidade da nossa plataforma”. Guilherme Benchimol, fundador da gestora, queria dizer: “Por aqui, nenhuma ocorrência de sócio preso” (alusão a André Esteves), no calor dos acontecimentos. Depois, mais calmaria e os sócios da XP, ao que tudo indica, engoliram o episódio. Supostamente apenas desta vez.

Olho no samba

Em meio a ruídos entre Planalto e Congresso, Davi Alcolumbre aproveitou o Carnaval para novas promessas orçamentárias. No Amapá, seu estado, comprometeu-se a conseguir do governo federal os R$ 3 milhões necessários para a reforma da Passarela do Samba, de Macapá – e teria ventilado o assunto na conversa a sós que teve, nesses dias, com Bolsonaro.

Provocação

A maioria dos militares do governo não gostou do episódio das bananas, quando Bolsonaro, mais uma vez, atirou contra os jornalistas. Consideraram esse tido de ofensiva é “altamente provocativa” e que, de alguma maneira, significará fogo de encontro provocado pelos próprios profissionais de imprensa. Nem mesmo blogs aparentemente governistas aplaudiram a encenação. Militares acham que, cada vez mais, sendo humilhados, os jornalistas rechearão as páginas de jornais e programas de rádio e televisão contra o Capitão. E que esse tipo de tiro respinga nos militares.

 

Em baixa

A ofensiva do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) sobre Sérgio Moro, a quem chamou de “capanga de milicianos”, não aumentou a popularidade do parlamentar: muito ao contrário. Nos micros comícios que costuma fazer às sextas-feiras, no Buraco do Lume, no centro do Rio, não tem reunido mais de 30 pessoas, incluindo assessores. Quem passa, acha que é algum religioso anunciando o apocalipse.

 

Quase foguete

No rastro da parceria com os Estados Unidos na Base de Alcântara, está sendo constituída a criação de uma nova frente parlamentar de apoio ao programa especial brasileiro. Ninguém sabe exatamente o que o novo bloco irá fazer: o programa especial brasileiro é quase uma brincadeira de games interplanetários.

 

“Bom coração”

Depois de marchas e contramarchas, José Luiz Datena entrou para o MDB, levado pelo presidente Baleia Rossi. Teve até evento, com direito a discurso do novo filiado, que pode ser o vice de Bruno Covas na corrida da reeleição para a prefeitura de São Paulo, quando disse que sempre critica ações de Bolsonaro com as quais não concorda. E não tendo nada a falar sobre o presidente, disse que “Bolsonaro tem bom coração”.

 

Verba de gabinete

Cada um dos 513 deputados federais tem direito a mais de R$ 111 mil por mês de “verba de gabinete” para pagar 25 cargos comissionados para funcionários que podem trabalhar no gabinete do parlamentar em Brasília ou no estado de origem. Só em janeiro, o total gasto por deputados federais foi de R$ 54,7 milhões, o que representa 90% do que havia disponível para esse tipo de receita. Funcionários contratados pelos deputados podem receber salários de até R$ 15 mil e encargos trabalhistas como 13º, férias e auxílios quem paga é a Câmara.

 

Delírio

Na manhã de ontem, Bolsonaro voltou a falar no cercadinho do Alvorada, um dia depois de ter mandado um humorista simpático ao governo dar “bananas” aos jornalistas. “Parabéns à imprensa, fiz piada com o PIB. Parabéns, valeu. Quando vocês aprenderem a fazer jornalismo, eu converso com vocês”. E não falou nada sobre o pífio 1,1% de 2019.

 

Exército

Esta semana, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que aumentou a polícia de seu estado em mais de 40% em três anos, enquanto o estado não tem dinheiro para honrar folha de pagamento, almoçava em Brasília no restaurante Soho, onde chegou cercado por nada menos do que seis seguranças. E uma cena era insólita: um dos seguranças permanecia em pé ao lado dele, enquanto Zema almoçava.

