Ilana Lerner: a poética do MON e a arte como experiência

Ilana Lerner: o museu proposto como um espaço de vivência da arte. Crédito: Fernando Dias

Escolha da governadora Cida Borghetti para presidir o Museu Oscar Niemeyer até o final da atual gestão estadual, Ilana Lerner traz no DNA uma combinação que em muito contribui para a atual fase do museu: o apreço pela arte e pela arquitetura, desenvolvido desde a infância, inspirada no pai, Jaime Lerner, que além de administrador público de referência, também é reconhecido como um grande arquiteto, o ritmo dinâmico que traz de sua formação como jornalista e de seu movimentado histórico profissional e o amor pela cidade, que percebe como um local de interação permanente entre os diversos públicos citadinos e os espaços em que transitam. “Na relação com a cidade, não somos passageiros. Nós somos a cidade”, comenta nesta entrevista exclusiva, em que revela seus projetos à frente do MON, museu que resulta da iniciativa de seu pai, inaugurado em 2002 com a presença do arquiteto Oscar Niemeyer – e também disposição para continuar administrando o museu em uma gestão seguinte.

Como vem sendo sua gestão à frente do MON?

Embora não tenha uma garantia, a gente trabalha como se fosse ficar e desenvolver o trabalho a longo prazo. Sou uma pessoa muito inquieta, acho isso algo bem positivo. Acompanho o andamento do museu como um todo. Gosto de saber o que acontece em todos os setores, me envolvo e proponho ideias em todos eles. O museu é uma estrutura muito bem organizada e que vem sendo muito bem trabalhada. Todas as pessoas que passaram pelo museu fizeram um trabalho muito importante, cada um com sua visão e todo mundo deixou um equipamento que já é quase autossustentável. Quando assumi, pensei: o que posso trazer para cá? O museu já é um organismo que tem uma vida muito interessante e ativa. Mas a gente tem que deixar a nossa marca, propor novos cenários. Eu então para a equipe: o que vocês já fazem, fazem bem feito, todo mundo. Agora, o que eu quero é um passo a mais: temos a possibilidade e devemos buscar sempre ir além, avançando em todas as áreas. Este é o meu pensamento em relação ao museu.

E onde que você identificou que poderá ser o legado desta primeira fase da sua gestão, que pode ser então que continue?

O que eu gostaria que tivesse um impacto, em minha passagem pelo museu, é justamente na   questão de aproximar mais o museu da cena criativa da cidade. Essas pessoas têm um espaço dentro do museu, são pessoas que geram conteúdo. Hoje Curitiba está muito diferente, é uma cidade que vibra muito, tem muita economia de colaboração, muitos espaços, muitos artistas novos. E eu gostaria que essas pessoas tivessem no museu um espaço de diálogo, gostaria que as universidades tivessem um processo de troca de experiências, com parcerias, projetos, com todas aquelas que têm cursos de arte. O museu é um palco para estas experiências. Acredito que é isso que temos que fazer. Na minha ideia, o museu não é um lugar de fora para dentro. É de dentro para fora. Temos que expandir, sair de nossos muros, dos nossos confortos. Cada vez mais exteriorizar o que se faz aqui dentro, cada vez mais abrir parcerias com quem tem projetos e possibilidades – e gerar cultura. Eu gostaria de ter música, literatura, cinema aqui dentro. Gostaria de transformar o museu em um centro cultural, porque de fato ele já é.

A ideia é democratizar cada vez mais o museu.

Cada vez mais. E, principalmente, desenvolver uma ação educativa forte, que acho que é o mais legal do museu.

E, com estas possibilidades todas de parcerias que vão se abrindo, você traz novos públicos também, não é?

Isso mesmo, porque você não pode ficar isolado em uma torre de marfim, com uma linguagem muito hermética, com um pensamento voltado para uma cultura muito elitizada.  Não é esse o meu pensamento. Acho que é o contrário. Aqui tem que ter espaço para todo mundo. Todos têm que conseguir se sentir confortáveis. Gosto muito de museus, sempre fui uma consumidora de arte, de visitar museus, de conhecer. Mas há certos momentos em que você entra em algumas exposições e se sente desconfortável. Acho que essa provocação também é importante. Em alguns momentos você tem que trazer para o museu algumas pessoas que têm uma linguagem bem específica, diferente, de vanguarda. Mas as pessoas também têm que sentir que é um espaço onde elas têm prazer, onde encontram exposições que sejam um deleite, que acolham, que agradem, que sejam um carinho para o público. Tem várias formas de as exposições tocarem você. Acho que o mais bacana é que o museu trabalha com emoção. É isso que a gente faz aqui. É uma educação diferente, é uma educação emocional. Você vem aqui e tem uma experiência sensorial, emocional, diferente da que você terá em qualquer outro lugar. Isso com a arte em si, não só com um museu. Você vai em um filme que emociona você. Você ouve uma música, chora ou ri ou dança. Então, estes momentos da arte tocam no seu ser de uma forma muito diferente, e é isso que eu gostaria que o museu trouxesse para as pessoas. Essa impactação, esse encantamento. É praticamente uma alfabetização. Você vai ver uma nova linguagem pela primeira vez. É um descobrimento. Você está alfabetizando as pessoas de uma forma emocional.