 

Para comparar

Para quem gosta de comparações: nos 21 anos de ditadura militar, o crescimento real médio foi de 6,29% ao ano; nos cinco anos de Sarney, com moratória e hiperinflação, 4,38%; nos cinco anos Collor/ Itamar, 1,40% ao ano; nos oito anos de FHC, 2,37% ao ano de crescimento médio; nos oito anos de Lula, 4,09% ao ano; nos oito anos Dilma/ Temer 0,65% ao ano – e no primeiro ano do governo Bolsonaro, o Brasil teve um crescimento econômico real de 1,10%.

 

Nem garoa

O Brasil fechou 2019 com PIB de 1,1%, o menor patamar com três anos. O problema se agrava, num país onde o ministério da Economia premunizava “chuva de investimentos”, porque o investidor ainda mais do que desconfiado. Pesquisa da área de Economia Aplicada da FGV IBRE, revela que o país fechou o 4º trimestre do ano passado 26,3% abaixo do nível de investimento registrado no 1º trimestre de 2014.

 

Esquerda e direita

Tem para todos: o próximo dia 14, lideranças da esquerda convocam para manifestação sobre dois anos da morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Nunes; no dia seguinte, 15 de março, direita convoca para manifestação contra o Congresso e o Supremo e a favor de Bolsonaro. Os movimentos que comandam são Nas Ruas, Avança Brasil e São Paulo Conservador.

 

Irritado

Paulo Skaf, presidente da Fiesp, apoiou a filiação de José Luiz Datena no MDB, mas anda irritado com o apresentador. Tudo porque o que Skaf quer ver é Datena como candidato à prefeitura de São Paulo e ele pensa em sair como vice de Bruno Covas. Mais: existem uma movimentação interna na sigla que tenta convencer a Datena a ser o candidato do partido ao governo paulista em 2022, que vai de encontro com os planos de Skaf que também sonha com a candidatura.

 

Aplaudida

Antes de tomar posse como secretária da Cultura, Regina Duarte estava numa sala reservada e resolveu dar uma olhada no local e foi aplaudida pelos poucos que estavam ali.

 

Convite

Antes mesmo de tomar posse na Secretaria da Cultura, a atriz Regina Duarte convidou seu colega Carlos Vereza para assumir um cargo na secretaria, ainda em segredo. O ator está avaliando o convite.

 

Nova função

Selma Arruda, que teve seu posto de senadora cassada pelo TSE por prática de caixa dois e abuso de poder econômico tem nova função dentro do Podemos. Ela foi incumbida da formação de novos políticos do partido. “Quero muito trabalhar nesse sentido, qualificar as pessoas. A gente vê que as pessoas querem trabalhar com a política para ter um salário fixo ou para se locupletar. Ninguém sabe para que veio. Ninguém sabe para que é um vereador, o que faz, para o que está lá”.

 

Não sabe

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, resolveu dar sua opinião sobre a ida de Regina Duarte à Secretaria da Cultura. “Eu gosto da Regina, sou amigo dela. Ela me apoiou em outras épocas. Mas ela não conhece a selva na qual está entrando”. E completou: “A vida política é dura, agressiva. Não sei o que vai acontecer com ela. Ela conhece pouco, a meu ver, da burocracia, do Congresso. Ela precisaria disso a essa altura da vida?”.

 

Mamãe

A cantora Katy Perry, 35 anos acaba de anunciar sua primeira gravidez, com o ator Orlando Bloom. No entanto o bebê de Katy não será o primeiro filho do ator. Ele já é pai de Flynn, de 9 anos da modelo Miranda Kerr. Entre nós a brasileira Rosanne Mulholland também anunciou sua primeira gravidez do ator Marcos Veras, também papai de primeira viagem.

Frases

 “Esse mundo está louco. Nós vivemos procurando um salvador da pátria. Esse é o drama do país. A gente se decepciona com um e corre atrás de outro que seja o oposto.”

Dráuzio Varella