O museu tem espaços para exposição de artistas paranaenses?

Temos um acervo em muito formado pela arte paranaense. Nossa proposta é de ter uma arte sem fronteiras. É algo que conversamos muito: gostaríamos de abolir esta coisa de arte paranaense. Porque é arte. Arte tem que ser universal. O artista vai expor porque é bom. Agora, nosso acervo tem muitos representantes da nossa história artística. Procuramos fazer uma mistura eclética, sem muito bairrismo. Mas a nossa arte é boa, é de qualidade. As pessoas que estão trabalhando com isso aqui em Curitiba, aqui no Paraná, são brilhantes. É a qualidade do trabalho. Fazemos um trabalho muito sério de curadoria, e procuramos integrar todas estas coisas. Sempre tem artistas paranaenses.

Em relação à democratização do espaço do museu, percebemos como ele se tornou um espaço da cidade, com os jovens vindo para cá, vivenciando os espaços do museu.

A apropriação é muito importante. Por sua arquitetura, o MON é um espaço que já atrativo para as pessoas. Elas vêm para ver o museu ver o olho, fazer a selfie. Eu brinco que nosso slogan agora é: não faça só a selfie, entre para o museu. Esta é a ideia. Mas acho que se as pessoas não se apropriam do espaço público, se não se relacionam fisicamente com o espaço, isso cria uma distância cada vez mais difícil de transpor. Estes dias, eu estava andando aqui no museu e vi duas meninas deitadas no túnel, que tem aquela curvatura nas paredes. Parei e voltei, peguei meu celular e fotografei, porque era lindo. Elas estavam se apropriando do museu, tornando-o um espaço próprio. Elas estavam incorporando. Lógico, não é uma bagunça, mas elas não estavam criando nenhum empecilho para o museu, ao contrário, era lindo. Botei no site do museu a foto, fez um sucesso. Acredito nesta questão da apropriação do museu pelas pessoas. Temos que parar de “nãos”. E ser mais “sim”. O museu tem que ser sim, venha, traga, proponha, ocupe. Acho que esse talvez seja um diferencial do que a gente faz.

Isso envolve também ter o museu frequentado nos diversos horários e espaços?

E é muito bacana, porque nosso educativo é muito diverso. Não é só oficina para criança desenhar. Tem projetos para todas as idades, para educadores, oficinas livres, visitas das escolas, visitas guiadas, colônia de férias, noite no museu.

E o projeto dos patronos, como funciona?

Acho que ainda tem esta barreira cultural no Brasil, como um todo, para as pessoas investirem em arte, doarem para a arte. Um dos meus projetos, em que estamos trabalhando, é de criar possibilidades de as pessoas participarem do museu. O patronato é um projeto lindo, específico para aquisição de obras, o que é algo muito bacana, criando oportunidade de direcionar e participar das escolhas do acervo do museu. É fantástico. Hoje são em torno de 25 patronos. É um projeto supernovo. Além deste projeto, e dos patrocínios para o museu e seus projetos, estamos criando outras possibilidades. Estamos criando um programa chamado “Sou mais MON”, em que as pessoas podem colaborar com valores menores. Queremos democratizar as possibilidades de as pessoas poderem participar. Então haverá várias categorias. Tudo vai estar aberto para que as pessoas se sintam coautoras. Nós somos um dos maiores museus da América Latina. Temos 14 salas expositivas, sendo uma o olho, que tem 1.500 m2. Temos de ter uma programação atuante, atrativa. Então realmente precisamos da ajuda de todo mundo. Todos os museus do mundo hoje são assim. Vamos convidar todos os setores, todos os bolsos para participar. Haverá planos de 100 reais por ano, por exemplo. Você vai poder ter sua carteirinha, entrar em museus parceiros. Vamos ter parcerias com os museus de São Paulo, do Rio, que já estamos negociando, então é ótimo as pessoas se sentirem parte: “Eu participo disso, eu ajudo o museu”. As pessoas querem isso.

Em relação ao patronato, qual o valor de partida?

É acessível também. Agora na minha gestão fizemos um primeiro evento dos patronos, de reaproximação com as pessoas que já fazem parte disso e para começar uma nova história. Conversamos aqui sobre quem é o público para os patronos. São todos aqueles que desejam participar nos caminhos do museu, que gostam, apreciam a arte, que têm ligação com arte. Nossa ideia neste novo patronato é de que não seja unilateral, mas que os participantes também possam recomendar, sugerir artistas, obras para serem trazidas para o acervo do museu, e não só votem nas obras que irão para o acervo. Formando este grupo novo esperamos dar aos participantes atividades, experiências ligadas à arte para que continuem engajados. Uma coisa alimenta a outra. A cota mínima para o patronato é de R$ 6 mil anual. Nossas sugestões são R$ 9 mil, R$ 18 mil e R$ 27 mil, anuais. Mas pode ser a partir de R$ 6 mil.

O MON é um marco arquitetônico não só do Paraná, mas universal. E um grande ícone do Oscar Niemeyer.

Foi a primeira requalificação do Oscar Niemeyer. Foi a primeira vez em que ele pegou um projeto seu e revisitou com uma nova função, além de criar a maravilha do olho. Até hoje vejo o olho e penso: como ele flutua dessa maneira? Lembro-me de quando começou a obra, eu já achava lindo no andaime. Ele flutua, é algo poético, uma coisa muito bonita. E o Oscar Niemeyer adorou o resultado. Ele não queria vir para a inauguração, porque tinha muito medo de avião. E meu pai falou: “Oscar, você tem que vir”. Então ele veio. Meu pai conta também para todo mundo a história de um operário, que falou: “Se não for o melhor do Brasil, é o melhor de todo o mundo”.  Era muito lindo, todo o processo do museu veio de uma aura muito bacana. Era novembro, por aí, e durante a obra, embaixo do olho, onde tem hoje o espelho d’água, os operários colocavam as mesas e comiam. Eu olhava e pensava “gente, isso é uma coisa linda”. Parecia uma pintura. Já era lindo! Já era uma poesia sem precisar fazer nenhuma interferência formal. O olho já nasceu lindo, em todos os sentidos.

E como você vê isso, de hoje estar à frente do MON, que nasceu da percepção de seu pai, que além de administrador público de referência, é também um grande arquiteto?

Costumo dizer que este museu nasceu de um sonho de um arquiteto e da inteligência e do talento de outro arquiteto. Foi a junção destas duas coisas. E foi trabalhado com muito carinho.

E você então tem disposição para seguir à frente do museu, certo?

Eu adoraria ficar o tempo que fosse. Este tempo que tenho oficialmente é um sopro, é muito pouco tempo. Começamos um trabalho já pensando em um projeto de longo prazo, porque as coisas precisam de maturação. Já estamos trabalhando para 2020 e com o plano anual do ano que vem. As exposições que estão aqui já foram estruturadas lá atrás. Então já estamos trabalhando com projetos para os anos seguintes. Além disso, conseguimos trazer um projeto novo para setembro agora. Vai ter novidades muito bacanas.

Ilana Lerner com Camila Gino e Cintia Peixoto, durante a entrevista exclusiva: arte democratizada e vivenciada pela população da cidade. Crédito: Divulgação

Cristiane Deyse Oppitz, do Verd & Co., a sex coach Ivana Poitevin, Tania Barcellos, da Barcellos Joias, e a psicóloga Meillyn Lemos durante happy hour com talk para convidados promovido pela Barcellos Joias no Verd & Co. com Ivana e Meillyn: informação com descontração. Crédito foto: Waldo Rafael


20 anos da Porto a Porto

Pedro Oliveira, Fernando Oliveira e Camila Podolak nas comemorações dos 20 anos da Porto a Porto. Crédito foto: Carlos Poly

Em 3 de agosto, os proprietários e a diretoria da Porto a Porto receberam seus colaboradores para um jantar em comemoração ao aniversário de 20 anos da importadora. Além da equipe de Curitiba, estiveram presentes as equipes das filiais de Porto Alegre, Brasília e Santa Catarina e também os representantes do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Nordeste. O local escolhido para o encontro foi o Madero Steak House. Os colaboradores que estão na empresa há mais de 10 anos receberam uma homenagem especial: uma garrafa de vinho do Porto Messias 20 anos personalizada para a data. Além de um cardápio com todas as delícias da casa, foram servidos espumantes português e espanhol, e vinhos como Marquês de Borba branco, Quinta do Valdoeiro tinto, Marqués de Tomares Crianza. Para finalizar a noite, foi servido o vinho do Porto Messias 10 anos. A equipe foi presenteada ainda com um belíssimo show do Quarteto Acústico Stereo Voice.